09/05/2013
A insanidade é um estado que está a tornar-se "viral", como agora se diz.
Preocupante, o evoluir desse estado, uma vez que não poupa ninguém. A uns porque os transforma em meras cobaias e a outros em experimentadores sem escrúpulos. E mesmo que as intenções possam ser ou parecer as mel, os resultados acabam sempre por trazer imensos dissabores.
Ouvi hoje, numa reunião onde estiveram presentes alguns dos principais banqueiros do país, mais algumas provas do que digo.
O presidente do BPI, Fernando Ulrich, disse que apoia ( e pelos vistos aplaude ) a ideia da cativação de depósitos superiores a 100 mil euros para suprir a necessidade de recapitalização dos bancos. Claro! É fácil fazer boa figura quando a forma encontrada é a mais vil e disparatada que se possa imaginar. Para além, claro está, da indecorosa usurpação de proventos alheios, fruto do labor e sacrifício. E mesmo que assim não tenha sido, não deixa de ser um bem que se "utiliza" sem nenhuma compensação ou autorização. Mas, como existe sempre uma forma de contornar as situações menos claras, é de crer ( assim espero ) que os depositantes de quantias avultadas, comecem a dividi-las em frações.
Bem sei que logo virá outra investida do setor bancário. Mas, enquanto o "pau sobe e desce..."
Disse também o presidente do BPI, que não existe falta de crédito à economia. Existe sim, falta de procura! Ou sou b***o ou estou maluco!!!!
Como podem as empresas recorrer ao crédito, se são os próprios bancos, seguindo diretivas do Estado, que tudo fazem para dificultar os créditos? Como podem as empresas, tenham elas a dimensão que tiverem, suportar as elevadas taxas cobradas?
Mas outras foram as enormidades...
Do BES, perante o descalabro financeiro do 1º trimestre, a solução encontrada foi, como sempre, o corte. Encerrar balcões e despedir no mínimo 200 colaboradores.
A pergunta impõe-se, e serve para todos os setores da economia: que culpa têm os empregados da incompetência das administrações? Seria muito mais digno que Ricardo Salgado reconhecesse os erros de gestão e previsão cometidos, ao invés de optar pela via cruxis a quem condenará imensas famílias.
E houve também a declaração de Nuno Amado, presidente do Millenium BCP, para quem a solução para as dificuldades de tesouraria das empresas em dificuldades, passaria pela possibilidade legal de que essas ,mesmas empresas pudessem reduzir ( ainda que temporariamente ) os salários do trabalhadores.
Essa solução até poderia ter um átomo de sentido, se também os compromissos, os preços, as taxas, o custo de vida, fossem também reduzidos. Mas todos sabemos que isso não acontece. E o primeiro lugar onde essa improbabilidade ocorre, é dentro dos próprios bancos. Um atraso, uma prestação em falta, e os juros avolumam-se e multiplicam-se, qual chagas, qual doença sem cura.
É triste o que assistimos numa sociedade cada vez mais sem valores. É penoso ver o Estado refém daqueles que durante anos Lhe suportaram a queda, controlaram a falência, conduziram - no à beira do abismo. Daqueles que traçaram um rumo de crescimento sem olhar a meios.
E existem outros...outras análises e declarações de figuras públicas, que mais não são do que abissais atropelos linguísticos, pois que produzidas sem nenhum sentimento.
É no mínimo indecoroso que certas pessoas se permitam dizer o que lhes é mais conveniente, desde que isso mantenha os seus status intocáveis. Que a estas mesmas pessoas, sejam dada toda a cobertura e publicidade, e que aos que sofrem na pele as agruras da recessão e da desregulação económico/financeira, seja negado o direito ao contraditório.
Sim... negado!
Porque a nossa comunicação social, em muitos casos ( felizmente com honrosas exceções ) não permite que os mais desfavorecidos falem. que digam o que sentem, como sentem e como resistem. Claro... isso não vende!
E perante toda essa panóplia de barbaridades, assistimos ao silêncio conveniente e conivente dos nossos atores políticos. E, porque não dizê-lo, da mesquinhês e egoísmo de todo um povo!
É tempo de mudar! É tempo de dizer basta!
É preciso devolver Portugal aos Portugueses!
João Ricardo Lopes