Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde

Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde (ADAPVC)

𝐕𝐢𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐝𝐞 𝐒𝐭𝐫𝐞𝐞𝐭 𝐅𝐨𝐨𝐝 𝐫𝐞𝐠𝐫𝐞𝐬𝐬𝐚 𝐜𝐨𝐦 𝐬𝐚𝐛𝐨𝐫𝐞𝐬 𝐝𝐨 𝐦𝐮𝐧𝐝𝐨 à 𝐛𝐞𝐢𝐫𝐚-𝐫𝐢𝐨O aroma da comida de rua volta a invadir os Jardins d...
12/06/2026

𝐕𝐢𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐝𝐞 𝐒𝐭𝐫𝐞𝐞𝐭 𝐅𝐨𝐨𝐝 𝐫𝐞𝐠𝐫𝐞𝐬𝐬𝐚 𝐜𝐨𝐦 𝐬𝐚𝐛𝐨𝐫𝐞𝐬 𝐝𝐨 𝐦𝐮𝐧𝐝𝐨 à 𝐛𝐞𝐢𝐫𝐚-𝐫𝐢𝐨
O aroma da comida de rua volta a invadir os Jardins da Alameda dos Descobrimentos. De 𝟏𝟗 𝐚 𝟐𝟒 𝐝𝐞 𝐣𝐮𝐧𝐡𝐨, integrado nas Festas de São João, o Vila do Conde Street Food regressa à cidade para mais uma edição repleta de sabores, aromas e experiências gastronómicas para todos os gostos.

Organizado pela ADAPVC – Associação para a Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde, em parceria com a Câmara Municipal de Vila do Conde, o evento afirma-se como uma referência nacional entre os festivais de street food e como um dos momentos mais aguardados das festividades sanjoaninas.

Ao longo de seis dias, a frente ribeirinha de Vila do Conde transforma-se num verdadeiro ponto de encontro entre culturas gastronómicas, reunindo alguns dos mais reconhecidos operadores nacionais de comida de rua. Dos clássicos hambúrgueres americanos às receitas tradicionais portuguesas, das especialidades brasileiras às influências mediterrânicas e do Médio Oriente, sem esquecer as opções vegetarianas e vegan, haverá propostas para todos os paladares.

Mais do que um festival gastronómico, o Vila do Conde Street Food é um espaço de convívio, descoberta e celebração, ideal para um almoço em família, um jantar entre amigos ou simplesmente para desfrutar do ambiente único das Festas de São João.

A entrada é gratuita.

De 19 a 24 de junho, os sabores do mundo têm encontro marcado em Vila do Conde.

11/06/2026

𝐂𝐨𝐧𝐜𝐮𝐫𝐬𝐨-𝐄𝐱𝐩𝐨𝐬𝐢çã𝐨 𝐝𝐞 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐞𝐦 𝐦𝐞𝐦ó𝐫𝐢𝐚 𝐝𝐞 𝐉𝐨ã𝐨 𝐝𝐚 𝐂𝐨𝐬𝐭𝐚 𝐓𝐨𝐫𝐫𝐞𝐬
A menos de um mês para a celebração do Dia de São João, Vila do Conde prepara-se, uma vez mais, para reviver uma das mais profundas expressões da sua identidade coletiva: a ligação entre a festa do Padroeiro e a arte secular das Rendas de Bilros. É neste espírito de memória, tradição e reconhecimento que se assinala a efeméride do Concurso-Exposição de Rendas de Bilros, iniciativa que permanece como símbolo da valorização do trabalho das rendilheiras vilacondenses e da preservação de um património único.

Integrado nas Festas de São João de 1958, o Concurso-Exposição foi realizado em homenagem ao “saudoso vilacondense João da Costa Torres” e constituiu um acontecimento marcante da vida cultural e social de Vila do Conde. Reunindo dezenas de rendilheiras de diferentes idades, a exposição revelou “autênticas maravilhas” de delicadeza, rigor técnico e beleza artística, demonstrando a excelência de uma arte transmitida de geração em geração.

Mais do que um simples certame, este concurso representou uma homenagem ao labor silencioso de tantas mulheres que, com engenho e paciência, fizeram das rendas de bilros um dos mais nobres símbolos de Vila do Conde. Como então foi afirmado na sessão inaugural, as rendas traduzem não apenas um trabalho de extraordinária minúcia, mas também “um tesouro que não tem par”, profundamente ligado à história, ao progresso e ao prestígio da terra vilacondense.

Ao longo dos séculos, as Festas de São João afirmaram-se como momento privilegiado de encontro entre a devoção popular, a celebração comunitária e as tradições locais. Entre marchas, música, cantares e alegria nas ruas, também o som dos bilros encontrou lugar nesta festa maior do concelho.

A rendilheira tornou-se figura inseparável da identidade sanjoanina de Vila do Conde, expressão viva de uma herança cultural que continua a distinguir o município, dentro e fora de portas.

Hoje, ao evocarmos esta efeméride, homenageamos todas as rendilheiras que preservaram esta arte delicada ao longo do tempo, bem como todos aqueles que contribuíram para dignificar e promover as Rendas de Bilros enquanto património cultural de inestimável valor. Evocar este concurso é recordar que tradição e futuro caminham lado a lado quando uma comunidade reconhece e celebra aquilo que a torna única.

A menos de um mês para o S. João, Vila do Conde prepara-se para honrar as suas raízes, renovando o orgulho numa arte que continua a entrelaçar memória, identidade e beleza em cada fio trabalhado pelas mãos das suas rendilheiras.

Sobre o referido Concurso-Exposição de Rendas de Bilros transcrevemos o que, na sua edição de 5 julho de 1958, publicou o jornal Renovação:

“𝐴 𝑒𝑥𝑝𝑜𝑠𝑖çã𝑜 𝑑𝑒 𝑟𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑜𝑐𝑢𝑝𝑜𝑢 𝑙𝑢𝑔𝑎𝑟 𝑟𝑒𝑙𝑒𝑣𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑛𝑜 𝑝𝑟𝑜𝑔𝑟𝑎𝑚𝑎, 𝑒 𝑎𝑖𝑛𝑑𝑎 𝑏𝑒𝑚, 𝑒 𝑎𝑖𝑛𝑑𝑎 𝑐𝑜𝑚 𝑚𝑢𝑖𝑡𝑜 𝑎𝑐ê𝑟𝑡𝑜 𝑒 𝑎𝑝𝑙𝑎𝑢𝑠𝑜 𝑔𝑒𝑟𝑎𝑙. 𝑁ã𝑜 𝑝𝑜𝑑𝑒𝑚𝑜𝑠 𝑝𝑒𝑟𝑑𝑒𝑟 𝑛𝑒𝑛ℎ𝑢𝑚𝑎 𝑜𝑝𝑜𝑟𝑡𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑒 𝑖𝑚𝑝𝑟𝑖𝑚𝑖𝑟 𝑢𝑚 𝑡𝑒𝑛𝑎𝑧 𝑖𝑚𝑝𝑢𝑙𝑠𝑜 à 𝑠𝑢𝑎 𝑑𝑖𝑣𝑢𝑙𝑔𝑎çã𝑜 𝑒 𝑒𝑥𝑎𝑙𝑡𝑎𝑟 𝑜 𝑐𝑜𝑛ℎ𝑒𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑎𝑠 𝑠𝑢𝑎𝑠 𝑓𝑎𝑚𝑜𝑠𝑎𝑠 𝑎𝑐𝑡𝑖𝑣𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 𝑖𝑛𝑑𝑢𝑠𝑡𝑟𝑖𝑎𝑖𝑠 𝑞𝑢𝑒, 𝑒𝑚 𝑉𝑖𝑙𝑎 𝑑𝑜 𝐶𝑜𝑛𝑑𝑒, 𝑟𝑖𝑣𝑎𝑙𝑖𝑧𝑎𝑚 𝑒𝑚 𝑝𝑒𝑟𝑓𝑒𝑖çã𝑜, 𝑔𝑟𝑎𝑐𝑖𝑜𝑠𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑒 𝑓𝑜𝑟𝑚𝑜𝑠𝑢𝑟𝑎 𝑐𝑜𝑚 𝑜𝑠 𝑚𝑎𝑖𝑠 𝑎𝑑𝑚𝑖𝑟𝑎𝑑𝑜𝑠 𝑡𝑟𝑎𝑏𝑎𝑙ℎ𝑜𝑠 𝑒𝑠𝑡𝑟𝑎𝑛𝑔𝑒𝑖𝑟𝑜𝑠.

𝐴 𝑠𝑒𝑑𝑢çã𝑜 𝑑𝑒 𝑑𝑜𝑛𝑠 𝑎𝑟𝑡í𝑠𝑡𝑖𝑐𝑜𝑠 𝑑𝑜 𝑎𝑟𝑡𝑒𝑠𝑎𝑛𝑎𝑡𝑜 𝑑𝑜𝑚é𝑠𝑡𝑖𝑐𝑜 𝑑𝑎 𝑚𝑢𝑙ℎ𝑒𝑟 𝑝𝑜𝑟𝑡𝑢𝑔𝑢𝑒𝑠𝑎, 𝑝𝑎𝑙𝑝𝑖𝑡𝑎 𝑒 𝑣𝑖𝑏𝑟𝑎 𝑒𝑚 𝑟𝑎𝑠𝑔𝑜𝑠 𝑑𝑜 𝑚𝑎𝑖𝑠 𝑠𝑢𝑏𝑡𝑖𝑙 𝑡𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑛𝑎𝑠 𝑟𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑑𝑒 𝑉𝑖𝑙𝑎 𝑑𝑜 𝐶𝑜𝑛𝑑𝑒. 𝐼𝑠𝑡𝑜 𝑛ã𝑜 𝑑𝑒𝑣𝑒 𝑠𝑒𝑟 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑛ó𝑠, 𝑎𝑝𝑒𝑛𝑎𝑠, 𝑚𝑜𝑡𝑖𝑣𝑜 𝑑𝑒 𝑎𝑐𝑒𝑛𝑑𝑟𝑎𝑑𝑜 𝑜𝑟𝑔𝑢𝑙ℎ𝑜, 𝑚𝑎𝑠 𝑝𝑟𝑖𝑛𝑐𝑖𝑝𝑎𝑙𝑚𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑟𝑠𝑒𝑣𝑒𝑟𝑎𝑛ç𝑎 𝑛𝑎 𝑠𝑢𝑎 𝑝𝑟𝑜𝑝𝑎𝑔𝑎𝑛𝑑𝑎 𝑒 𝑑𝑒 𝑐𝑢𝑖𝑑𝑎𝑑𝑜 𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑒𝑠𝑠𝑒 𝑛𝑜 𝑠𝑒𝑢 𝑑𝑒𝑠𝑒𝑛𝑣𝑜𝑙𝑣𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜.

𝑃𝑜𝑟 𝑖𝑠𝑠𝑜, 𝑠𝑒 𝑎𝑝𝑙𝑎𝑢𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑙𝑜𝑟𝑜𝑠𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑎 𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑡𝑖𝑣𝑎 𝑞𝑢𝑒 𝑎 𝑖𝑛𝑐𝑙𝑢𝑖𝑢 𝑛𝑜 𝑝𝑟𝑜𝑔𝑟𝑎𝑚𝑎 𝑑𝑎𝑠 𝑓𝑒𝑠𝑡𝑎𝑠 𝑠𝑎𝑛𝑗𝑜𝑎𝑛𝑖𝑛𝑎𝑠 𝑑𝑒𝑠𝑡𝑒 𝑎𝑛𝑜, 𝑒 é 𝑝𝑟𝑜𝑐𝑒𝑑𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑎 𝑝𝑒𝑑𝑖𝑟 𝑞𝑢𝑒 𝑠𝑒 𝑝𝑟𝑜𝑠𝑠𝑖𝑔𝑎, 𝑒𝑚 𝑎𝑐çõ𝑒𝑠 𝑖𝑑ê𝑛𝑡𝑖𝑐𝑎𝑠 𝑑𝑒 𝑝𝑟𝑜𝑡𝑒𝑐çã𝑜 𝑒 𝑑𝑒 𝑒𝑠𝑡í𝑚𝑢𝑙𝑜.

𝑂 𝑐𝑒𝑟𝑡𝑎𝑚𝑒, 𝑞𝑢𝑒 𝑡𝑒𝑣𝑒 𝑐𝑎𝑟á𝑐𝑡𝑒𝑟 𝑝𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎𝑟, 𝑟𝑒𝑢𝑛𝑖𝑢 𝑎𝑙𝑔𝑢𝑚𝑎𝑠 𝑑𝑒𝑧𝑒𝑛𝑎𝑠 𝑑𝑒 𝑡𝑟𝑎𝑏𝑎𝑙ℎ𝑜𝑠 𝑑𝑜 𝑚𝑎𝑖𝑠 𝑓𝑖𝑛𝑜 𝑒 𝑟𝑒𝑞𝑢𝑖𝑛𝑡𝑎𝑑𝑜 𝑚𝑒𝑟𝑒𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑎𝑟𝑡í𝑠𝑡𝑖𝑐𝑜. 𝐿𝑒𝑣𝑒𝑠 𝑐𝑜𝑚𝑜 𝑒𝑠𝑝𝑢𝑚𝑎, 𝑏𝑟𝑎𝑛𝑐𝑎𝑠 𝑐𝑜𝑚𝑜 𝑜 𝑙𝑢𝑎𝑟, 𝑡𝑟𝑎𝑛𝑠𝑝𝑎𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 𝑐𝑜𝑚𝑜 𝑜 𝑐𝑟𝑖𝑠𝑡𝑎𝑙, 𝑎𝑠 𝑟𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑒𝑥𝑝𝑜𝑠𝑡𝑎𝑠 𝑑𝑖𝑟-𝑠𝑒-𝑖𝑎𝑚 𝑏𝑎𝑓𝑒𝑗𝑎𝑑𝑎𝑠 𝑝𝑒𝑙𝑜 𝑓𝑢𝑙𝑔𝑜𝑟 𝑖𝑟𝑟𝑒𝑠𝑖𝑠𝑡í𝑣𝑒𝑙 𝑑𝑒 𝑢𝑚 𝑚𝑖𝑙𝑎𝑔𝑟𝑒 𝑑𝑒 𝑒𝑥𝑒𝑐𝑢çã𝑜 𝑑𝑖𝑣𝑖𝑛𝑎!”

E recordamos os nomes das rendilheiras distinguidas com o 1º Prémio em cada categoria:

𝐏𝐚𝐧𝐨𝐬 - Maria da Assunção da Silva Agonia
𝐋𝐞𝐧ç𝐨𝐬 - Maria de Lurdes da Silva e Sá
𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚 𝐜𝐨𝐫𝐫𝐢𝐝𝐚 - Alzira Miranda da Fonte
𝐎𝐮𝐭𝐫𝐨𝐬 𝐭𝐫𝐚𝐛𝐚𝐥𝐡𝐨𝐬 - Albina da Silva Monteiro
𝐂𝐫𝐢𝐚𝐧ç𝐚𝐬 - Delfina Rosa Vieira da Silva (6 anos)

𝐄𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐛𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐞 𝐦𝐞𝐦ó𝐫𝐢𝐚𝐬: 𝐜𝐞𝐦 𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐝𝐨 𝐟𝐢𝐨 𝐝𝐞𝐢𝐱𝐚𝐝𝐨 𝐩𝐨𝐫 𝐑𝐮𝐢 𝐌𝐨𝐫𝐚𝐢𝐬 𝐕𝐚𝐳Rui Morais Vaz foi uma figura central na história das...
09/06/2026

𝐄𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐛𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐞 𝐦𝐞𝐦ó𝐫𝐢𝐚𝐬: 𝐜𝐞𝐦 𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐝𝐨 𝐟𝐢𝐨 𝐝𝐞𝐢𝐱𝐚𝐝𝐨 𝐩𝐨𝐫 𝐑𝐮𝐢 𝐌𝐨𝐫𝐚𝐢𝐬 𝐕𝐚𝐳

Rui Morais Vaz foi uma figura central na história das Rendas de Bilros de Vila do Conde, sobretudo no século XX, estando ligado ao ensino, à renovação estética e à valorização desta arte tradicional.

Após a criação da Escola de Rendas de Vila do Conde em 1919, instituição fundamental para melhorar a qualidade técnica e artística das rendas, Rui Morais Vaz assumiu a direção da escola em 1926, sucedendo a António Pinto Bravo. A sua atuação enquanto diretor revelou-se decisiva para a evolução desta tradição artesanal.

A importância de Rui Morais Vaz pode ser compreendida em vários níveis. Em primeiro lugar, destacou-se pelo seu empenho na requalificação das rendas de bilros, numa época em que esta atividade enfrentava problemas de qualidade, sobretudo ao nível do desenho. Preocupado com essa fragilidade, procurou estudar as rendas antigas e, a partir delas, desenvolver novos padrões e modelos. Estes novos desenhos, baseados na tradição, mas adaptados a critérios mais exigentes de gosto e execução, contribuíram para revitalizar a produção local.

Em segundo lugar, Rui Morais Vaz teve um papel essencial na introdução de uma abordagem mais consciente e artística ao ensino das rendas. Defendia que não bastava repetir modelos antigos, mas sim evoluir a tradição, aperfeiçoando técnicas, valorizando o uso de materiais adequados (como o linho) e enriquecendo os pontos e motivos decorativos. Essa visão está bem expressa no catálogo da exposição de 1927, onde sublinha a necessidade de “continuar e não repetir a tradição”. (realizada no Clube 1.º de Dezembro, em Vila do Conde, esta exposição foi organizada pela Escola de Rendeiras de Vila do Conde, já sob a direção de Rui Morais Vaz, com a cooperação das oficinas Leopoldina Leal e Flores Torres).

Por fim, a sua ação contribuiu para afirmar a escola como um centro de inovação e qualidade, ajudando a preservar as rendas de bilros num período em que esta arte enfrentava ameaças como a concorrência industrial e a perda de rigor técnico. Ao articular tradição e renovação, Rui Morais Vaz desempenhou um papel determinante na valorização cultural e artística das rendas de Vila do Conde.

Rui Morais Vaz foi mais do que um diretor: foi um agente de transformação que, através do ensino e da criação artística, ajudou a garantir a continuidade e o prestígio das rendas de bilros, reforçando a sua identidade como património cultural imaterial.

📸 AMVC

👉 𝐓𝐞𝐦 𝐟𝐨𝐭𝐨𝐠𝐫𝐚𝐟𝐢𝐚𝐬 𝐚𝐧𝐭𝐢𝐠𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐨𝐮 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐢𝐥𝐡𝐞𝐢𝐫𝐚𝐬?
Estamos a promover a 𝐫𝐞𝐜𝐨𝐥𝐡𝐚 𝐝𝐞 𝐟𝐨𝐭𝐨𝐠𝐫𝐚𝐟𝐢𝐚𝐬 𝐞 𝐝𝐨𝐜𝐮𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐚𝐧𝐭𝐢𝐠𝐨𝐬 relacionados com as rendilheiras e com a produção das Rendas de Bilros de Vila do Conde, apelando à participação de todos os que detenham este tipo de espólio.

A iniciativa tem como objetivo recolher, preservar e valorizar a memória visual de uma das tradições mais representativas do património cultural do concelho. O material reunido irá integrar um arquivo histórico, destinado ao estudo, divulgação e salvaguarda desta arte secular.

Saiba como participar aqui: https://tinyurl.com/yc2db6tk

Ação desenvolvida no âmbito da Operação NORTE2030-FEDER-02905000 – “Inclusão da Renda de Bilros de Vila do Conde no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI)”, promovida pela Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde, com o apoio da Câmara Municipal, e cofinanciada pelo Programa NORTE 2030.

03/06/2026

𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐧𝐨 𝐌𝐞𝐫𝐜𝐚𝐝𝐨 𝐝𝐨 𝐏𝐚𝐭𝐫𝐢𝐦ó𝐧𝐢𝐨 𝐂𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚𝐥 𝐈𝐦𝐚𝐭𝐞𝐫𝐢𝐚𝐥
A participação no evento de Estremoz assume, este ano, uma relevância particular, numa altura em que se encontra em curso o processo de inscrição das Rendas de Bilros de Vila do Conde no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

A inscrição no INPCI constitui um passo determinante para garantir a proteção, documentação e transmissão desta tradição, mas também para abrir caminho a uma ambição maior: a futura candidatura das Rendas de Bilros de Vila do Conde à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, objetivo já assumido pela ADAPVC no âmbito deste processo.

O Mercado do Património Cultural Imaterial, a decorrer em Estremoz de 5 a 7 junho, esteve em destaque no Programa Praça da Alegria, contando com a presença da rendilheira 𝐀𝐥𝐢𝐜𝐞 𝐕𝐞𝐢𝐠𝐚, em representação das Rendas de Bilros de Vila do Conde.

Saber mais: https://shorturl.at/qqvFr

𝟏𝟒𝟓 𝐀𝐧𝐨𝐬 𝐝𝐚 𝐈 𝐄𝐱𝐩𝐨𝐬𝐢çã𝐨-𝐁𝐚𝐳𝐚𝐫 𝐝𝐞 𝐁𝐞𝐥𝐚𝐬-𝐀𝐫𝐭𝐞𝐬Em 1881, o Palácio de Cristal do Porto acolheu a I Exposição-Bazar de Belas-...
02/06/2026

𝟏𝟒𝟓 𝐀𝐧𝐨𝐬 𝐝𝐚 𝐈 𝐄𝐱𝐩𝐨𝐬𝐢çã𝐨-𝐁𝐚𝐳𝐚𝐫 𝐝𝐞 𝐁𝐞𝐥𝐚𝐬-𝐀𝐫𝐭𝐞𝐬
Em 1881, o Palácio de Cristal do Porto acolheu a I Exposição-Bazar de Belas-Artes, promovida pelo Centro Artístico Portuense, associação fundada em 1880 por artistas, intelectuais e beneméritos empenhados em renovar o ensino artístico, aproximar as belas-artes das artes industriais e educar o gosto do público.

Presidido por António Soares dos Reis, com a participação de figuras como João Marques de Oliveira e Joaquim de Vasconcelos, o Centro procurava criar um espaço de ensino livre, debate, exposição e valorização da arte moderna e do património artístico português. A exposição de 1881 foi uma das suas iniciativas mais significativas, reunindo pintura, escultura, objetos de coleção, artes decorativas e produções industriais, num modelo que articulava cultura, pedagogia, sociabilidade e mercado.

A presença das 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐁𝐢𝐥𝐫𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐕𝐢𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐝𝐞 na exposição ficou ligada sobretudo a Joaquim de Vasconcelos, historiador de arte, crítico, museólogo, professor e grande defensor das artes industriais e das chamadas indústrias caseiras. Para Vasconcelos, a arte não se limitava às belas-artes tradicionais: incluía também os saberes manuais, os ofícios e os produtos artesanais que exprimiam a identidade e a criatividade do povo português.

Na secção dedicada à Indústria Têxtil, o catálogo da exposição identifica Joaquim de Vasconcelos como o único expositor de rendas, apresentando uma coleção de estampas, modelos, bordados e rendas, incluindo de Vila do Conde.

A presença das rendas vilacondenses neste evento representou a entrada de um saber-fazer tradicional, feminino e doméstico num espaço público de prestígio, associado ao ensino artístico, à crítica, ao colecionismo e à valorização patrimonial.

Produzidas maioritariamente por mulheres, muitas vezes desde a infância, as rendas de bilros eram simultaneamente trabalho de subsistência, herança técnica transmitida de geração em geração e expressão de grande complexidade ornamental. Ao serem apresentadas como padrões dignos de observação e estudo, deixavam temporariamente o circuito da almofada, da casa e do comércio local para serem reconhecidas como objetos de arte aplicada, documentos de cultura material e testemunhos de identidade regional.

Joaquim de Vasconcelos teve um papel decisivo nesta valorização. Nascido no Porto em 1849, foi uma das figuras mais influentes da cultura portuguesa de finais do século XIX. Ligado à Sociedade de Instrução do Porto, ao Centro Artístico Portuense e ao futuro Museu Industrial e Comercial do Porto, defendia que os museus e as exposições deviam funcionar como instrumentos de ensino, capazes de formar artistas, operários, industriais, comerciantes e consumidores.

Para ele, as rendas, os bordados, a cerâmica, a ourivesaria ou a tecelagem não eram produções menores, mas manifestações de saber técnico e artístico que importava preservar, estudar e renovar.

A sua preocupação tinha também uma dimensão social. Vasconcelos mostrou-se atento às difíceis condições de vida das rendilheiras, criticando os baixos preços pagos pelo seu trabalho, os custos suportados pelas próprias artesãs e a dependência de intermediários. Ao referir-se ao percurso da renda desde o desenho e o pique até à venda final, descreveu uma realidade marcada pela precariedade, em que a obra era muitas vezes vendida “ao desbarato”.

Esta consciência torna a sua intervenção particularmente importante: ao expor as rendas de Vila do Conde, Vasconcelos não apenas lhes conferia visibilidade estética, mas chamava também a atenção para o valor humano, económico e social do trabalho feminino que lhes dava origem.

A presença das rendas de Vila do Conde na I Exposição-Bazar de Belas-Artes deve ainda ser lida numa sequência mais ampla de participação das rendas portuguesas em exposições nacionais e internacionais.

Vila do Conde esteve representada em certames como a Exposição Nacional de Lisboa de 1863, a Exposição Industrial Portuguesa de 1865, a Exposição de Paris de 1867 e, mais tarde, a Exposição Universal de Paris de 1889, onde Joaquim de Vasconcelos expôs rendas e entremeios de Vila do Conde.

📸 INCM

No 𝐃𝐢𝐚 𝐍𝐚𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐥 𝐝𝐨 𝐏𝐞𝐬𝐜𝐚𝐝𝐨𝐫, que hoje se assinala, evocamos a ligação profunda entre o mar e a arte das Rendas de Bilros...
31/05/2026

No 𝐃𝐢𝐚 𝐍𝐚𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐥 𝐝𝐨 𝐏𝐞𝐬𝐜𝐚𝐝𝐨𝐫, que hoje se assinala, evocamos a ligação profunda entre o mar e a arte das Rendas de Bilros, duas expressões identitárias que, ao longo de gerações, moldaram a vida da comunidade costeira de Vila do Conde.

Em 2017, essa ligação ganhou uma nova dimensão através de um projeto que reinventou a tradição: redes de pesca inutilizadas passaram a substituir o fio de algodão na criação de rendas de bilros, transformando materiais ligados ao quotidiano dos pescadores em peças de expressão artística e patrimonial.

Mais do que um exercício criativo, esta iniciativa simbolizou o encontro entre duas heranças ancestrais: o trabalho árduo da pesca e a delicadeza das mãos rendilheiras. Entre redes e bilros, cruzaram-se memórias, saberes e vidas que continuam a definir a identidade das comunidades marítimas.

Prestamos homenagem a todos os pescadores e rendilheiras que mantêm viva esta cultura feita de resistência, tradição e ligação ao oceano. Porque há fios que unem histórias, pessoas e património.

29/05/2026

𝐄𝐱𝐩𝐨𝐬𝐢çã𝐨/𝐕𝐞𝐧𝐝𝐚 '𝐎 𝐀𝐫𝐭𝐞𝐬𝐚𝐧𝐚𝐭𝐨 𝐞 𝐨𝐬 𝐒𝐚𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐏𝐨𝐩𝐮𝐥𝐚𝐫𝐞𝐬'
De 30 maio a 30 junho, no Auditório Municipal de Vila do Conde
Loja online em www.santosemcasa.com

👉 Exposição/Venda 𝐎 𝐀𝐫𝐭𝐞𝐬𝐚𝐧𝐚𝐭𝐨 𝐞 𝐨𝐬 𝐒𝐚𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐏𝐨𝐩𝐮𝐥𝐚𝐫𝐞𝐬, no Auditório Municipal de Vila do Conde | De 30 maio a 30 junho | ...
27/05/2026

👉 Exposição/Venda 𝐎 𝐀𝐫𝐭𝐞𝐬𝐚𝐧𝐚𝐭𝐨 𝐞 𝐨𝐬 𝐒𝐚𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐏𝐨𝐩𝐮𝐥𝐚𝐫𝐞𝐬, no Auditório Municipal de Vila do Conde | De 30 maio a 30 junho | Entrada livre

Integrada nas Festas em honra de São João, Santo Padroeiro de Vila do Conde, a exposição reúne dezenas de artesãos nacionais, proporcionando ao público uma mostra diversificada de peças alusivas a Santo António, São João e São Pedro, onde coexistem tradição, criatividade e contemporaneidade.

Já na sua 7ª edição, esta iniciativa pretende destacar a riqueza do artesanato português enquanto património cultural identitário, valorizando técnicas ancestrais, saberes transmitidos entre gerações e o trabalho manual dos artesãos, elementos fundamentais para a preservação das tradições populares portuguesas.

☑️ Loja online em www.santosemcasa.com

24/05/2026

A 24 de maio de 1749, D. João V promulgava uma das mais marcantes leis sumptuárias do regime monárquico português: a 𝐏𝐫𝐚𝐠𝐦á𝐭𝐢𝐜𝐚 𝐝𝐞 𝟏𝟕𝟒𝟗.

Publicada num contexto de dificuldades económicas resultantes do declínio do ouro brasileiro e da necessidade de conter os excessos de luxo da corte, esta legislação procurava impor maior sobriedade nos costumes, no vestuário e nos objetos de ostentação. Entre as várias proibições decretadas, encontrava-se o uso de rendas de qualquer qualidade em adornos pessoais, medida que atingiu profundamente os principais centros rendeiros do país, entre eles Vila do Conde.

A decisão régia representou um duro golpe para a produção das Rendas de Bilros, atividade que constituía já um importante sustento económico para muitas famílias vilacondenses. A procura diminuiu drasticamente e centenas de rendilheiras viram ameaçada a continuidade do seu trabalho, num território onde a tradição rendeira fazia já parte da identidade local.

Perante a gravidade da situação, a Câmara de Vila do Conde articulou esforços com outras localidades do norte do país, procurando sensibilizar a Coroa para os prejuízos causados pela nova legislação. Neste contexto destacou-se Joana Maria de Jesus, rendilheira vilacondense que assumiu um papel decisivo na defesa das rendeiras portuguesas. Em representação das mulheres rendilheiras do Norte, deslocou-se à Corte para expor ao rei os impactos económicos e sociais da proibição.

A ação de Joana Maria de Jesus tornou-se um dos episódios mais simbólicos da história das Rendas de Bilros de Vila do Conde. Graças à contestação levantada, D. João V acabaria por suavizar parcialmente as restrições através de um Alvará Régio publicado a 19 de setembro de 1749, autorizando novamente o uso de rendas portuguesas em peças de uso doméstico, como lençóis, toalhas e outros têxteis para a casa, embora se mantivesse a proibição no vestuário pessoal.

Ao assinalar esta efeméride, recordamos a capacidade de resistência e mobilização de uma comunidade que soube defender o seu saber-fazer perante a adversidade.

Quase três séculos depois, as Rendas de Bilros continuam a afirmar-se como um dos mais importantes símbolos patrimoniais e culturais de Vila do Conde, testemunho vivo da perseverança das suas rendilheiras e da memória de figuras como Joana Maria de Jesus.


Ação de divulgação desenvolvida no âmbito da Operação NORTE2030-FEDER-02905000 – “Inclusão da Renda de Bilros de Vila do Conde no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI)”, promovida pela Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde, com o apoio da Câmara Municipal, e cofinanciada pelo Programa NORTE 2030.

20/05/2026

𝐀 𝐑𝐞𝐧𝐝𝐢𝐥𝐡𝐚𝐝𝐚 𝐓𝐫𝐚𝐝𝐢çã𝐨 𝐝𝐞 𝐕𝐢𝐥𝐚 𝐝𝐨 𝐂𝐨𝐧𝐝𝐞 𝐧𝐚 𝐀𝐫𝐪𝐮𝐢𝐭𝐞𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐝𝐚 𝐋𝟑𝟓
A nova fachada do Vila do Conde Porto Fashion Outlet estabelece uma ligação simbólica e estética às tradicionais Rendas de Bilros de Vila do Conde, um dos mais reconhecidos patrimónios artesanais da região e expressão profundamente enraizada na memória coletiva da comunidade.

O projeto de expansão foi concebido pelo atelier L35 Architects, responsável pela criação de uma linguagem arquitetónica contemporânea inspirada nos elementos identitários locais.

Fundado em Barcelona, o atelier L35 Architects construiu, ao longo de várias décadas, uma sólida reputação internacional nas áreas da arquitetura, urbanismo e design, distinguindo-se particularmente pelos seus projetos de comércio, lazer, hotelaria e grandes equipamentos urbanos. Com escritórios em cidades como Barcelona, Madrid, Paris, Milão, Miami, Cidade do México, Bogotá e Istambul, o atelier desenvolve uma abordagem multidisciplinar que combina inovação arquitetónica, sustentabilidade e forte ligação ao contexto cultural de cada território.

No seu vasto portfólio internacional destacam-se centros comerciais, outlets, hotéis, espaços públicos e projetos de regeneração urbana desenvolvidos em vários países da Europa, Médio Oriente e América Latina. A arquitetura do atelier caracteriza-se pela luminosidade, pela fluidez espacial, pela integração paisagística e pela utilização de materiais e elementos inspirados nas culturas locais.

É precisamente essa preocupação com a identidade local que se evidencia no projeto de expansão do Vila do Conde Porto Fashion Outlet, concebido pela L35 Architects para a VIA Outlets. A intervenção, inaugurada no final de 2025, reforçou a dimensão comercial do complexo com novas lojas, restaurantes e áreas de circulação, mas procurou também criar uma arquitetura profundamente ligada à cultura e à memória de Vila do Conde.

A nova fachada do outlet assume-se como uma homenagem contemporânea às tradicionais Rendas de Bilros, uma das expressões artesanais mais emblemáticas da comunidade vilacondense. Inspirando-se nos delicados padrões geométricos e florais das rendas produzidas manualmente pelas rendilheiras locais, a L35 reinterpretou os desenhos tradicionais através de superfícies perfuradas, ritmos modulares e jogos de transparência que recriam visualmente o efeito rendilhado típico deste património artesanal.

Os motivos utilizados remetem para composições de “malha aberta”, estruturas em losango e elementos florais estilizados presentes nas rendas tradicionais de Vila do Conde, especialmente nas peças de enxoval e painéis decorativos produzidos ao longo dos séculos XIX e XX. A fachada transforma assim um elemento identitário da cultura local numa linguagem arquitetónica contemporânea, onde a luz natural e as sombras projetadas ao longo do dia evocam a delicadeza e a minúcia do trabalho manual das rendilheiras.

Mais do que um exercício estético, esta abordagem reflete a filosofia da L35 Architects: criar espaços capazes de dialogar com o território, incorporando referências culturais e sociais na arquitetura contemporânea.

No caso do Vila do Conde Porto Fashion Outlet, a expansão representa crescimento físico e económico do projeto comercial, mas também um reconhecimento da identidade cultural vilacondense, aproximando tradição, design e experiência urbana num mesmo espaço arquitetónico, materializado numa fachada que homenageia uma das expressões mais emblemáticas do concelho: as Rendas de Bilros.

Endereço

Praça Luís De Camões, 31/2º Dto
Vila Do Conde
4480-719

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 09:00 - 18:00
Terça-feira 09:00 - 18:00
Quarta-feira 09:00 - 18:00
Quinta-feira 09:00 - 18:00
Sexta-feira 09:00 - 17:00

Telefone

+351927812282

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