29/05/2015
A lombalgia ocupacional apresenta etiologia multifatorial, elevada prevalência e incidência. Sendo caracterizada por um quadro de dor de variada duração e intensidade, a dor lombar pode levar à incapacidade laboral e à invalidez, acarretando sofrimento aos trabalhadores, custos às empresas, decorrentes da perda de produtividade, dos dias não trabalhados, e ao sistema de saúde.
A dor lombar é causa frequente de morbilidade e incapacidade, uma vez que é a maior causa isolada de transtorno de saúde relacionado com o trabalho, assim como a causa mais comum de incapacidade em trabalhadores com menos de 45 anos de idade. Atinge sobretudo adultos jovens e é responsável por aproximadamente 1/4 dos casos de invalidez prematura. Acomete a população economicamente ativa, pelo que assume um importante impacto social e económico.
A Classif**ação Internacional de Comprometimentos, Incapacidades e Deficiências da Organização Mundial de Saúde reconhece a lombalgia como um comprometimento que revela perda ou anormalidade da estrutura da coluna lombar de etiologia psicológica, fisiológica ou anatómica ou, ainda, uma deficiência que traduz uma desvantagem que limita ou impede o desempenho pleno de atividades físicas. Ainda sob a perspectiva dessa classif**ação, a lombalgia pode evidenciar síndromes de uso excessivo, compressivas ou posturais, relacionadas a desequilíbrios musculares, fraqueza muscular, diminuição na amplitude ou na coordenação de movimentos, aumento de fadiga e instabilidade do tronco.
Os fatores de risco profissionais mais identif**ados envolvem as movimentações e as posturas incorretas decorrentes das inadequações do ambiente de trabalho, das condições de funcionamento dos equipamentos disponíveis, bem como das formas de organização e de execução do trabalho.
Os fatores causais mais diretamente relacionados com as lombalgias ocupacionais são os mecânicos, os posturais, os traumáticos e os psicossociais. A idade, a postura e a fadiga no trabalho são consideradas como fatores contribuintes para a elevada percentagem de recidiva da lombalgia. O trabalho sentado por longas horas, o trabalho pesado, o levantamento de peso, a falta de exercícios físicos e os problemas psicológicos representam alguns dos principais fatores que contribuem para a cronicidade da dor lombar. Queixas frequentes de dor na coluna lombar estão associadas à tensão da musculatura paravertebral decorrente de posturas incómodas e da degeneração precoce dos discos intervertebrais pelo excesso de esforço físico.
A prevenção da lombalgia ocupacional envolve medidas físicas, organizacionais e cognitivas. As medidas físicas devem abordar a biomecânica, a postura no trabalho, o manuseamento de materiais e cargas, os movimentos repetitivos, o projeto do posto de trabalho, a segurança e a saúde ocupacional. A prevenção organizacional deve enfocar as comunicações, a gestão de recursos, o projeto de trabalho, a organização temporal do trabalho, o trabalho em grupo, o trabalho cooperativo, a cultura organizacional, as organizações em rede, o teletrabalho e a gestão da qualidade. Compete à parte cognitiva estudar os processos psicológicos, a carga mental de trabalho, a tomada de decisão, o desempenho especializado, a interação do homem com a máquina, e o stress. Assim, os fatores psicossociais contributivos para o surgimento da lombalgia ocupacional poderão ser prevenidos, entre eles a insatisfação com o trabalho, o trabalho monótono, o desgaste provocado pela sobrecarga de trabalho, pela falta de autonomia e pela competição com colegas.
O tratamento da lombalgia ocupacional passa sobretudo pela eliminação dos fatores de risco, o uso de terapêutica (por prescrição médica), a fisioterapia/actividade física e a reeducação dos colaboradores nomeadamente relacionada com posturas corporais, protecção no transporte de cargas.
Elaborado por Enf.ª Nicole Amendoeira