04/09/2026
Há dias em que chego ao fim do dia, olho para tudo o que fiz e, em vez de pensar “foi um dia produtivo”, penso naquilo que ficou por fazer.
Posso ter respondido a clientes, resolvido problemas, tomado decisões, tratado da empresa, da casa e dos miúdos. Mas basta haver emails por responder ou tarefas que passam para amanhã para aparecer aquela sensação de que devia ter conseguido fazer mais.
E conheço bem o mecanismo por trás disto. Durante muitos anos habituei-me a exigir muito de mim. Ser uma boa profissional significava cumprir, resolver, estar disponível e não deixar pontas soltas.
O problema é que, quando tens uma empresa, a lista nunca acaba.
Há sempre mais um email para responder, uma decisão para tomar, uma ideia para desenvolver, alguma coisa que podia ficar adiantada. Por isso, se eu continuar a usar “não ter nada por fazer” como medida para decidir se trabalhei o suficiente, vou perder sempre.
Tenho tentado mudar essa medida.
Um dia de trabalho não precisa de acabar com tudo feito para ter sido um bom dia. Algumas coisas podem ficar para amanhã sem que isso diga nada sobre a minha competência, o meu compromisso ou a minha ambição.
Talvez uma das partes mais difíceis de construir um negócio seja esta: perceber que a nossa exigência pode ajudar-nos a chegar muito longe, mas também pode criar uma meta que se afasta sempre que nos aproximamos.
E eu não quero passar os meus dias a desvalorizar tudo aquilo que fiz por causa daquilo que ainda falta fazer.
Quando chegas ao fim de um dia cheio, consegues reconhecer o que fizeste ou a tua cabeça vai imediatamente para o que ficou por fazer?