Memória da Cidade - Recordar é Viver - Textos de Ontem, Lições de Hoje

Memória da Cidade - Recordar é Viver - Textos de Ontem, Lições de Hoje Associou-se também a esta iniciativa o coleccionador /investigador Ricardo Ferreira (CUF). Renato Alberto Covas
Vítor Cardoso

11/07/2021

Cidade do Barreiro - É a perspectiva estimulante de acesso universal e democrático ao nosso património cultural através de uma versão totalmente digitalizada e pesquisável de documentos, o propósito que anima esta parceria. Memória da Cidade – Recordar é Viver
Textos de Ontem, Lições de Hoje

Esta página decorre de uma parceria /projecto em tempos de Pandemia entre Renato Alberto Covas e o Jornal

ista Vítor Cardoso, decano da Informação Barreirense. No início de Março de 2020, deslocámo-nos à residência do Senhor Vítor Cardoso. Conversámos sobre uma série de documentos que estavam prontos para serem doados ao Arquivo Municipal. Resulta dessa conversa que, este grupo de documentos e outros posteriores, seriam primeiramente digitalizados e classificados. Deste conjunto de documentos e periódicos, destacamos 250 páginas do Jornal do Barreiro (1995 a 2006) coordenadas por Vítor Cardoso: Interlúdio (incluí Guia Gastronómico de Maria Olga Costa Mano); e diversas de jornais regionais onde Vítor Cardoso escrevia, coordenava: Douro e Neve, Jornal do Algarve, O Desforço, “O Setubalense” e Voz de Palmela, e milhares de Recortes de Jornais com Notícias sobre os mais diversos temas: Barreiro, Cultura, Cinema, Opinião, Nacionais, Internacionais, Gatos, OVNI ’s, Curiosidades, etc. Incluiu-se ainda, na digitalização, um conjunto numeroso de documentação (8 pastas de arquivo em papel) sobre assuntos ligados à Cultura e ao Barreiro. Ainda no mês de Março, uma amiga, Rosário Vaz, conhecedora do projecto que desenvolvemos, entregou-nos uma remessa de recortes e páginas de periódicos do Barreiro: Jornal do Barreiro, Voz do Barreiro, Notícias do Barreiro e Margem Sul; referentes ao período 2007 a 2011. Os recortes e as páginas estavam organizados por Assuntos e Colunas de Opinião:

Posições Políticas da C.M.B. / Arco Ribeirinho Sul / Mudanças no Barreiro

Posições sobre o Barreiro Velho / Zona Histórica do Barreiro / Diagnóstico Social no Barreiro

Silveira Lopes / Opinião / Tribuna da Assembleia / Palavras Soltas / Uma Ideia para o Barreiro

Grandes Investimentos Públicos / Olhar sobre as Freguesias do Barreiro / A Oposição no Barreiro

Do dia 20 de Março de 2020 em diante, decidimos comprar diariamente o jornal “O Setubalense” e digitalizar todas as páginas onde surgem notícias com referências ao Barreiro. “O Setubalense” é o único Diário regional com edição em formato papel - a edição de Quarta-feira é dedicada, em grande parte, ao Concelho do Barreiro. Recebemos também, após conversarmos sobre o projecto “Memória da Cidade”, de um amigo de infância, João Manuel Martins da Cruz, co-proprietário de A Tasca da Galega e co-fundador do Barreiro Rocks, da Hey, Pachuco - Associação Cultural! e das bandas de Rock & Roll: The Sullens, The Act-Ups, The Ballyhoos e Thee O.B.'s; duas remessas, da sua magnífica colecção particular, de periódicos (completos), folhetos, programas, bilhetes, etc. alusivos aos eventos relacionados com as entidades e as bandas supracitadas. Ao prazer que nutrimos pelos jornais, adicionamos o interesse que temos pela informática, em particular, tudo o que envolve a construção de Web Sites, Base de Dados e Programação. Em resultado desta união de interesses, procedemos a pesquisa documental com o objectivo de tentar determinar entidades e sistemas de tratamento de documentação, bem como formas de disponibilização da mesma a interessados, sejam meros curiosos ou académicos. Da análise que fizemos das fontes existentes e construída uma solução informática, utilizámos espécies documentais dos acervos supracitados, a fim de a testarmos. Pelo facto de termos contacto pessoal com muitos barreirenses interessados na história e cultura da cidade, alguns possuidores de acervos documentais que foram coleccionando e tendo também por base conversas havidas, onde esta noção de que é importante recolher, preservar, mas sobretudo, difundir esse património, tem sido partilhada, surge a ideia de projectar para o Barreiro, um arquivo digital online, para consulta e difusão pública de documentos, dos quais se destacariam não só periódicos, mas toda uma série de outros documentos primários e secundários, como fotografias, relatórios, folhetos, brochuras diversas etc. ou, ainda outros, de qualquer natureza, com interesse para a história social do concelho do Barreiro. Ou seja, este projecto não se destina apenas à preservação de documentos em diferente suporte, mas essencialmente à sua divulgação e valorização. O que está em causa neste empreendimento que apresentamos, são duas soluções diferentes de arquivo: um arquivo “histórico” propriamente dito, prévio à existência de internet e a constituir-se a partir de acervos físicos, com destaque para as colecções de periódicos de fundo local, raridades bibliográficas, fotografias, etc.; e um arquivo de gestão de materiais publicados na internet, incluindo websites, blogs, redes sociais ou documentos como ficheiros de imagem, vídeo e/ou áudio, relacionados com o concelho do Barreiro.

É a perspectiva estimulante de acesso universal e democrático ao nosso património cultural através de uma versão totalmente digitalizada e pesquisável de documentos, o propósito que anima esta parceria. A omnipresença dos media digitais nas nossas vidas - uma difusão que só aumentará nos próximos anos - torna esta mensagem ainda mais importante. Acreditamos que seria um grave erro ceder esse novo meio aos interesses comerciais ou aos “técnicos”. Certamente, uma ampla gama de cidadãos, sejam professores ou alunos, públicos ou académicos, profissionais ou amadores – precisam de fazer ouvir as suas vozes na web. Todos nós temos a responsabilidade de garantir que a nova história digital seja uma história democrática, que reflicta muitas vozes diferentes do passado e do presente, que incentive todos a participarem da escrita de suas próprias histórias e que alcance diversos e múltiplos públicos no presente e no futuro.

Agradecimento e missa 7º diaA família do Sr. Vítor Manuel Correia Cardoso, na impossibilidade de o fazer individualmente...
07/12/2022

Agradecimento e missa 7º dia

A família do Sr. Vítor Manuel Correia Cardoso, na impossibilidade de o fazer individualmente, agradece a todas as pessoas que participaram nas cerimónias fúnebres do seu saudoso ente querido, ou que de qualquer outra forma manifestaram o seu pesar.

Participa que será celebrada missa de 7º dia em sufrágio de sua alma, na Sexta-feira, dia 9 de Dezembro pelas 18:00 horas na Igreja de Nossa Senhora do Rosário no Barreiro.

Antecipadamente agradece a todos quantos com a sua presença se dignem a assistir a este acto religioso.

A Sr.ª D. Maria Lurdes Pacheco Cardoso, esposa do Sr. Vítor Cardoso, na impossibilidade de o fazer pessoalmente, express...
04/12/2022

A Sr.ª D. Maria Lurdes Pacheco Cardoso, esposa do Sr. Vítor Cardoso, na impossibilidade de o fazer pessoalmente, expressa o seu mais profundo agradecimento a todos aqueles que transmitiram as suas condolências pelo falecimento do seu marido.

Informa que o funeral realizar-se-á na Terça-feira, dia 6 de Dezembro de 2022, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário no Barreiro pelas 10 horas, onde será realizada missa de corpo presente pelas 11.30 horas, prosseguindo o funeral para o crematório da Quinta do Conde às 14:00 horas, com chegada prevista pelas 15:00 horas.

Uma notícia muito triste e é com sentida emoção que a venho transmitir.O protagonista desta página, o meu Rico Amigo e J...
03/12/2022

Uma notícia muito triste e é com sentida emoção que a venho transmitir.

O protagonista desta página, o meu Rico Amigo e Jornalista Vítor Cardoso, o "Mestre da Notícia de nos dar-a-ver o CINEMA, Mestre da AMIZADE", faleceu hoje à tarde no Hospital Nossa Senhora do Rosário no Barreiro.

- Foram 66 anos ininterruptos ao Serviço do Jornalismo Português!

Nascido em Setúbal mas residente no Barreiro Vítor Cardoso completava 67 anos de jornalismo no próximo dia 10 de Dezembro.

Redactor do Jornal do Barreiro, correspondente no Barreiro das agências de Notícias de Portugal e Agência Lusa, do Século, O Setubalense, A Voz de Palmela, Notícias de Setúbal, teve colaboração contínua de cinema, teatro, ópera e literatura em vários órgãos da comunicação social.

Foi sócio-fundador e dirigente do Cine Clube do Barreiro, elemento dos Júris dos Festivais Internacionais de Cinema do Grupo Desportivo da CUF, dos Concursos de Fotografia da Junta de Freguesia do Barreiro e de concursos literários.

Fez colóquios e participou em aulas de jornalismo em diversos estabelecimentos de ensino.

- O Jornalista Vítor Manuel Correia Cardoso deixa à comunidade um legado de Serviço Público e uma Obra Incomensurável!

- A nossa vénia a um grande Homem do Jornalismo e ao Exemplar Cidadão!

- Muito Obrigado Senhor Vítor Cardoso!

- Até sempre!

Renato Alberto Covas

CINEMA GINÁSIO PROGRAMA DO MÊS DE AGOSTO ÉPOCA 1964-1965 TELEFONE 227 38 11BARREIRONa CINE ESPLANADA LUSOQuando o Divórc...
23/09/2022

CINEMA GINÁSIO

PROGRAMA DO MÊS DE AGOSTO

ÉPOCA 1964-1965

TELEFONE 227 38 11

BARREIRO

Na CINE ESPLANADA LUSO

Quando o Divórcio Bate à Porta
90 Noites e 1 Dia
Ursus, o Invencível
MUROS NEGROS
A História de um Grande Amor
Amor sem Barreiras
HOMENS CONDENADOS
Franziska, a Ruiva
Pijama Para Dois
Revak, o Rebelde
Escravos do Império
Noites de Casablanca
007 Ordem Para Matar
O PRÉMIO
Os Mosqueteiros do Mar

Chamamos desde já a vossa atenção para algumas películas que contamos apresentar no próximo mês de SETEMBRO, na ESPLANADA LUSO:

Gigantes em Fúria
Zorro na Corte de Espanha
Esquadrilha Heróica
Um Punhado de Heróis
A Ilha do Arturo
La Rocca
Dançando ao Sol
Califórnia
Etc., Etc.

Os nossos preços são os seguintes
(Incluindo todos os Impostos):

Camarotes com 8 lugares ……. 48$00

1.ª Plateia ………………………………. 4$50

2.ª Plateia ………………………………. 3$50

As bilheteiras abrem todos os dias em que há espectáculos (Sábados, Domingos, 3.ª feiras e 5.ª feiras), às 19,30 horas.

Os filmes anunciados neste programa mensal podem por motivo imprevisto de força maior, sofrer alteração na sala indicada para a sua exibição.

Por motivo dos Festejos em honra de N. S.ª do Rosário não se realizam os espectáculos nos dias 14, 15 e 17 do corrente.

Cortesia de Vítor Cardoso

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Nota:

Artes e Letras - Jornalismo de Vítor Cardoso
Memória da Cidade - Recordar é Viver - Textos de Ontem, Lições de Hoje

Por motivos profissionais não me é possível continuar com as publicações com a mesma assiduidade de antes

Renato Alberto Covas

1865 – 1965100 ANOS AO SERVIÇO DO PAÍS«O QUE TIVEMOS DE LUTAR... FOI MUITO, NÃO É OCASIÃO PARA SE ENUMERAR. CONSEGUIU-SE...
05/08/2022

1865 – 1965

100
ANOS AO
SERVIÇO DO PAÍS

«O QUE TIVEMOS DE LUTAR...
FOI MUITO, NÃO É OCASIÃO
PARA SE ENUMERAR.
CONSEGUIU-SE. É O PRINCIPAL.»

Alfredo da Silva
1871 - 1942

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«...suceda o que suceder, algo de grande, de nobre e de belo continuará vivendo sempre dentro da família CUF, a iluminar a nossa estrada de marcha, a animar-nos a trabalhar, a incitar-nos a progredir e a elevar-nos aos nossos próprios olhos:

— O orgulho de servirmos Portugal, a honra de sermos úteis à Nação».

D. Manuel de Mello
15 Março 1952

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«...a maior obra social da companhia foi, é, e continuará a ser a criação constante de novas fontes de trabalho» ...

Dr. Jorge de Mello

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Ao longo de uma vida cheia de vicissitudes e rica de iniciativas, a empresa revive a sua história.

Como comunidade de homens que acima de tudo quer ser, consolida
Na riqueza do seu passado, os objectivos do seu futuro.

Reconhecida

A todos os que a têm servido e ajudado
E sem perder o permanente inconformismo
Que foi base da sua evolução.

Alegra-se de poder verificar que esteve sempre ao serviço do país
Criando sucessivamente novas fontes de trabalho
E contribuindo através delas
Para o progresso
E para a dignificação dos homens

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Comemorando o primeiro Centenário da sua fundação, a Companhia União Fabril, participa com um pavilhão próprio na VI Feira Internacional de Lisboa.

I — ENTRADA
II — EVOCAÇÃO HISTÓRICA DA COMPANHIA
III — INFORMAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO
IV — SERVIÇOS BANCÁRIOS
V — FÁBRICA DO BARREIRO — ESCALA 1/500
VI — COMPLEXO INDUSTRIAL

INDÚSTRIA QUÍMICA E DE METAIS NÃO FERROSOS (2)

a — Produtos químicos de base
b — Adubos e pesticidas
c — Metais não ferrosos
d — óleos, sabões, detergentes e indústrias alimentares
e — Tintas
f — Celuloses
g — Plásticos
h — Produtos Farmacêuticos

TÊXTEIS 8
METALO-MECÂNICA (7)
NAVEGAÇÃO (4)
CONSTRUÇÃO NAVAL (5)
SEGUROS (1)
TABACOS (12)
INVESTIGAÇÃO (10)
PROJECTOS INDUSTRIAIS (9)
ORGANIZAÇÃO (11)
INFRA-ESTRUTURAS (6)
OBRA SOCIAL (3)

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1865-1898

1865
Com o capital de 200 contos de Réis, o Visconde da Junqueira funda em Lisboa a Companhia União Fabril cujos estatutos são aprovados por alvará régio de 3 de Outubro desse ano.

1871
À morte do seu fundador a União Fabril apresenta um prejuízo de 13 contos de Réis, muito avultado para a época.

1872
Para evitar a falência é proposta a liquidação da companhia.

1875
Entra para o conselho de administração o Conde Burnay. Os seus suprimentos e os do Visconde da Gandarinha salvam a empresa.

1881
O inquérito industrial promovido por António Augusto de Aguiar revela que na fábrica de Alcântara trabalham 130 operários (dos quais 29 mulheres) e que o valor da produção se eleva a 200 contos de Réis.

1890
Graves dificuldades se deparam a duas empresas com actividades afins:

A Companhia União Fabril e a Companhia Alliança Fabril

1893
À beira da falência, a Alliança Fabril — importante devedora do Banco Lusitano — passa a ser administrada pelo director deste banco:

Alfredo da Silva.

1894
Alfredo da Silva faz o registo de estabelecimento n.º 1, da Companhia Alliança Fabril (1.º de Portugal).

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1898 – 1919

1898
A 14 de Fevereiro, um grande incêndio destrói parcialmente a Fábrica sol pertencente à Companhia Alliança Fabril.

Alfredo da Silva promove a fusão da Alliança Fabril com a União Fabril. O capital é elevado para 500 contos de Réis.

Reformam-se os estatutos, alargando os domínios de actividade da nova Companhia União Fabril, de que é administrador-gerente Alfredo da Silva.

Constrói-se em Alcântara a primeira unidade de adubos químicos.

1899
A Companhia União Fabril anuncia para venda ao público adubos químicos e outros produtos químicos para a agricultura.

1903
A importância do fabrico CUF justifica a abertura em alcântara de um ramal de caminho de ferro.

1904
Na Exposição Internacional de st. Louis a CUF é distinguida com o «Grand Prix», duas medalhas de ouro e uma de prata.

Obtém o primeiro prémio, diploma de honra e medalha de ouro na Exposição Industrial do Porto, prova de alta qualidade da produção da companhia, em Portugal e no estrangeiro.

O capital da Companhia é elevado para 700 contos de Réis.

1906
São adquiridos no Barreiro terrenos para a instalação de novas fábricas de produtos químicos.

É adquirida em Alferrarede uma fábrica de azeite.

É proposta a elevação do capital da Companhia para 1.200 contos de Réis, aumento justificado pelas novas explorações e instalações.

1907
Constroem-se as primeiras fábricas do Barreiro.

1908
Inicia-se a actividade fabril no Barreiro. Primeira unidade de extracção de óleo de bagaço de azeitona, valorizando-se assim um sub-produto pobre do fabrico de azeites.

Adquire-se a Companhia de Tecidos Alliança, para satisfazer as necessidades de embalagem dos produtos da CUF.

Constrói-se o primeiro bairro operário no Barreiro.

1909
Entra em funcionamento no Barreiro a fábrica de superfosfatos, abastecida pelo ácido sulfúrico das primeiras unidades produtoras, que consomem como matéria-prima pirites nacionais.

Instala-se um pequeno laboratório para controle analítico da produção.

A fábrica de Alcântara lança no mercado a niveína, óleo de coco refinado para a alimentação.

1910
É inaugurado no Barreiro o cais privativo da CUF, dois guindastes apetrecham a primeira ponte.

1911
Entram em laboração duas novas unidades de fabrico de ácido sulfúrico por processo de câmaras.

Começa a fazer-se, por lixiviação, a recuperação do cobre das cinzas de pirite, provenientes das fábricas de ácido sulfúrico.

É instalada no Freixo (Porto) uma fábrica de sabão para fornecer os mercados do norte do país.

1912
instala-se no Barreiro a. primeira unidade do pais produtora de ácido clorídrico e de sulfato de sódio, utilizando como matéria-prima o sal de origem nacional.

É concedido à Companhia o primeiro alvará para a actividade metalo-mecânica, o que permite ampliar o serviço de apoio e manutenção, que já possuía nas instalações de Alcântara e do Barreiro.

Novas centrais de produção de energia eléctrica, de ar comprimido e de v***r, no Barreiro.

1913
Entra em laboração, no Barreiro, a fábrica de sulfato de cobre que utiliza o cobre recuperado das cinzas de pirite e introduz no país uma nova indústria.

1914
Até 1919, apesar das dificuldades criadas pela guerra, as fábricas da CUF mantem-se em laboração, suprindo em parte a escassez de matérias-primas importadas.

Em 1916, a CUF adquire a fábrica do rato, fundada em 1875 e introdutora em Portugal da tecelagem de juta.

1919-1948

1919
São reformados os estatutos da companhia. Que passa a abranger indústrias transformadoras, comércio, transportes e indústria extractiva.

O capital social é fixado em dois mil contos-ouro.

A CUF participa na constituição da Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes, Lda., que inicia em 1922 a actividade de transportes marítimos, passando assim a Companhia a dispor de meios nacionais para o abastecimento de matérias-primas.

1921
Para apoiar o seu movimento financeiro, a CUF participa na gerência da casa bancária José Henriques Totta, Lda.

A sociedade geral participa na constituição da sociedade António da Silva Gouvêa, Lda., para desenvolvimento do comércio na Guiné, fomentando nesta província a cultura de oleaginosas.

1922
A frota da S. G. dispõe de seis unidades com a tonelagem total de 21.000 tdw.

A CUF m***a uma oficina de cordoaria mecânica, utilizando sisal e manila.

1923
Instala-se a primeira unidade para moagem de enxofre.

1925
Um novo alvará permite à CUF alargar a actividade metalo-mecânica, instalando-se no Barreiro oficinas de fundição e caldeiraria, para apoio local às fábricas. E assistência à frota da S. G.

É instalada no Barreiro a primeira unidade portuguesa de metalurgia do cobre por fusão e refinação.

É remodelada em Alcântara a instalação da refinação de óleos comestíveis.

Uma cordoaria manual vem complementar a cordoaria mecânica fundada três anos antes.

1926
A CUF instala no Barreiro a primeira unidade portuguesa de cloruração e sinterização de cinzas de pirite, que passam a ser exportadas para a produção de ferro.

1927
É constituída a Tabaqueira, S.A.R.L., reinvestindo resultados da exploração industrial.

Inicia-se a ampliação e a remodelação das fábricas de superfosfatos e de ácido sulfúrico e, como consequência, desenvolve-se a actividade têxtil.

1928
Entram em laboração duas novas unidades produtoras de ácido sulfúrico, pelo processo de câmaras.

É instalada a fiação de juta que evita a importação de fio destinado à tecelagem.

1929
Nova instalação de fabrico de sulfato de cobre duplica a capacidade de produção, que atinge 50 toneladas/dia.

A construção no barreiro de uma nova ponte-cais permite a acostagem de navios até 1.500 toneladas.

Entra em laboração, em Mirandela. Uma fábrica de azeite, que vem alargar as possibilidades de valorização de um produto da agricultura regional.

1930
Moderniza-se e amplia-se a tecelagem de juta.

O consumo de energia eléctrica nas fábricas do Barreiro eleva-se a 3 milhões de kwh.

Inicia-se a metalurgia do chumbo no Barreiro.

1932
Concentra-se no barreiro toda a actividade têxtil.

1934
Para apoio à indústria química, em especial do ácido sulfúrico, é ampliada a fundição.

Inicia-se no Barreiro a m***agem de uma central diesel de 3.600 cv, cuja potência é ampliada em anos seguintes para 6.100 cv.

1937
Amplia-se e remodela-se a fábrica de óleos industriais das fontainhas.

Passa a funcionar no Barreiro a fábrica de óleos alimentares.

É adjudicada à companhia a exploração das docas e oficinas do porto de Lisboa. Prova de confiança na energia e espírito de iniciativa de Alfredo da Silva, que passa a orientar a actividade do único estaleiro naval importante do pais, até então explorado por estrangeiros.

1938
Ampliação do porto do Barreiro exigida pelo acréscimo de actividade fabril.

1939
Continuando a renovação metódica das instalações, m***a-se no barreiro o novo forno para aços eléctricos, evitando importações demoradas e dispendiosas.

Remodelam-se e ampliam-se as fábricas de sabão de Lisboa, Porto e Barreiro.

Completa-se a renovação do equipamento dos estaleiros navais do porto de Lisboa, onde a actividade passa a tomar extraordinário incremento.

A frota da Sociedade Geral conta já com 18 unidades e uma tonelagem global de cerca de 94.000 tdw.

1940
Funda-se a Caixa de Previdência do Pessoal da Companhia União Fabril e Empresas Associadas, «PARA LHES ASSEGURAR, DENTRO DA LEGISLAÇÃO EM VIGOR, O MÁXIMO DE VANTAGENS, REGALIAS E BENEFÍCIOS POSSÍVEIS».

1942
Morte de Alfredo da Silva. Assume a presidência do conselho de administração da CUF D. Manuel de Mello.

Funda-se a Companhia de Seguros Império, providenciando assim, pelos seus próprios meios, para o seguro das suas empresas e dos seus trabalhadores.

Inicia-se a recuperação de ouro e prata das lamas provenientes do fabrico de sulfato de cobre e dos minérios auríferos da Lousã.

Cria-se no Barreiro o Serviço de Medicina no Trabalho.

1944
As dificuldades criadas pela Guerra ao abastecimento de cobre destinado às fábricas de sulfato, estão na base da fundação da Empresa do Cobre de Angola cujo objectivo imediato é o estudo e prospecção das áreas cupríferas de Angola.

1945
A Caixa de Previdência da CUF e Empresas Associadas inaugura o Hospital da CUF.

1946
É ampliada em novas instalações a oficina de mecânica do Barreiro.

Inicia-se a produção de aços inoxidáveis e refractários, de especial interesse para a indústria do ácido sulfúrico.

1947
Aumenta-se a capacidade de produção de sulfureto de carbono para a extracção de óleo de bagaço, com a fábrica de Vila Nova de Gaia.

Início da actividade de produtos farmacêuticos.

A partir de 1948 verifica-se um período de crescimento extraordinário, caracterizado por uma sectorização nítida nas actividades da companhia.

1948
Nova fábrica de ácido sulfúrico produção de silicato de sódio

Constituição da «União Fabril do Azoto»

1949
Fusão local dos minérios da «Empresa do Cobre de Angola»

Novo complexo de produção e concentração de ácido fosfórico

Nova unidade de moagem de fosfatos

Grande incremento da frota da «Sociedade Geral»

Início do estudo da organização científica do trabalho

Ampliação das instalações portuárias do Barreiro

1950
Primeira fábrica do país de ácido sulfúrico por contacto

Primeiro forno Manheim do país

Primeira unidade do país de granulação de adubos

Nova fábrica de superfosfato simples

Remodelação da fiação de juta

1951
Nova fábrica de ácido sulfúrico por contacto

Constituição da «UNIFA» — União Fabril Farmacêutica»

1952
Nova fábrica de ácido sulfúrico por contacto

Início de laboração das fábricas da «União Fabril do Azoto»

Remodelação da sublimação do enxofre

Extracção contínua por hexana na fábrica de óleos alimentares

Início do estudo da produtividade da mão-de-obra do Barreiro

1953
Produção de oleum sulfúrico

Unidade de sinterização de produtos cupríferos

Levantamento aéreo de 30000 km2 da concessão da «Empresa do Cobre de Angola»

Instalação da electrolise de chumbo

Conversão da Casa Bancária em «Banco José Henriques Totta»

Criação de um serviço de estudos e projectos

Remodelação do controle analítico

Instalação de nova central para produção de energia eléctrica e v***r

1954
Montagem de tambores para a precipitação mecânica do cobre recuperado das cinzas de pirite

Remodelação da metalurgia do cobre por via ígnea

Remodelação da fábrica de ácidos gordos

Modernização do equipamento de fiação de juta

Primeiros teares circulares na tecelagem de juta

Introdução da codificação e standardização

1955
Remodelação e ampliação da fábrica de ácido clorídrico

Remodelação do fabrico e cristalização de sulfato de cobre

Aumento de capacidade de produção das fábricas da «União Fabril do Azoto»

Grupo de neutralização contínua na fábrica de óleos alimentares

Constituição da «Sociedade Fabril de tintas de Construção — TINCO»

Racionalização do trabalho administrativo

Organização de um serviço próprio de estudos comerciais

Formação do pessoal — escola de aprendizes

1956
Remodelação da cristalização de sulfato de cobre

Extracção contínua para óleo de bagaço, em Alferrarede

Lagar contínuo de azeite, em Mirandela

Constituição, em conjunto com outros industriais, da «SONADEL» — Sociedade Nacional de Detergentes, S.A.R.L»

Constituição, com outros industriais, da «Companhia Têxtil do Pongue»

Estruturação e desenvolvimento dos centros de estudo

Ampliação das instalações portuárias do Barreiro

1957
Nova fábrica de ácido sulfúrico por contacto

Instalação da electrolise do cobre

Estudo geoquímico pela «Empresa do Cobre de Angola»

Aumento de capacidade de produção da fábrica de ácido fosfórico

Aumento de capacidade de produção das fábricas da «União Fabril do Azoto»

Segundo grupo de neutralização contínua na fábrica de óleos alimentares

Constituição da «INDUVE — Indústrias Angolanas de Óleos Vegetais»

Renovação parcial da cordoaria mecânica

Desenvolvimento da empresa «Celuloses do Guadiana»

Descentralização do controle analítico

Ampliação das instalações portuárias do Barreiro

Constituição de um gabinete psicotécnico

1958
Unidade de tratamento de cinzas de pirite, por ustulação clorurante

Nova unidade de moagem e ventilação de enxofre

Remodelação da fábrica de óleos industriais

Entrada em laboração da fiação e tecelagem da «Companhia Têxtil do Pongue»

Início de laboração da fábrica da «TINCO»

Criação do Centro de Estudos de Análise

Ampliação da área fabril do Barreiro — nova área recuperada ao Tejo

1959
Remodelação das instalações de recuperação de ouro e prata

Remodelação do fabrico de sabão

Instalação da micronização de enxofre

Início de laboração da fábrica da «INDUVE»

Início de laboração das fábricas da «SONADEL»

Extracção de óleos alimentares pela empresa «António da Silva Gouvêa», na Guiné

Instalação da primeira unidade agrícola na «Companhia Têxtil do Pongue»

Nova oficina de caldeiraria

Nova unidade para fundição mecanizada de ferro e aço

Criação de um Centro de Investigação abrangendo os domínios agronómico e industrial

Criação do centro de projectos da CUF

Criação de um serviço de prospecção de mercados

Criação de um centro de normalização e de um centro de documentação

1960
Remodelação da fábrica número dois de ácido por contacto

Aumento de capacidade da fábrica de ácido fosfórico

Produção de adubos compostos granulados

Aumento de capacidade de produção da fábrica de sulfato de amónio da «União Fabril do Azoto»

Construção de um complexo fabril da «União Fabril do Azoto», no Lavradio

Produção de pesticidas com base orgânica

Rede regional de engenheiros agrónomos para assistência à lavoura

Nova instalação de produção de glicerina

Fabrico de sabões em pó

Remodelação da fiação e tecelagem de juta

Constituição da «NAVALIS — Sociedade de Construção e Reparação Naval»

Cursos de formação profissional acelerada

Reorganização dos serviços de segurança no trabalho

1961
Nova fábrica de ácido sulfúrico por contacto remodelação da electrolise do chumbo

Início de laboração de novas fábricas da «União Fabril do Azoto», no Lavradio

Reconversão da actividade têxtil, pelo estudo sistemático de novas actividades

Constituição da «LISNAVE — Estaleiros Navais de Lisboa, S. A. R. L.»

Fusão do «Banco Totta» com o «Banco Aliança»

Constituição da «Micofabril — Sociedade Industrial de Bioquímica»

1962
Remodelação da instalação de óleos industriais

Desodorização contínua na fábrica de óleos alimentares

Aumento de capacidade de saponificação contínua

Constituição, com outros industriais, da «SITENOR — Sociedade de Indústrias Têxteis do Norte»

Nova fábrica de «A Tabaqueira», em Albarraque

Através de um PLANO DE INVESTIMENTOS em que são conjugados os recursos próprios com capitais exteriores, é dado novo impulso ao desenvolvimento da empresa.

1963
Nova instalação de moagem de pinte

Ampliação da instalação de produção de ouro e prata electrolíticos

Início de laboração de novas fábricas da «União Fabril do Azoto», no Lavradio

Aumento da capacidade de produção de adubos compostos

Produção de novos tipos de sabão (70-72 % A. G.)

Produção de ácidos gordos a partir de pastas de refinação de óleos alimentares

Aumento de capacidade de produção da fábrica de óleos alimentares

Nova fábrica de alimentos compostos granulados para animais— «CUF-Sanders»

Desenvolvimento da «COMPAL — Companhia Produtora de Conservas Alimentares, S.A.R.L.»

Desenvolvimento da industrialização do milho — «SICEL — Sociedade Industrial de Cereais, S.A.R.L.»

Constituição da «PROTEXTIL— Promoção da Indústria Têxtil»

Início da exploração do estaleiro pela «LISNAVE — Estaleiros Navais de Lisboa, S.A.R.L.»

Produção de ferro fundido meehanite

Aumento de capital da «Companhia de Seguros Império», por incorporação de reservas

Participação na «LUSOFANE, S.A.R.L.» — Manufactura de Plásticos

Constituição da «PROFABRIL — Centro de Projectos Industriais, S.A.R.L.»

Constituição da «NORMA — Sociedade de Estudos para o Desenvolvimento de Empresas, S.A.R.L.»

Início dos trabalhos da Comissão Interna da empresa

1964
Aumento da capacidade de tratamento de cinzas de pirite

Remodelação e ampliação da metalurgia do chumbo

Trabalhos de cartografia geológica pela «Empresa do Cobre de Angola»

Nova unidade de superfosfato concentrado nova unidade de concentração de ácido fosfórico, por «combustão submersa»

Remodelação da moagem do fosforite

Instalação para produção de enxofre em placas

Automatização do transporte e pesagem de oleaginosas

Produção de sabão em nos, com cerca de 80% A. G.

Cisão de gorduras por alta pressão

Nova unidade de produção de ácidos gordos

Nova unidade industrial de tratamento de tomate da «COMPAL»

Aumento de capacidade de produção de fiação e tecelagem de juta

Remodelação do fabrico de tapeçarias

Constituição da «IPETEX — Sociedade de Indústrias Pesadas Têxteis, S.A.R.L»

Remodelação de equipamento das oficinas metalo-mecânicas

Início da construção do novo estaleiro da «LISNAVE», na Margueira

Lançamento de um ordenador electrónico no centro de mecanografia

Remodelação das instalações portuárias

1965
Nova fábrica de ácido sulfúrico por contacto

Remodelação completa da fábrica de ácido clorídrico

Arranque de uma fábrica de sulfato de sódio

Arranque de uma fábrica de ZINEBE

Instalação para formulação e embalagem de pesticidas

Nova remodelação da fábrica de óleos alimentares

Nova unidade de produção de sumos e néctares da «COMPAL»

Remodelação das instalações da «INDUVE»

Modernização e ampliação da tinturaria têxtil

Ampliação do fabrico de feltro de juta

Instrução programada aplicada à indústria

Nova remodelação das instalações portuárias do Barreiro

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«...suceda o que suceder, algo de grande, de nobre e de belo continuará vivendo sempre dentro da família CUF, a iluminar a nossa estrada de marcha, a animar-nos a trabalhar, a incitar-nos a progredir e a elevar-nos aos nossos próprios olhos:

— o orgulho de servirmos Portugal, a honra de sermos úteis à Nação».

D. Manuel de Mello
15 Março 1952

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NA BASE DA ESTRUTURA DA EMPRESA, A PREOCUPAÇÃO DE:

Formar, instruir, orientar profissionalmente o seu pessoal
Cursos de aperfeiçoamento
Centros de aprendizagem
Centro Psicotécnico

Proteger o trabalhador nas condições e nos locais de trabalho

Medicina no trabalho
Higiene Industrial
Prevenção de acidentes
Equipamento de protecção e segurança

Motivar o pessoal pela promoção humana no trabalho

Análise de funções
Prémios
Apreciação objectiva de resultados

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OBRA SOCIAL

Assistência à mãe
Infantários
Subsídios

Escolas
Centro educativo
Colónia de férias

Facilidades para estudo e aperfeiçoamento
Cursos de educação familiar
Grupo desportivo
Manifestações culturais
Campos de férias

Caixa de Previdência
Habitações familiares
Terrenos para construção
Refeitórios
Despensas e mercados
Assistência na doença
Hospital
Pensões e reformas complementares

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«...a maior obra social da companhia foi, é, e continuará a ser a criação constante de novas fontes de trabalho» ...

Dr. Jorge de Mello

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100 ANOS AO SERVIÇO DO PAÍS

Cortesia de Vítor Cardoso

Restante Documentação de Ricardo Cuf a quem agradeço vivamente

DA MINHA TERRA …Gente que conheceu e conviveu com João LiberalANTÓNIO JOSÉ (da Loura) A envolver a figura austera e dign...
30/07/2022

DA MINHA TERRA …

Gente que conheceu e conviveu com João Liberal

ANTÓNIO JOSÉ (da Loura)

A envolver a figura austera e digna de António José (da Loura), há uma auréola que nos toca e enche de admiração, pela sua vida longa de operário dos mais habilidosos do país.

Desconheço, ao certo, quais as suas habilitações escolares, mas, ao que me contaram seus familiares e pessoas que com ele conviveram de perto, sabia apenas ler, escrever e fazer contas, tendo suprido a carência de instrução oficial, e tornar-se num valor profissional distinto de algumas artes do mundo laboral. E, naturalmente, não só.

António José (da Loura) nasceu no Barreiro em 23 de Março de 1864 e foi casado com Gertrudes Maria Marques, de cujo matrimónio não houve filhos.

A sua história é bonita e honra sobremaneira a terra onde nasceu. Morou, durante dezenas de anos, na rua Almirante Reis, num prédio com esquina para a rua Eusébio Leão, próximo do "Largo do Casal", chamado oficialmente Largo Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Antigas artérias do Barreiro, reminiscências de épocas inesquecíveis, caracterizadas por um povo que se afirmou e teve personalidade bem vincada, através de várias gerações de pessoas que imprimiram à vida um cunho raro de trabalho, de cultura e de humanismo, que impressionou e produziu um desenvolvimento excepcional na comunidade.

Estou a vê-lo, retratado na mente: homem alto, hirto, seguro, com expressão respeitável, de barba branca. Ao passar nas ruas da localidade, na década dos anos 30, quando eu já reparava em tudo que acontecia à minha volta, a sua figura transmitia-me enorme consideração.

Diz-se que a alcunha "da Loura" se deve ao facto da mãe possuir cabelos louros. Por isso, e para melhor identificação, lhe chamavam António José (da Loura). Isto era, então, normal suceder no Barreiro, no passado terra pequena, em que as famílias se conheciam quase todas. Eu deparei com casos semelhantes, até na minha família. Um exemplo: a minha mãe chamava-se Sara, e os vizinhos referiam-se a um dos meus irmãos como o António (da Sara). Era assim.

O talento do António José começou a revelar-se cedo. Aos sete anos de idade, entrou para a banda de música da Sociedade Marcial Capricho Barreirense, actualmente os “FRANCESES", tocando ferrinhos. Dizem que era uma raça vê-lo, pequenino ainda, incorporado na Banda.

Pouco tempo depois, deu-se uma deslocação da Filarmónica ao Palácio das Necessidades, para um concerto com a presença do rei D. Luís. E o menino lá esteve a actuar em cima de um banco, de pé, para ser visto. O monarca achou-lhe tal encanto, que mandou o Marquês de Ficalho entregar-lhe dez tostões, para "comprar um boneco". Teria sido um momento de ternura.

Por volta dos treze anos de idade, empregou-se nas oficinas dos Caminhos de Ferro, como aprendiz de serralheiro. No passado, era habitual dar-se trabalho aos rapazinhos, pois não havia leis que os protegessem, e os lares sentiam inúmeras necessidades, atamancadas com os salários pequenos das crianças. Sempre seriam umas ajudas indispensáveis.

O moço revelou rara inteligência, que logo foi notada na aptidão para o ofício.

Estava ali um rapaz que havia de ir longe profissionalmente... — profetiza-se entre os companheiros das oficinas, e até o diziam alguns mestres bem conhecedores das artes. Ou não fossem eles os mestres...

A sua ascensão na empresa aconteceu segura, degrau a degrau. Com habilidade invulgar, triunfava em tudo que se metia a fazer. Para ele, problemas não existiam. Era realmente possuidor de faculdades muito acima da média.

O desenho fascinava-o deveras, acabando por entrar para a secção respectiva. Espantoso. Logo se salientou em desenho de máquinas e ferramentas. Com vinte e cinco anos de idade, no ano de 1889, subiu a contra-mestre, e, em 1905, com quarenta e um anos, passou a mestre de oficinas. Uma ascensão rápida. Mas a verdade é que o homem era mesmo excepcional. Tinha categoria e vocação. Uma inteligência forte.

De realçar que António José (da Loura) deixou várias criações de máquinas e ferramentas de sua autoria. Portanto, um criador, um inovador, um técnico. Por exemplo: as primeiras balanças usadas nos Caminhos de Ferro foram desenhadas e construídas sob a sua orientação. Era tal a sua competência que não teve dificuldade em se impor. E assim seria nomeado Mestre Geral das Oficinas dos Caminhos de Ferro do Estado. A consagração muito merecida de um técnico que, sem estudos escolares, conseguiu elevar-se a uma posição destacada mercê de um grau elevado de inteligência, de um grande empenho e capacidade criadora e executiva verdadeiramente sensacionais.

Tenho vindo a referir-me, praticamente, à vida profissional de António José, com algumas variantes, recheada de inovações e obras realizadas, numa ascensão notável, que o tornou respeitado aos olhos de todos, em especial dos companheiros de trabalho.

Outras facetas o distinguiram, precisamente no plano cultural. Poder-se-á afirmar que o António José (da Loura) era um predestinado. Há 60-70 anos, ter a energia e os conhecimentos técnicos e práticos de que deu provas, acrescidos ainda de motivações várias e sérias nas relações humanas e espirituais, podia dizer-se que era importante.

Sem dúvida. E muito para admirar. Hoje, se fosse vivo, o que ele não faria nalgumas áreas, com a ajuda das escolas e tecnologias novas...

Pessoas que com ele mais de perto conviveram, incluindo familiares, são unânimes em reconhecer nele um autodidacta de craveira bastante elevada.

Gostava de crianças. Como vai sendo hábito afirmar-se: adorava-as. No seu tempo de lazer, construía brinquedos, às vezes mobílias de papel imitando v***a, peças tecnicamente bem executadas, que faziam o encanto das crianças, também dos adultos, a quem, em muitos casos, ofertava gostosamente. O interessante é que chegou a ser padrinho de muitas dessas crianças. Ali, no "Largo do Casal", nas suas imediações, quase não havia rapaz ou rapariga que não o tratasse por padrinho. Muito significativo e revelador do seu amor às crianças.

Pelo Natal, erguia, em sua casa, uma árvore lindamente ornamentada e completa com brinquedos e guloseimas, construindo igualmente um presépio com todas as figuras apropriadas, a que não faltavam o moinho, a cascata, a verdura, etc., etc. Depois, chamava a miudagem da zona, que acorria, contente, a sua casa, num corrupio desusado. Uma festa enorme e feliz, no meio infantil. Talvez, quem sabe, porque no seu lar não tivesse havido filhos. Festas cheias de ternura e encanto, que o António tinha um coração magnânimo, e dava disso testemunho autêntico.

Mas não se julgue que tudo eram rosas. O homem também se deixava levar pelos maus momentos. Irritava-se facilmente quando os adultos o contrariavam. Ele havia sido um ornamentador apreciável e, nesta área artística, chegou a alindar grandes festas, sobretudo nos "FRANCESES", festas de belo efeito, famosas em anos já distantes. Mas que ninguém contrariasse as suas opiniões e o seu trabalho em questões de ornamentação. Não admitia.

Foi-me contado que, na preparação de uma festa pomposa, de que as pessoas de então muito gostavam, às quais acorriam em massa, particularmente os associados da colectividade festejante, houve um desentendimento com a direcção dos "FRANCESES", quanto ao tipo de dada ornamentação a fazer. Irritado, recusou-se a colaborar levando todas as peças, já prontas, para sua casa. Tudo em cima da hora próxima do espectáculo, o que viria a complicar o programa festivo. Do incidente, resultou a sua expulsão de sócio da colectividade e a retirada do seu retrato que figurava junto dos de vários outros sócios fundadores, situados em lugar de destaque. Problemas que aconteceram e são de todos os tempos.

Reatando o fio à exposição das suas habilidades artesanais, é de dizer também que, por alturas da quadra dos santos populares, idealizava e confeccionava tronos, bonitas miniaturas dos três santos, a que não faltavam castiçais, a custódia, as jarras, as flores e a bandeja milagrosa para os tostões que haviam de cair nela. Tradições um tanto ingénuas que se foram perdendo na voragem dos anos, mas que ajudavam a dar às pessoas uma dimensão simples e humana das coisas e dos costumes seculares de que tanto se gostava, então.

Executava peças artesanais com a maior perfeição. Recordo-me que, em Março de 1964, se realizou na Biblioteca Municipal uma exposição de pratos com decorações de sua autoria. Para fazê-las, serviu-se de pedaços de porcelana fina e desenhou, depois, composições artísticas primorosas, chegando a imitar o mosaico bizantino.

Por altura da guerra de 1914-18, executou um prato expresso para a Cruz Vermelha Portuguesa, a quem ofereceu, destinado a ser leiloado a favor dos soldados combatentes na guerra. O facto foi referido pela "Ilustração Portuguesa", revista da época. Havia nele, também, preocupação pelos outros.

Como já referi atrás, o António José (da Loura) foi um autodidacta. Aprendeu muito da leitura. De resto, nessa época, dos anos 10-30, a população barreirense, mais restrita à zona ribeirinha ao Tejo, lia bastantes livros, que levantava das bibliotecas das colectividades e dos clubes.

Sem grandes estudos, em termos escolares, as pessoas elevavam-se culturalmente através da acção instrutiva das bibliotecas, hoje tão em desuso.

O António José tinha uma boa biblioteca em casa, recheada de bastantes livros. Era detentor, até, de primeiras edições da obra integral, completa, de Camilo Castelo Branco, e a colecção inteira de Júlio Verne. Sentia orgulho disso. Familiares, afilhados e amigos serviam-se dos seus livros para passarem os serões e cultivarem-se, naturalmente. Por sua morte, e da mulher mais tarde, todo o espólio valioso foi para a empregada doméstica dedicada, de nome Perpétua, que, sendo analfabeta e desconhecendo o valor das obras literárias, as vendeu, a peso, a um alfarrabista de Lisboa. Quanto não valeriam, hoje, as primeiras edições dos livros de Camilo?

António José (da Loura) morreu em 14 de Setembro de 1949, com mais de oitenta e cinco anos de idade.

A sua passagem por este mundo foi altamente ilustrante, não só como técnico, mas também, e, sobretudo, como homem que serviu a comunidade, embora levando sempre uma vida simples e sem grandes aparatos. Ainda, presentemente, perpassa pelo Barreiro uma áurea leve da sua existência. Foi um barreirense de bom nome.

Bem merecia ser recordado, até pela Autarquia, que nunca será demais evocar-se os filhos da nossa terra.

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Da Minha Terra…

As fotografias que ilustram a capa e a contracapa deste livro, foram feitas com uma intenção: fixar João Liberal no meio ambiente que o viu nascer — os barcos, o rio, e as casas da beira-rio.

A fotografia da capa é bem elucidativa: tem por pano de fundo um monumento — o Moinho Pequeno!, hoje, infelizmente, em decadência.

A outra, a que encima estas palavras, tem por cenário um belo edifício branco, moderno — quase dois séculos mais novo do que o velho moinho de maré, mas também já decadente, porque não houve mão milagrosa que o arrancasse para a vida...

Enquadrado neste "décor", João Liberal enfrenta a objectiva: 66 anos vividos aqui, junto a estes barcos e a estas casas da beira-rio.

Há três anos escreveu um livro: "Quadros — Memórias da Minha Infância".

Um belo e poético documento sobre a sua terra.

Foi uma peregrinação terna• e romântica aos confins da sua memória.

Hoje, com a publicação deste seu novo livro, o Barreiro surge novamente como tema.

Só que, desta vez, João Liberal leva-nos a sentir um certo Barreiro dos anos 30, 40 e 50, através do pulsar de Gente que conheceu e conviveu.

Gente que já não olha estes barcos e estas casas da beira-rio — mas que permanece viva na memória de muitos barreirenses, e agora também nas páginas deste livro.

AUGUSTO CABRITA
Novembro. 1988

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Dedicatórias

de João Liberal

Ao Vítor Cardoso com a estima do João Liberal

de Augusto Cabrita

Ao Vítor Cardoso de Terras de Elmano Sadino, hoje ancorado junto ao Tejo, entre sereias e tritões, sempre hidraulicamente atento às maldades ecológicas do nosso tempo.

Por um Moinho Pequeno mais limpo e eficiente quando os seus rodízios davam o pão a Lisboa… O teu sempre Augusto Cabrita

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ÍNDICE

NOTA
JOÃO RESENDE
MIGUEL MARIA DE ALMEIDA CORREIA
ANTÓNIO JOSÉ (da Loura)
JOÃO ROBERTO PEREIRA (Suta)
MARIA EMÍLIA DE OLIVEIRA CRUZ E FRANÇA
PADRE ABÍLIO DA SILVA MENDES
MARIANO DO ROSÁRIO
MÁRIO RODRIGUES SOLANO
MARIA ESTHER MONGIARDIM DA COSTA FIGUEIRA
JORGE FERNANDES TEIXEIRA
ARMANDO DA SILVA PAIS
JOSÉ AUGUSTO DOS SANTOS (da Romana)
JORGE SOBRAL
JOAQUIM ANTÓNIO OLIVEIRA DA SILVA
ANTÓNIO GERMINO
JOSÉ JOAQUIM RITA SEIXAS
ALBERTO PINTO
MÁRIO DA COSTA MANO
JOÃO AZEVEDO DO CARMO
LIBÂNIA DA SILVA
ARSÉNIO TRINDADE DUARTE
CÂNDIDO LOPES
JOSÉ FRANCISCO DA COSTA NEVES

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NOTA

Ao publicar o livro intitulado DA MINHA TERRA..., pretendo homenagear umas tantas personalidades nascidas no Barreiro, ou que nele viveram largos anos, que me tocaram particularmente a sensibilidade. Muitas outras figuras mereciam estar nele, só que isso me foi impossível, por dificuldades de vária ordem.

Os textos constituem breves narrativas biográficas sem pretensões literárias nem rigidez metodológica, tudo escrito com a maior leveza e simplicidade.

Volvo o pensamento àquelas pessoas que me deram amavelmente a sua colaboração. Foram inúmeras, na grande maioria familiares dos biografados, que descreveram testemunhos vivenciais muito ricos, ou que facultaram documentos importantes, sem os quais não teria podido levar por diante o meu intento. Perdoar-me-ão, com certeza, por eu não citar os seus nomes; mas desejo, com tal omissão, evitar uma lista bastante extensa, que acabaria por se tornar fastidiosa ao leitor.

O meu reconhecimento, pois, pelo contributo valioso, imprescindível ao aparecimento deste livro.

O AUTOR

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UM MESTRE DE OPERÁRIOS BARREIRENSE NO CENTENÁRIO DE ANTÓNIO JOSÉ (DA LOURA) (1)
(1964)

Estiveram expostos, em Março de 1964, na Biblioteca Municipal desta vila vários pratos decorativos feitos por António José (da Loura), com pequeninos pedaços de porcelana fina, dispostos segundo composições de desenho por ele próprio concebidas. Trabalhos de muita habilidade, paciência e gosto, que se admiraram com prazer.

Particularmente nos pediram os atenciosos funcionários da referida Biblioteca que escrevêssemos uma linhas sobre o autor daqueles trabalhos, porquanto passava então o centenário do seu nascimento. Aqui lhes agradecemos a lembrança e atendemos o pedido formulado.

No dia 13 de Março de 1864 (um Domingo em que pelas ruas do Barreiro desfilava a Procissão do Senhor dos Passos), nasceu nesta vila um menino que receberia na pia baptismal o simples e económico nome de António José... Era seu pai Domingos Bernardo e sua mãe uma airosa e desenxovalhada rapariga alourada de nome Joana Baptista.

Marido e mulher estremeciam o pequerrucho. A vizinhança daquele lar de gente pobre, mas honrada e feliz, começou daí a pouco a distinguir o rapazote dos outros da sua idade pelo «soubriquet» de António José (da Loura).

E António José (da Loura) ficou ele até ao fim da vida, que foi dilatada. Tornou-se um exemplo de self made man, dos muitos que se forjaram nesta vila e lhe deram — e dão ainda — fama de possuir operários dos mais habilidosos do País. Que saibamos, ele só sabia ler, escrever e contar, e o «curso» que frequentou... foi a tropa — mas chegou a Mestre-Geral das Oficinas dos Caminhos de Ferro do Estado, do Barreiro. Quanta ciência «empacotada» seria hoje necessário acumular para isso — para, depois, atirar 90% dela para desperdícios?!...

António José entrou aos 13 anos para aprendiz de serralheiro das Oficinas. A sua muita habilidade para o desenho (de máquinas e ferramentas) deu ensejo a destacar-se e passar para a Secção de Desenho, da qual foi nomeado contramestre em 1889. Finalmente, em 1905, substituiu mestre Augusto Rodrigues no lugar de Chefe das Oficinas dos Caminhos de Ferro do Barreiro. Esteve em missão de serviço na Escócia, onde fiscalizou a construção de várias máquinas para os C. F. S. S.

Entre outros importantes trabalhos desenhados e executados sob a direcção de António José, figuraram as primeiras balanças centesimais usadas nos Caminhos de Ferro do Sul, e algumas básculas para grandes pesagens, recebendo, cremos que por essa altura, a medalha de «Bons Serviços e Exemplar Comportamento», por Decreto de 25 de Maio de 1912.

Em 1913, este operário, mestre de operários, pediu a reforma. Tinha 36 anos de serviço, e iria viver ainda outros 36 anos, como aposentado, pois faleceu em 1949. Fora o 3.º mestre-geral das Oficinas dos C. F. do Sul e Sueste. A ele sucedeu Alexandre de Almeida, outro velho ferroviário que ainda bem conhecemos, e que foi o último dos prestigiosos chefes dessas Oficinas que ascendeu àquela categoria. (2)

Quando mais de perto conhecemos António José, andava ele já na casa dos sessenta anos. Várias vezes subimos ao 1.0 andar da sua residência, na ex-Rua Almirante Reis (actual Rua do Cons. Serra e Moura), esquinando para a Rua Dr. Eusébio Leão, e, por nossas largas conversas, muitas indicações preciosas do Barreiro do Séc. XIX lhe ficámos devendo.

Era ainda um homem bem conservado, e raro lhe falhava a memória, mas quando lhe escapava uma indicação, embora secundária, logo a mulher, D. Gertrudes Maria Marques, também do Barreiro e já falecida, vinha completar a referência que ele considerava incompleta. Era um casal muito unido. Viviam um para o outro. Não tiveram filhos.

Aos 7 anos de idade, António José tornou-se componente da banda de música da Sociedade Marcial Capricho Barreirense («Franceses»), tocando ferrinhos. Nos fins do ano de 1871, lá foi ele, encorporado na banda, tocar a Lisboa, ao Paço das Necessidades na presença do rei D. Luís I. Como era muito miúdo, foi autorizado a subir para um banco, para ser visto pelo Mestre... Quando faleceu, era ele o último dos componentes da banda dos «Franceses» do tempo de João Gazul, músico da Real Câmara.

Depois de reformado, relativamente novo ainda, António José da Loura dirigiu muitos trabalhos de decoração para as salas da sua dilecta Colectividade, em grandes ocasiões festivas. E das suas mãos saíam ainda interessantes trabalhos executados em cartão e papéis coloridos: figuras, flores, calendários, etc. etc. que distribuía pelos moços e pelas meninas das suas relações. Na época das folias carnavalescas, na Páscoa e pelos santos populares era então solicitado pela mocidade alegre para exibir as suas paciências.

Quando, pelos anos de trinta, as bandas dos «Penicheiros» e «Franceses» acabaram e a emolução terminou, António José repartiu também pelos «Penicheiros» a sua colaboração nas festas que essa colectividade organizava. Para mais, era seu bem próximo vizinho.

Quando este velho ferroviário faleceu — a 14 de Setembro de 1949 — não havia imprensa regionalista no Barreiro. O seu passamento não foi, por isso, assinalado como devia. O centenário do seu nascimento deu-nos, pois, o ensejo de recordar alguns traços dessa figura de genuíno barreirense, de cujas mãos saíram muitos prodígios de bom gosto.

Que grande professor de Desenho e Trabalhos Manuais ele poderia ter sido!

(1) Primitivamente publicado no Jornal do Barreiro, n.º 696, de 26 de Março de 1964.
(2) V. a crónica anterior «Antigos e Habilidosos Operários que honraram o Barreiro (…)»

ANTIGOS E HABILIDOSOS OPERÁRIOS QUE HONRARAM O BARREIRO (ONDE NASCERAM OU ONDE SE ESPECIALIZARAM) E O TRABALHO NACIONAL

Segue-se a citação de alguns dos primeiros e bons operários barreirenses e de outros mais que, não sendo naturais desta vila, aqui vieram fixar-se e aqui se destacaram por seus próprios méritos. Deve observar-se que, na sua grande maioria, desenvolveram as aptidões sem o amparo de bases técnicas, mas procurando aperfeiçoar-se gradualmente nos seus ofícios, guiados por competentes mestres e acabando por vencer e criar prestígio, impelidos pela vocação e pela força de vontade, que em quase todos se observava.

Certamente que é mais natural uma relação desta natureza pecar por diferença, que não por excesso. Reconhece-se essa maior possibilidade e para ela se pede a devida compreensão. Servimo-nos de numerosos apontamentos de diversas origens e de depoimentos verbais de já velhos operários locais, que na nossa mocidade conhecemos (quase todos já há muito desaparecidos do rol dos vivos), controlando depois as suas informações e juízos críticos. Alguns desses homens conheceram ainda, directa ou indirectamente, vários elementos dessa primeira camada de operários que se formou no Barreiro, depois de 1861, quando, com a abertura à exploração do Caminho de Ferro ao Sul do Tejo, se começou a processar o desenvolvimento industrial do Barreiro.

António José (da Loura) e João da Luz foram os que — desfiando longo rosário de recordações — nos falaram dos tempos mais recuados, seguindo-se-lhes Eduardo Rodrigues da Silva, Augusto dos Santos e, mais modernamente, Joaquim José (este último ainda, felizmente, vivo e há anos residente em Lisboa), todos, por coincidência, naturais do Barreiro, — aos quais ficámos a dever estes elementos que são bem da história do povo, do povo que, afinal, faz a História.

In
O BARREIRO CONTEMPORÂNEO
A grande e progressiva vila industrial

III Volume e Miscelânea (factos e figuras do Barreiro de várias épocas)

por Armando da Silva Pais

Edição da Câmara Municipal do Barreiro – 1971
https://cenaculodobarreiro.com/publicacoes/

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Cortesia de Vítor Cardoso

Endereço

Avenida Alfredo Da Silva Nº 72
Barreiro
2830-301

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