03/04/2020
FinancIES debate soluções financeiras para as IES durante a pandemia do Covid-19
Diante das dificuldades e incertezas econômicas geradas pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a segunda videoconferência realizada nesta quarta-feira (01/04) pelo Fórum dos Executivos Financeiros para as Instituições de Ensino Privadas do Brasil (FinancIES) debateu soluções como linhas de crédito e produtos para as IES durante e após o período de crise mundial.
A próxima videoconferência já está agendada para esta sexta-feira (03/04), às 14 horas, sobre o tema “A pandemia de Covid-19 e suas implicações legais na educação - abordagem multidisciplinar”, e será realizada pelo FinancIES, Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) e Bichara Advogados, com a participação do presidente do FinancIES, Jeferson Vinhas, da presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup), Elizabeth Guedes, e dos profissionais da Bichara Advogados: Luiz Gustavo Bichara (área tributária), Adriana Astuto (contencioso e arbitragem) Jorge Gonzaga Matsumoto (trabalhista), Chede Suaiden (previdenciária), Luiz Henrique Vieira (empresarial) e Christiana Fontenelle (trabalhista). O link de acesso é bit.ly/AnupBichara .
A atividade online desta quarta-feira (01-04), que contou com a interação de gestores de instituições de ensino de diversas regiões do país, teve início com o secretário-executivo do FinancIES, Adriano Dias Souza, e o presidente do Fórum, Jeferson Vinhas, que contextualizaram os participantes sobre os principais assuntos em discussão na área educacional.
Soluções financeiras como os seguros educacionais foram lembradas por Vinhas, CFO da UniCesumar/PR, que também falou da expectativa de anúncio do Grupo Ânima sobre financiamento aos alunos. Outros representantes de IES, como Taiguara Langrafe, da Fecap/SP, destacou as adaptações realizadas para atendimento aos alunos. Já Vicente Resende, do Instituto Core/SC), disse que a instituição a princípio descarta a concessão de descontos nas mensalidades e buscou recurso junto a custo mensal de CDI+0,47% com garantia de recebíveis à proporção de 1x1 (100%).
Negociação de contratos com prestadores de serviços, principalmente dos setores de limpeza e manutenção, foram alternativas apresentadas por Marcos Gouveia, da UniGranrio (RJ). Ele falou ainda
sobre capital de giro junto a banco privado (Itaú), as dificuldades nas garantias exigidas já que a maioria dos bancos prefere o sistema de hipotecas, e apontou a antecipação de todo o recebível junto às operadoras de cartões de crédito como forma de capitalização.
A opção de financiamento da própria IES para até três mensalidades a custo zero e pagamento no final do curso foi enfatizada por Rodrigo Simão, da UniFeob/SP, que lembrou o objetivo de garantir ao aluno a conclusão do semestre, por isso a IES oferta o Pravaler, embora os estudantes enfrentem dificuldades em atender as exigências da empresa. “A ideia é vender a carteira de recebíveis no futuro. Agora, estamos aguardando o dia 10 de abril para avaliar o impacto da inadimplência”, disse.
Tereza Cristina, da Inapós/MG, perguntou sobre a reposição de aulas teóricas ao término do conteúdo ministrado pelos professores por meio de videoaulas e das aulas práticas. Persistindo a quarentena durante o mês de abril, pretendemos antecipar as férias para maio. O que diz o Sindicato de classe dos professores a respeito da reposição de aulas práticas e antecipação de férias?”, questionou, completando que há forte pressão para concessão de descontos a fim de reduzir os valores das mensalidades e que a IES busca financiamento junto ao BNDES.
Um breve relato sobre a situação das escolas de Minas Gerais foi feito por Luciano Sathler (Izabela Hendrix/MG). Já Edson Ronaldo, da UniFametro/CE, falou sobre a remuneração dos professores pelas videoaulas.
Iram Alves dos Santos, do Liceu Braz Cubas, abordou as dificuldades de acesso às linhas de financiamento da agência paulista de fomento (Desenvolve SP) pela falta de estrutura de análise dos pedidos que aumentaram demasiadamente nas últimas semanas. Ele também disse que, em consulta ao Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo, sobre possível prorrogação dos aumentos salariais da categoria (dissídio em maio), o Sindicato foi taxativo em não abrir mão dessa hipótese.
A dificuldade de acesso às linhas de financiamentos bancários apesar da disponibilização dos agentes governamentais também preocupa Roberto Cavalcanti, da Soluções Projetos (PE). “Elas esbarram nas burocracias dos agentes financeiros. Há altas exigências de garantias reais e a sensação que nos dá é que os agentes do governo estão 'jogando para a plateia' e não chegam para as empresas
a liberação desses recursos”, disse Cavalcanti, alertando para a tentativa de acordos com os sindicatos a fim de evitar que após a crise mundial, as IES não terminem apenas com problemas de liquidez de caixa, mas também com passivo trabalhista alto.
Representante da Quero Educação, Diogo Borges, apresentou o modelo que vem sendo desenvolvido para alunos de uma IES a fim de que possam pagar 30% do valor das mensalidades nos próximos três meses e financiar os outros 70% em até 18 vezes com pagamentos a partir de agosto deste ano. Para as IES, ele propôs a antecipação da carteira de recebíveis a um custo entre 0,9% e 1,8% ao mês, dependendo das características do recebível, e disponibilizou material com apresentação da proposta que pode ser adaptada à realidade de cada IES.