02/01/2013
BBC, 26/12/2012, sobre a Economia brasileira, reproduzindo discussões da revista The Economist: da "Brasilmania" ao ceticismo.
Os baixos investimentos - justificados por insegurança regulatória (intervenções do Governo como as recentes em Telefonia e Energia Elétrica), infraestrutura sofrível ou burocracia paquidérmica - são ponto comum entre as diversas opiniões: 18 % do PIB no Brasil contra 50 % na China e 25 % em Peru, Chile e Colômbia. Queda de juros e ações cambiais - qu...e influenciam diretamente investimentos empresariais - só se refletem a médio e longo prazo.
Nitidamente o crescimento do PIB entre 2004 e 2010 ocorreu pela alta dos preços das commodities - efeito externo - e pelo aumento estimulado do consumo e do crédito - efeito interno. Mas agora os preços estão estáveis ou em queda e a população saturou sua capacidade de endividar-se (daqui para frente mesmo com juros de um dígito o risco de inadimplência corrói qualquer contribuição positiva que pudesse ter nas expectativas empresariais e pessoais).
O efeito externo é mais psicológico do que se pensa: a China representa apenas 2 %, e as exportações são 10 % de nosso PIB.
Conclusões: sem reformas tributárias de verdade (não remendos localizados de estímulo ao consumo via preço e entrada), desburocratização de processos, ambiente empreendedor, maior produtividade e nível de investimentos, política industrial e qualificação de mão-de-obra, estaremos mais fadados a deixar de ser um "BRIC" que encostar nas grandes economias ora baqueadas.
Participaram da discussão nomes de peso como Edward Prescott (Prêmio Nobel de Economia), Jim O'Neill (economista do Goldman Sachs criador do termo "BRIC"), Michael Reid (editor da revista para a América Latina), Marcos Troyjo (Universidade de Columbia), Antonio Prado (Secretário-executivo da Cepal), Pablo Fajnzylber (economista Banco Mundial) e Bresser Pereira (ex-ministro da Fazenda).
Este último chega a defender uma depreciação do Real que o leve R$.2,70 por dólar, patamar este que segundo ele seria o que devolve competitividade à nossa indústria de manufaturados (o nível de R$.2,00 por dólar serveria apenas para o nosso perfil exportador de commodities).
Começou 2013, véspera de Copa do Mundo... Depois Eleições Presidenciais, Olimpíadas. "Precisa-se de Estadistas e Reformadores. Procurar ´Gigante pela própria natureza´".
Em um ano em que o Brasil deixou de ser a 'menina dos olhos' do mercado internacional, BBC ouve criador do termo BRIC, prêmio Nobel, editor da Economist e outras figuras de prestígio sobre como retomar crescimento.