02/05/2023
Largo de Sant'Ana, Rio Vermelho, década de 50. Essa foto traduz o que sempre digo para meus alunos: até a década de 50, Salvador tinha apenas 500 mil habitantes. Agora, é uma cidade com 3 milhões de habitantes. Ou seja, multiplicou sua população seis vezes em apenas sete décadas.
Nenhuma cidade suporta um crescimento populacional tão acelerado sem sofrer graves problemas. Esse processo aconteceu nas principais capitais do Brasil e em cidades polos de algumas regiões.
No caso específico de Salvador, alguns fatores foram preponderantes: a crise nas lavouras do Recôncavo fez grande parte da população do interior migrar pra capital em busca de trabalho; o surgimento da BR324, a grande estrada federal, encurtou as distâncias e facilitou o acesso a Salvador; a criação de pólos industriais em Aratu (CIA) e depois em Camacari (Pólo Petroquímico) atraiu muita gente em busca das oportunidades de empregos bem remunerados.
O resultado foi o crescimento populacional da capital que fez o seu tecido urbano expandir de forma desordenada, sem planejamento, sem infraestrutura. É por isso que Salvador enfrenta graves problemas de habitação, saneamento, abastecimento de água, prestação de serviços públicos, etc. Claro que este crescimento acelerado da população e do tecido urbano também causaram impactos na questão ambiental, na mobilidade e na segurança pública.
Os problemas urbanos e ambientais de Salvador não são pequenos e nem fáceis de solucionar, mas, com inteligência, é possível fazer frente a todos eles.
Uma ideia que considero muito interessante é a criação de um plano de desenvolvimento para todo o estado, baseado nas potencialidades naturais de cada região da Bahia. A ideia seria dar condições às pessoas de viver em diversas cidades do interior sem precisar migrar para a capital. Se o interior do estado oferecesse boas oportunidades de emprego e renda, boa infraestrutura urbana, boas condições de saúde e educação, o fluxo na direção da capital diminuiria muito. E até poderia inverter, fazendo pessoas voltarem para suas terras mães, sem necessidade de viver longe das suas famílias. Não é uma boa ideia? (Pesquisa e texto: Louti Bahia. Foto: AHMS)