12/06/2014
AMOR E EDUCAÇÃO BRASIL!
Muito já foi escrito sobre esse dilema futebol, saúde ou educação, mas "A Copa das Copas" ficará marcada na nossa lembrança como o ápice de uma briga entre namorados apaixonados.
O que vinha se arrastando como uma "DR" sem fim deu origem a um afastamento progressivo, físico e emocional, em que todos os brasileiros foram tornando-se parceiros mais acomodados, apáticos, permissivos e infiéis, de uma nação maravilhosa, mas traumatizada por muitos abusos sofridos na adolescência.
Vestida de um governo imperfeito e maquiada com cores fortes, essa jovem nação sempre buscou a autoafirmação por meios tortos. Foi abusada pelo poder e gostou da submissão, talvez como fuga da realidade e responsabilidade, comuns às jovens de cabeça fraca.
A conquista da sua tão sonhada liberdade ideológica, financeira e sexual não veio acompanhada de educação, e essa jovem acabou se deixando levar pelas más influências. Ela não estava preparada para reconhecer os riscos que corria, nem para escolher com sabedoria seus caminhos.
Ao tornar-se uma linda e sedutora terra de oportunidades, passou de mão em mão, atraindo investimentos cheios de segundas intenções.
A inconsequência lhe conferia status de fácil, quente, e acesso livre a todos os camarotes do mundo. Deslumbrada por tantos presentes e luxúrias descartáveis, viveu intensamente todas as Copas, eleições, experiências e desvarios, sem se preocupar com o futuro.
Após muitos partidos, política e corações, decidiu casar-se com um sapo que se fez príncipe. Apaixonada, acreditou que seria mais uma novela global com final feliz, um amor para a vida toda, mas nossa nação Verde, Amarela e Cafusa de Neve comeu uma bola envenenada. Das cinco estrelas conquistadas no campo, limitou-se a viver com uma só, colocando a bruxa solta no palácio.
Hoje, cansada e doente, a nação Brazuca já não gosta do que vê no espelho. A ressaca veio forte, após tantos carnavais e caipirinhas. Sua aparência não é a mesma, castigada pelo excesso de Sol sem proteção.
Copas fora, esta nação de Felipão e Neymar nunca foi anã. Aquele Dunga ranzinza deu lugar ao Hulk valente, que habita em cada um de nós. Vilões ou heróis, eis a questão que precisamos definir. A impunidade distorce visões e valores, mas ainda podemos usar essa força pelo BEM.
Que hoje seja símbolo desse aprendizado, que o espírito esportivo de luz nos guie, unindo os heróis do nosso povo em prol de uma causa mais digna. Heróis sim, pois são atletas com mentalidade forte, extremamente disciplinados, que jogam dentro das regras e trabalham em equipe para um objetivo comum. Venceram na vida por mérito próprio, são exemplos de algo que nossa educação formal e nossos líderes políticos não são capazes de promover.
Ayrton Senna, Guga, Pelé, Romário, Ronaldo e companhia não têm culpa de inspirarem nosso povo a sorrir e se emocionar. Muito pelo contrário, exercem um papel fundamental de resgatar a esperança, a autoestima e o estado emocional positivo desta nação, no momento em que mais precisamos.
O bom sentimento que o esporte nos traz é uma forma poderosa de amor, que pode sim ser canalizado para a construção da ordem e do progresso que tanto nos faltam.
O esporte ensina nossas crianças a amarem nosso País, nossa bandeira e suas cores, preparando um terreno emocional fértil para nossos heróis professores construírem algo de valor dentro delas, entre uma Copa e outra.
Se o bom sentimento ufanista foi usado no passado para manipular e esconder, não significa que é seja ruim ou desnecessário. Ao contrário, essa paixão nacional que o futebol representa é a mesma que precisamos para nos unir e corrigir nossos graves erros históricos.
O dia oficial do amor está lindo em São Paulo, palco de um momento histórico para o nosso País.
Que este 12 de junho de 2014 seja lembrado como a data símbolo da reconciliação com nossa grande namorada, a nação, resgatando civilidade e entendimento.
Que os corações inflamados finalmente se entendam, se aceitem e se ajudem, elevando o pensamento de fé em um futuro melhor.
Futebol é um jogo, mas educação é a chave.
Paz de espírito e boa Copa.
Feliz Dia dos Namorados, Brasil!
Sergio Buaiz