11/10/2025
Resumo semanal
*Governo lança novo crédito imobiliário para ampliar acesso à moradia*
O governo federal anunciou um novo modelo de crédito imobiliário, com ampla reformulação das regras do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e do uso da poupança como fonte de recursos. O objetivo é ampliar o acesso ao financiamento da casa própria, especialmente para a classe média, que vinha ficando fora dos programas habitacionais.
O Conselho Monetário Nacional (CMN) alterou as regras de direcionamento obrigatório dos depósitos de poupança, permitindo que os bancos utilizem os recursos de forma mais eficiente — inclusive com LCIs e LIGs. O Banco Central também ajustou o compulsório da poupança, permitindo deduzir até 5% do saldo aplicado em crédito imobiliário.
O modelo atual (65% para habitação, 15% livres e 20% no BC) será substituído por um sistema proporcional ao volume total de depósitos, integrando o SFH e o SFI. Isso deve aumentar a oferta de crédito e reduzir custos de financiamento, sem comprometer a solidez do sistema.
O valor máximo dos imóveis financiados pelo SFH passará de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, beneficiando famílias de renda intermediária. A Caixa Econômica Federal deve financiar 80 mil novas moradias até 2026, impulsionando o setor da construção civil.
O governo também pretende reverter a fuga de recursos da poupança, que acumula retiradas bilionárias desde 2023. Com o novo modelo, o crédito habitacional estará diretamente ligado ao volume de depósitos, criando um “círculo virtuoso”: quanto mais a população poupar, mais crédito será disponibilizado.
Segundo o presidente Lula, a iniciativa busca atender brasileiros que “trabalham, pagam impostos e sonham com a casa própria”, modernizando o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e fortalecendo o financiamento habitacional no país.
*MP 1.303: Derrota do governo, vitória do investidor*
O governo sofreu uma derrota no Congresso, com a retirada de pauta e consequente expiração da Medida Provisória 1.303/25, que previa aumento de impostos sobre bancos, apostas e investimentos financeiros. A decisão foi aprovada por 251 votos a 193, e o governo deixará de arrecadar cerca de R$ 17 bilhões em 2026, dificultando o cumprimento da meta fiscal.
Apesar de ser um revés político, o mercado financeiro reagiu positivamente, pois a MP significava mais carga tributária e insegurança jurídica.
Entre os principais pontos da proposta, estava o fim da tabela regressiva do Imposto de Renda para investimentos, substituída por uma alíquota única de 18%, válida também para aplicações antigas. Essa mudança reduziria o retorno líquido dos investidores, desestimularia investimentos de longo prazo e poderia afetar a demanda por títulos públicos, especialmente os de vencimentos mais longos, aumentando o custo da dívida e pressionando os juros.
A medida também aumentava a distorção entre títulos isentos de IR (como LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas) e os não isentos, favorecendo o crédito privado em detrimento do Tesouro Nacional — o oposto do que o governo alegava buscar.
Em resumo, a não aprovação da MP foi bem recebida pelo mercado, por evitar incertezas tributárias e desincentivos ao investimento produtivo. O desafio agora será o governo encontrar alternativas de arrecadação ou cortar gastos para compensar a perda fiscal e manter a confiança dos investidores.
*Trump impõe tarifa de 100% sobre a China a partir de novembro*
O presidente Donald Trump anunciou uma nova rodada de tarifas de 100% sobre produtos importados da China, com início em 1º de novembro. As tarifas se somam às já existentes, elevando fortemente o custo dos produtos chineses nos Estados Unidos.
Segundo Trump, a medida visa proteger a indústria americana e reduzir o déficit comercial com Pequim. Além das tarifas, o governo também imporá restrições à exportação de softwares críticos, ampliando o controle sobre tecnologias sensíveis e podendo impactar empresas americanas do setor de tecnologia.
A decisão intensifica a disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo, e analistas alertam para riscos de retaliação chinesa, maior volatilidade nos mercados e pressões nas cadeias globais de produção, especialmente em eletrônicos e semicondutores.
Trump também acusou a China de tentar monopolizar o mercado de terras raras e sinalizou que pode ampliar ainda mais as tarifas. Em meio à escalada das tensões, o presidente afirmou que não vê mais motivos para se reunir com Xi Jinping durante a próxima Cúpula da APEC, na Coreia do Sul.
*Mercado (Resumo da Semana):*
📈 Ibovespa > 140.680,34 pontos (-2,44%) 
💵 Dólar > R$ 5,53 ⬆️
💶 Euro > R$ 6,40 ⬆️ 
📊 Selic > 15,00% a.a.
💳 CDI > 14,90% a.a.
💳 Poupança > 0,5% ao mês + TR
⏪ Inflação 12 meses > 5,17%