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Negócio Itaú-BMG deve acalmar mercadoO Estado de S. Paulo - 11/07/2012Analistas e banqueiros esperam que pressão sobre i...
11/07/2012

Negócio Itaú-BMG deve acalmar mercado
O Estado de S. Paulo - 11/07/2012

Analistas e banqueiros esperam que pressão sobre instituições menores, que aumentou desde intervenção no Cruzeiro do Sul, diminua


LEANDRO MODÉ - O Estado de S.Paulo



A associação entre Itaú e BMG, que cria um banco de R$ 1 bilhão especializado em crédito consignado, deve amenizar as tensões no sistema bancário brasileiro. Desde que o Banco Central (BC) interveio no Cruzeiro do Sul, há pouco mais de um mês, instituições de pequeno e médio portes viram secar suas principais fontes de recursos.

Além disso, aumentou a pressão sobre bancos cujo modelo de negócio havia sido posto em xeque por investidores e analistas. Um deles era justamente o BMG. Ontem, o banco mineiro anunciou uma parceria com o Itaú, a maior instituição financeira privada do País. O acordo criou o Banco Itaú BMG Consignado S.A., com capital inicial de R$ 1 bilhão, sendo 70% do Itaú e 30% do BMG.

Na joint venture, o BMG será o principal responsável pela geração de créditos, utilizando, para isso, a expertise que desenvolveu nesse mercado nos últimos anos. Ao Itaú caberá prover capital para a operação.

"A expectativa é de que esse negócio dê uma acalmada no mercado", afirmou o analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu. "O desenho da operação entre Itaú e BMG pode servir de modelo para o mercado todo", afirmou um banqueiro que pediu para não ser identificado.

"Bancos menores, como o meu, têm força para originar crédito. Mas falta capital e uma "placa" importante", acrescentou. Ainda segundo esse profissional, a repercussão do negócio Itaú/BMG foi "bastante positiva" no mercado ontem.

Nas últimas semanas, executivos de bancos pequenos e médios relataram dificuldades para captar recursos. O dinheiro ficou mais escasso e, consequentemente, caro. "Não consigo manter o foco em meu plano de negócio para o ano. Tenho de ficar de olho na liquidez", disse um deles, que pediu anonimato.

As dúvidas sobre o futuro do BMG estavam centradas no modelo de negócio semelhante ao do Cruzeiro do Sul, altamente dependente dos empréstimos consignados. Para se ter uma ideia, a carteira atual do BMG em consignados soma R$ 28 bilhões, quase três vezes superior à do Itaú, de R$ 10 bilhões.

Para analistas e investidores, o consignado deixou de ser bom negócio para os bancos menores porque os ganhos não compensam os custos elevados da operação. Como essas instituições não têm rede de agências, são obrigadas a pagar comissões altas para correspondentes bancários - os conhecidos "pastinhas".

Além disso, o crédito consignado dificilmente chega até o final. Normalmente, o cliente "pré-paga" o empréstimo no meio do caminho, o que diminui a margem do banco no negócio.

Para completar, desde o caso Panamericano, o custo de captação dos bancos pequenos e médios subiu, em grande medida porque secou um tipo de transação que era muito comum. Trata-se da cessão de crédito, pela qual os menores repassavam carteiras inteiras para os maiores. As fraudes no Panamericano concentravam-se na operação.

No ano passado, o BMG comprou o banco Schahin, que tinha problemas. Na ocasião, o BMG recebeu um aporte de R$ 1,5 bilhão. Parte veio da família dona do banco (Pentagna Guimarães) e outra parte (R$ 800 milhões) do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo o presidente do BMG, Ricardo Guimarães, o FGC não participou das negociações do banco com o Itaú.

10/07/2012

Fisco apressa devolução de R$ 2,6 bi do IR
Folha de S. Paulo - 10/07/2012


DINHEIRO VAI CHEGAR A 2,46 MILHÕES DE BRASILEIROS NA SEGUNDA E DEVE REDUZIR DÍVIDAS E INCENTIVAR CONSUMO

Orientação do governo é evitar segurar restituições e acelerar liberações sempre que o caixa do Tesouro permitir


LORENNA RODRIGUES
VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA




Preocupado com o ritmo lento da economia brasileira, o governo vai liberar na próxima semana o maior lote de restituição de Imposto de Renda da história, mais uma medida para tentar reaquecer a economia neste ano.

Os R$ 2,6 bilhões serão creditados na próxima segunda-feira, dia 16, na conta de 2,46 milhões de contribuintes.

A consulta sobre a inclusão ou não nesse lote já pode ser feita a partir das 9h de hoje, no site da Receita Federal.

O recorde de restituição do IR da pessoa física, segundo assessores presidenciais, faz parte do conjunto de medidas do governo para tentar reaquecer a economia brasileira, garantindo mais fôlego para os consumidores neste segundo semestre.

Será o segundo lote deste ano, que inclui pagamentos referentes ao Imposto de Renda do ano passado e restituições residuais dos quatro anos anteriores.

No mês passado, o governo já havia liberado um lote de volume recorde, com R$ 2,5 bilhões. No ano passado, os dois primeiros lotes pagaram, juntos, R$ 4 bilhões.

ÂNIMO AO MERCADO

Segundo a Folha apurou, a orientação no governo é não só evitar segurar restituições para não criar insatisfação na população como acelerar as liberações sempre que o caixa do Tesouro permitir.

Na avaliação de assessores, a medida não pode ser interpretada como algo que venha para "salvar" a economia num ano fraco, mas vai contribuir para dar mais ânimo ao mercado em duas linhas: garantir mais dinheiro no bolso dos contribuintes tanto para aquecer o consumo como para pagamento de dívidas.

Técnicos destacam a importância de auxiliar os contribuintes a quitar débitos num momento em que a inadimplência está elevada, o que ajuda a desacelerar o ritmo do país. O mais recente dado do Banco Central mostrou que ela bateu em 6% em maio, nível recorde.

Com isso, o governo espera que a população possa aumentar seu espaço para assumir novas dívidas e, assim, elevar as vendas.

A decisão está em linha com o desejo do Palácio do Planalto de não provocar notícia negativa neste momento na economia, buscando combater o pessimismo que levou o empresariado a travar seus investimentos.

O governo já trabalha com um crescimento em 2012 de apenas 2%, menor do que a projeção oficial do Banco Central, de 2,5%, e abaixo do registrado no ano passado, quando o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 2,7%.

Há anos, o governo vem dosando o pagamento de restituições de acordo com a temperatura econômica.

Em 2009, o Ministério da Fazenda orientou a Receita Federal a deixar alguns lotes que deveriam ser pagos naquele ano para o seguinte, como forma de aumentar o caixa público, debilitado pela crise internacional que afetou o país naquela época.

Depois da repercussão negativa da notícia, revelada pela Folha, a equipe econômica voltou atrás da decisão por determinação do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

IDOSOS NA FRENTE

Segundo o economista e professor da Fundação Getulio Vargas Francisco Vignolli, a injeção de recursos deverá ter o efeito esperado.

"Isso deve ter um significado para o momento, sim, principalmente porque vai refletir no aumento do consumo. Além disso, vai servir para que as pessoas quitem suas dívidas e aumentem sua capacidade de endividamento", afirmou.

No segundo lote, serão beneficiados contribuintes idosos e os que tenham entregado declarações -sem pendências- no mês de março.

Contribuintes que não estiverem nesse lote de restituição podem verificar sua situação com o fisco no site da Receita.

Fisco apressa devolução de R$ 2,6 bi do IR Folha de S. Paulo - 10/07/2012    DINHEIRO VAI CHEGAR A 2,46 MILHÕES DE BRASI...
10/07/2012

Fisco apressa devolução de R$ 2,6 bi do IR
Folha de S. Paulo - 10/07/2012


DINHEIRO VAI CHEGAR A 2,46 MILHÕES DE BRASILEIROS NA SEGUNDA E DEVE REDUZIR DÍVIDAS E INCENTIVAR CONSUMO

Orientação do governo é evitar segurar restituições e acelerar liberações sempre que o caixa do Tesouro permitir


LORENNA RODRIGUES
VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA




Preocupado com o ritmo lento da economia brasileira, o governo vai liberar na próxima semana o maior lote de restituição de Imposto de Renda da história, mais uma medida para tentar reaquecer a economia neste ano.

Os R$ 2,6 bilhões serão creditados na próxima segunda-feira, dia 16, na conta de 2,46 milhões de contribuintes.

A consulta sobre a inclusão ou não nesse lote já pode ser feita a partir das 9h de hoje, no site da Receita Federal.

O recorde de restituição do IR da pessoa física, segundo assessores presidenciais, faz parte do conjunto de medidas do governo para tentar reaquecer a economia brasileira, garantindo mais fôlego para os consumidores neste segundo semestre.

Será o segundo lote deste ano, que inclui pagamentos referentes ao Imposto de Renda do ano passado e restituições residuais dos quatro anos anteriores.

No mês passado, o governo já havia liberado um lote de volume recorde, com R$ 2,5 bilhões. No ano passado, os dois primeiros lotes pagaram, juntos, R$ 4 bilhões.

ÂNIMO AO MERCADO

Segundo a Folha apurou, a orientação no governo é não só evitar segurar restituições para não criar insatisfação na população como acelerar as liberações sempre que o caixa do Tesouro permitir.

Na avaliação de assessores, a medida não pode ser interpretada como algo que venha para "salvar" a economia num ano fraco, mas vai contribuir para dar mais ânimo ao mercado em duas linhas: garantir mais dinheiro no bolso dos contribuintes tanto para aquecer o consumo como para pagamento de dívidas.

Técnicos destacam a importância de auxiliar os contribuintes a quitar débitos num momento em que a inadimplência está elevada, o que ajuda a desacelerar o ritmo do país. O mais recente dado do Banco Central mostrou que ela bateu em 6% em maio, nível recorde.

Com isso, o governo espera que a população possa aumentar seu espaço para assumir novas dívidas e, assim, elevar as vendas.

A decisão está em linha com o desejo do Palácio do Planalto de não provocar notícia negativa neste momento na economia, buscando combater o pessimismo que levou o empresariado a travar seus investimentos.

O governo já trabalha com um crescimento em 2012 de apenas 2%, menor do que a projeção oficial do Banco Central, de 2,5%, e abaixo do registrado no ano passado, quando o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 2,7%.

Há anos, o governo vem dosando o pagamento de restituições de acordo com a temperatura econômica.

Em 2009, o Ministério da Fazenda orientou a Receita Federal a deixar alguns lotes que deveriam ser pagos naquele ano para o seguinte, como forma de aumentar o caixa público, debilitado pela crise internacional que afetou o país naquela época.

Depois da repercussão negativa da notícia, revelada pela Folha, a equipe econômica voltou atrás da decisão por determinação do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

IDOSOS NA FRENTE

Segundo o economista e professor da Fundação Getulio Vargas Francisco Vignolli, a injeção de recursos deverá ter o efeito esperado.

"Isso deve ter um significado para o momento, sim, principalmente porque vai refletir no aumento do consumo. Além disso, vai servir para que as pessoas quitem suas dívidas e aumentem sua capacidade de endividamento", afirmou.

No segundo lote, serão beneficiados contribuintes idosos e os que tenham entregado declarações -sem pendências- no mês de março.

Contribuintes que não estiverem nesse lote de restituição podem verificar sua situação com o fisco no site da Receita.

10/07/2012

http://jornalonline.net/site/valor-economico.jpg

O caminho para reduzir o papel dos bancos públicos
Valor Econômico - 10/07/2012




O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ao Valor que foi a atuação dos bancos públicos ao longo da crise internacional que impediu a maior desaceleração da economia brasileira. A oferta de crédito subsidiado pelo BNDES deve continuar enquanto as instituições financeiras privadas não assumirem o papel de oferecer financiamento de longo prazo: "O setor privado não gosta disso. Mas eu falo para eles: no dia em que vocês estiverem presentes, emprestando no longo prazo, eu reduzo o BNDES", afirmou Mantega.

Para o ministro, se a economia dependesse apenas da oferta de crédito dos bancos privados, haveria até recessão. Na sua avaliação, os bancos privados têm uma postura pró-cíclica de emprestar muito quando a economia cresce com força e reduzir a oferta de crédito quando a atividade se enfraquece. Foi a euforia dos bancos no financiamento de veículos, em 2010, que causou o aumento da inadimplência, exigindo as medidas macroprudenciais.

O ministro tem razão em alguns pontos e nem tanto em outros. O estouro da crise, no fim de 2008, realmente travou as operações de crédito no ano seguinte. Quando a oferta internacional de crédito secou, os bancos privados fecharam as torneiras no mercado interno e vários estrangeiros até reduziram as carteiras. O crédito privado cresceu apenas 3% nominais em 2009, o que significa uma redução das carteiras em termos reais.

Foi quando o governo acionou os bancos públicos, que aumentaram as carteiras em 32,8%, e só o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ampliou o crédito em 35%. Parte do crescimento das carteiras dos bancos públicos é explicada pela aquisição de 50% do Banco Votorantim, especializado em financiamento de veículos, pelo Banco do Brasil (BB), o que justifica também parcialmente a redução do crédito privado.

Mas é inegável o aumento da oferta de crédito pelos bancos públicos a partir daí. Antes da crise, em 2007, os bancos públicos eram responsáveis por 30% do crédito oferecido pelo sistema financeiro; atualmente, por 40%. O crédito dos bancos públicos cresceu de 15,4% do Produto Interno Bruto (PIB) para 22,3% atualmente. Já a carteira dos bancos privados passou de 22% para 27,8% do PIB.

Não se pode, porém, criticar os bancos privados por oferecerem crédito quando a economia cresce e vice-versa. Assim como qualquer empresa, os bancos dependem da demanda. Quando a economia reagiu em 2010, crescendo 7,5%, a oferta de crédito pelos bancos privados voltou a aumentar. O aumento da oferta de financiamento para veículos, por exemplo, veio na esteira das medidas do governo de estímulo à economia, entre as quais a redução do IPI para automóveis.

No entanto, mesmo com a economia de vento em popa e sem solavancos não se pode esperar que os bancos assumam papel importante no financiamento de longo prazo pelo funding de curto prazo. Há décadas essa função passou para o mercado de capitais, com a captação por meio de títulos de longo prazo de renda fixa ou ações. No Brasil, a expansão do mercado de ações foi contida pela crise internacional; e a de títulos privados de longo prazo esbarrou nos juros altos, que levam o investidor para os títulos públicos e assustavam as empresas.

A declarada intenção do governo de reduzir os juros básicos abre uma inusitada oportunidade para os títulos privados de longo prazo. Cientes disso, empresas reunidas no Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) apresentaram ao governo projeto para incentivar a captação de recursos de longo prazo no mercado de capitais, que inclui estímulos fiscais aos investidores que aplicarem em títulos vinculados a projetos de infraestrutura e garantias firmes dos bancos públicos. Algumas demandas já foram atendidas, mas ainda é necessário eliminar dúvidas jurídicas.

Se esse mercado deslanchar, o governo poderá, como deseja Mantega, reduzir a pressão sobre o BNDES, que teve um papel importante em ancorar a economia nesses anos de crise, mas a um custo fiscal elevado. Para ampliar os créditos, o BNDES recebeu recursos do Tesouro que eram menos de R$ 10 bilhões no início de 2008 e estavam ao redor de R$ 300 bilhões no início deste ano, de acordo com pesquisa do economista Mansueto Almeida, sem contar os R$ 55 bilhões que serão injetados neste ano. Para levantar esses recursos o Tesouro se endivida pagando juros superiores aos cobrados nos empréstimos do BNDES. Esse custo fiscal, segundo apurou o economista junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), foi de R$ 22,8 bilhões só em 2011, somou R$ 7,6 bilhões em 2010 e R$ 1,4 bilhão em 2009.

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10/07/2012

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