11/05/2026
O mês de abril mostrou que o mercado entrou em uma nova fase: ainda há apetite por risco e fluxo relevante para a bolsa brasileira, mas a tolerância dos investidores aos ruídos externos parece menor do que nos últimos meses. Depois de uma sequência histórica de recordes no início do ano, o Ibovespa praticamente zerou abril — encerrando o período com leve estabilidade —, mas ainda sustentando uma das melhores performances do mundo em 2026. O curioso é que, mesmo após semanas marcadas por guerra no Oriente Médio, volatilidade no petróleo e realização parcial de lucros, o mercado brasileiro continuou demonstrando resiliência.
Essa resistência tem uma explicação importante: o fluxo estrangeiro segue sendo o principal motor da bolsa. O Brasil continua atraindo capital em um ambiente global mais desconfortável para os Estados Unidos, com investidores buscando diversificação, juros elevados e mercados ainda descontados. Além disso, o país reúne algumas características que se tornaram raras no cenário atual: forte exposição a commodities, taxa de juros real elevada e um mercado relativamente líquido dentro do universo emergente. Não por acaso, mesmo após momentos de estresse mais intenso em abril, o estrangeiro voltou a comprar bolsa brasileira nas quedas.
Ao mesmo tempo, abril também deixou mais claro que esse movimento não é totalmente linear. O Ibovespa viveu “dois mundos” ao longo do mês: chegou muito próximo dos 200 mil pontos em meio ao forte otimismo com fluxo estrangeiro e expectativa de queda da Selic, mas perdeu força conforme o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã ganhou novos capítulos. Nos últimos dias do mês, inclusive, houve saída líquida relevante de capital estrangeiro da bolsa brasileira, mostrando que, embora o Brasil siga bem posicionado nesse ambiente global, esse fluxo continua bastante sensível ao aumento das incertezas. O petróleo voltou a ocupar o centro das atenções, trazendo preocupação sobre inflação global e juros mais altos por mais tempo. Esse continua sendo o principal risco para os mercados: um choque prolongado de energia poderia mudar completamente o cenário que sustentou a alta dos ativos até aqui.
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