Câmara de Comércio, Industria Ciência e Tecnologia Brasil-Moçambique

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A Câmara de Comércio Industria Ciência e Tecnologia Brasil-Moçambique, foi fundada como uma associação sem fins lucrativos, em conformidade com as leis brasileiras, com o objetivo de promover e apoiar o comércio e investimentos entre o Brasil e Moçambique, comprometida com o conceito de economias de mercado aberto e competitivo, respeitando a sustentabilidade social e ambiental, e apoiar a divulga

ção e promoção da adoção de elevados padrões de conduta empresarial,cultural e esportiva e religiosa. Para atingir tais objetivos, a Câmara desenvolve "rede" de iniciativas, produz publicações, organiza eventos e presta serviços a empresas coletivas e individuais, manter boas relações com entidades governamentais, industriais e de organizações comerciais, bem como outras organizações, em ambos os países. Sua diretoria é composta por executivos que representam partes importantes na relação comercial bilateral entre o Brasil e Moçambique, independentemente da sua origem ou nacionalidade. Seu maior valor acrescentado está na estratégica assistência administrativa, jurídica, fiscal e prática em todos os outros campos a estrutura de negócios.Nossa meta será contar com muitos fornecedores de serviços especializados, entre suas empresas associadas.

12/01/2022
15/09/2017
17-02-2017  capanotíciasvida e lazer VIDA E LAZERRomualdo: diplomacia não me tirou da música2017-02-17 09:04:33 (UTC+00:...
17/02/2017

17-02-2017
capanotíciasvida e lazer


VIDA E LAZER
Romualdo: diplomacia não me tirou da música
2017-02-17 09:04:33 (UTC+00:00)

“É extremamente importante ter formação. Acho interessante e bonito ver um músico com um nível universitário, ou mesmo médio. Gostaria de apelar que à juventude não enveredasse pela música como forma de aparecer no palco.

Devem encarar a música como indústria. Uma profissão. Mas o sucesso deve ser não só da responsabilidade dos músicos, mas de todos intervenientes no sector. Agora ir ao palco só para aparecer não é sustentável. O músico deve olhar para o futuro para si e para a sua família. Há músicos que acabam na desgraça, na bebedeira, e isso é triste. Mas os músicos é que têm a responsabilidade sobre o seu futuro”. Estas palavras são da autoria de Romualdo Lodino do Carmo Johnam, ou simplesmente Romualdo, um músico já á beira de completar 60 anos de vida. Natural da beira, e que de resto dispensa apresentação. Actualmente, está fora dos palcos, porque prefere dedicar-se exclusivamente a diplomacia, mas promete reaparecer em público, com novas músicas.
Nessa aparição o público vai certamente cobrar-lhe músicas antigas como “Eu Preciso de Você”, “Nthambani ngo simba”, “Ntombozana”, entre outras. Diz que as que tem gravadas são cerca de 50, e que as conhece de cor e salteado. De vez em quando vem a Moçambique em missão de serviço ou de férias. O nosso jornal manteve uma conversa amena, da qual extraímos as partes que julgamos interessantes.

Folha de Maputo (FM) - Quando e que começa a a levar a música a sério? ?

Romualdo (R) – Olha, em 1977 gravo na Rádio Moçambique. “Nthambani ngo simba”, e “liberdade”. Em 1980 fiz uma série de gravações, onde volto a gravar, o “Nthambani ngo simba”, “Eu preciso de você”, que foi um grande sucesso, o “Ntombozana”. A partir dai não parei mais. Foi só gravar, gravar, gravar.

FM – Tem noção de quantas músicas já compôs?

R – Sim tenho. Gravei três cassetes, com 30 músicas, mais dois CD’s, com oito músicas cada. Portanto, tenho cerca de 50 músicas.

FM – Pode cantar a qualquer momento?

R - É só dizer o que você quer ouvir. Essa é sorte que Deus melhor. Não preciso de nenhuma cábula.

FM – Tem vídeo clip gravado?

R – Não, mas tenho filmes de espectáculos que passam nas televisões. O “Eu preciso de você” ganhou mais notariedade por casa da televisão, em 1990. Não tenho vídeos clips feito genuinamente. Quis fazer isso, mas fugi. Não estava muito satisfeito com a forma como as coisas eram feitas. E verdade que nem todos eram maus. Não estava satisfeito, dei prioridade à minha formação. Já estava no ensino superior. Estava no Instituto Superior de Relações Internacionais, a fazer relações internacionais e diplomacia e então disse: hei-pá paro. E pensei que se calhar com canudo podia fazer uma coisa melhor.

FM – O bichinho da música não ficou prejudicado nem substituído pela diplomacia?

R – Não.

FM – Mas, então como é que consegue fazer essa conciliação. Para mim parece que uma actividade acaba por ofuscar a outra. Pensa da mesma forma?

R – Uma actividade não é muito oposta à outra. Um músico sem querer acaba por ser diplomata. Ele transmite aquilo que é o seu povo, o seu país. Há coisas especif**as na diplomacia em que a música está sempre presente.
A música casa-se muito perfeitamente com a diplomacia.

FM – No Brasil costuma cantar em público, ou mesmo em círculos privados?

R – Canto mais em eventos restritos. Quando Cheguei lá um mês depois fui agraciado com um espectáculo que não tive como fugir. O meu embaixador na altura já falava de mim antes de eu chegar. Isso criou curiosidade nas pessoas que perguntavam como é que um músico podia ser também diplomata. Ele só dizia que olha vocês vão ver o gajo aqui. Foi num espectáculo do dia de África em que estavam todos os embaixadores africanos no Brasil, e os governantes brasileiros convidados e mesmo embaixadores de outros países não africanos. Devo dizer que rebentei com a escala. Os gajos chamaram o meu embaixador e perguntaram: esse gajo é mesmo diplomata? Ou o gajo é cantor. Ultrapassei a expectativa. Eles pensavam que era um cantor entusiasta. Mas quando viram a minha presença em palco, a forma como me comunicava com a plateia, hei-pá, os gajos f**aram pasmados.

FM – E daí não nasceram convites para ir actuar em países africanos?

R – Surgiram convites. E um deles foi para ir tocar no Gana, outro para o Zimbabwe e Nigéria. Só que infelizmente recusei. Disse-lhes que a minha actividade não permitia muita movimentação. Acabava de chegar e ainda estava num processo de ambientação. A não ser que fosse um evento com forte envolvimento governamental. Ai podia encontrar forma de lá ir.
No Brasil já fui convidado para fazer discos, para gravação de músicas moçambicanas. Quero acreditar que se tudo correr bem para o ano vou fazer as minhas gravações.

FM – Os músicos moçambicanos têm espaço no Brasil?

R – Claro que têm espaço no Brasil. Tenho estado a fazer um trabalho muito forte junto da Secretaria de Cultura brasileira nos vários domínios para levar aquilo que é potencial da música, da escultura e a moda. Estamos a negociar para ver se conseguimos fazer no fim do ano ou nos princípios do próximo ano, um evento multicultural. Eles gostam da música moçambicana, mas é pouca gente que conhece. A música moçambicana quando chegar no Brasil vai ter espaço. Falo com a experiência das minhas músicas. Quando ouvem perguntam: mas isto é de Moçambique?
Agora olha para o manancial musical que existe no pais. Este é o grande desafio que tenho. Divulgar a cultura moçambicana lá. Estas a ver a diplomacia musical? Os brasileiros tem uma grande apetência pela cultura de Moçambique. Há qualquer coisa que lhes toca sobre nós.
Eles adoram o nosso pais e o seu povo. Eles gostam da nossa humidade. Temos que divulgar muito o que é nosso. Esta questão de intercâmbio cultural é muito importante.
Temos lá raízes. Veja que numa das minhas visitas que fiz a Minas Gerais descobri uma comunidade, os Quilombolas, que se afirmam descendentes de moçambicanos. Pelos relatos que nos dão, deixam perceber que são de Moçambique. São filhos de Moçambique. Querem vir para aqui. Mas nem sabem donde de facto são oriundos os seus ascendentes. Só sabem que são de Moçambique. Em Barbacena também existe uma pequena comunidade que nos momentos de eventos eles manifestam o lado moçambicano. Têm uma festa chamada festa Congada e de Moçambique.
Então nós estamos a explorar isso. Temos que fazer uma pesquisa. Querem vir para aqui e dizem mesmo que são moçambicanos. Imagine que quando chegamos lá, só de saber que somos de Moçambique e éramos embaixada, f**aram comovidos. Sentiram que nós somos deles. Eles querem vir ver aqui e conhecer as raiz deles.

FM – Mas pessoalmente o que acha da música que se faz cá nos tempos que correm?

R - Devo dizer que a música moçambicana evoluiu. Agora tem problemas. Toda a evolução traz os seus problemas. Hoje toca-se mais com base nas tecnologias, computador, do que com o ser humano. Então nós devíamos saber capitalizar isso. Nalgum momento, principalmente na camada jovem, mas não dentro do chamado conflito de gerações. Eu julgo que não há conflito nenhum. Nalgum momento há uma ala da juventude que canta mas não diz nada. Não traz nada de mensagem positiva. Uma música de péssima qualidade. Esse tipo de música não tem campo no Brasil. Se tivermos que levar música da nova geração só dois ou três é que podem ser levados. O resto não vale a pena. Temos que levar música de raiz.
Mas, é preciso reconhecer que há jovens que fazem coisas bonitas. Nestas coisas da música há que desenhar um plano Estratégico. Com metas. Com envolvimento não só Estado, mas do empresariado, de modo a ter um produto que se possa vender fora do país. Bom. A música precisa de ser colocada no devido lugar. A imprensa hoje é maioritariamente privada. As rádios olham para o lado comercial. Querem vender a todo o custo. Apostam na música ensardinhada. Consomes hoje, mas dentro de pouco tempo já não queres ouvir. Há musica que nascem mas não demoram morrer. Em Moçambique temos um património importante de música.
Se alguém se lembrar de pegar nas músicas antigas, dos anos 60, 70 e fazer uma reedição, acredito que essa pessoa vai ganhar muito dinheiro.

FM – O Tributo a Alexandre Langa já esta a fazer sucesso…..

R – Quando soube disso estava no Brasil. Disse de mim para mim que quem se lembrou de fazer aquilo… foi fenomenal. Mas temos que fazer mais. Para repor a verdade. A nova geração tem que ter isso como ponto de referência. Nas escolas os alunos têm que conhecer o Alexandre Langa, não só a sua musica. Têm que saber quem ele foi. O Mahecuane, o Wazimbo… senão a nossa pequenada f**a sem saber as raízes da nossa música. É preciso falar sempre do F***y Mpfumo.

FM – E para o povo da Beira, sua terra natal, que mensagem tem? Não promete um espectáculo para matar saudades ou a diplomacia não lhe deixa fazer isso?

R – (Risos) a diplomacia deixa-me fazer e bem. Estou a pensar quando vier, naturalmente, no âmbito do intercâmbio que estamos a fazer com o Brasil, o povo vai ter oportunidade de me ouvir. Acho que não faria sentido vir para cá e f**ar nos bastidores. Acho que o povo da Beira e de Moçambique no geral iria me exigir. Iriam perguntar este tipo já é diplomata, já não canta, o que é isso? A música está dentro de mim. Em casa sempre que posso pego numa viola e ponho-me a tocar.

FM - Também continua a criar novas músicas?

R – Agora tenho uma série de músicas novas. Por isso que disse que tenho que editar uma obra nova no Brasil.

FM – O que nos reserva essa obra nova?

R – Isso f**a no segredo dos deuses. Prefiro trazer essa obra e apresentá-la, e dizer aqui está.

FM – Em Moçambique o grande problema na edição de discos é a pirataria. O que pensa sobre este fenómeno?

R – A questão da pirataria é alarmante. Mas, não é um mal fácil de combater. Enquanto vemos a pirataria através de CD’s que são vendidos na rua, é preciso notar que outra que se faz através da internet. É fácil fazer a pirataria através da internet. Cd’s podes ir ao fabricante e apreender, mas internet já não.
Como controlar isso?

FM – Romualdo, que mensagem tem os músicos mais novos? É dos poucos que singrou na música e na área social. Qual e o segredo?

R – É extremamente importante ter formação. Acho interessante e bonito ver músico com um nível universitário, ou mesmo médio. Gostaria de apelar que a juventude não enveredasse na música como forma de aparecer no palco. Devem encarar a musica como indústria. Uma profissão. Mas o sucesso deve ser não só da responsabilidade dos músicos, mas de todos intervenientes no sector. Agora ir ao palco só para aparecer não “e sustentável. O músico deve olhar para o futuro para si e para a sua família. Há músicos que acabam na desgraça, na bebedeira, e isso é triste. Mas os músicos e que tem a responsabilidade sobre o seu futuro.
*Entrevista conduzida por LOBÃO JOÃO

No dia 12 de julho, tivemos a honra de sermos recebidos pelo Ministro de Turismo e Cultura de Moçambique Dr Silva Dundur...
15/08/2016

No dia 12 de julho, tivemos a honra de sermos recebidos pelo Ministro de Turismo e Cultura de Moçambique Dr Silva Dunduro, e o Conselheiro de Turismo e Cultura da Embaixada de Moçambique no Brasil, Romualdo Johnam em Maputo. Entre variados assuntos discutidos o destaque foi sobre o crescimento de brasileiros descobrindo Moçambique como destino turístico e o interesse de empresas brasileiras investindo cada vez mais no país.

27/06/2016

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