29/10/2014
O Brasil pagou para ver, tomara que a Dilma não faça o mesmo.
Economia não é uma ciência exata. Apesar dos inúmeros cálculos e análises de dados, a eficiência das teorias econômicas f**a ao sabor das diferentes reações humanas aos mais diversos incentivos existentes. A complexidade de cada sociedade e de suas integrações leva, muitas vezes, a erros de previsão dos economistas, independente de suas linhas de pensamento. Nas eleições deste ano testemunhamos severas criticas ao atual governo e ao modelo econômico adotado, que segue uma linha heterodoxa, pautada em intervenções governamentais e flexibilidade em relação às contas publicas e ao combate à inflação. Dentre os avanços econômicos e sociais conquistados na era Lula, muitos se devem à adoção de políticas em linha com o pensamento ortodoxo, com atuação pontual nas regras que permitiram maior eficiência na economia, como a extensão do credito consignado à folha de pagamentos; e menos intervencionista como a oferta de crédito mais barato pelos bancos públicos, política adotada pelo governo de Dilma Rousseff.
No domingo, apesar de inúmeros avisos sobre a situação econômica do país, a população rejeitou a hipótese de que o país estaria trilhando caminhos tortuosos. A revista The Economist defende agora que a presidente reeleita “traga à mesa as ideias de Neves”, tão criticadas durante a campanha presidencial. Essas ideias, segundo a revista, incluem menor intervenção estatal, responsabilidade fiscal, independência do Banco Central e reformas estruturais, como a tributária. Por outro lado, a opção de manter as atuais políticas sugere um cenário pessimista para o país, e deverá ser acompanhada de uma piora da credibilidade do país e provável perda do grau de investimento, conquistado em 2008. A indicação de um nome forte para o ministério da fazenda sinalizaria uma atuação mais responsável na condução das contas públicas e no combate à inflação, contextualizando, seria alguém que conduzisse um arroxo fiscal produzindo, no curto prazo, impactos negativos no emprego e na economia. Exatamente as politicas tão criticadas pela presidente em sua campanha.
Passada a tensão pós-eleições, os principais agentes econômicos do país digerem o resultado, enquanto buscam uma melhor orientação acerca do que será do amanhã. O ex-presidente Lula, fez três indicações para assumir a cadeira de Guido Mantega: Luiz Carlos Trabuco, Henrique Meirelles e Nelson Barbosa, sendo o primeiro e o segundo nomes fortes para melhorar as expectativas e o terceiro mais em linha com o que está em curso no momento. Trabuco é atualmente presidente do Bradesco e, assim como Meirelles, representa a retomada de uma condução mais eficiente das contas públicas e da credibilidade do país. Já Nelson Barbosa, ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda, mostra-se mais inclinado à manutenção das atuais diretrizes, sendo ele signatário da carta “O Brasil não quer voltar atrás", a qual defendia a reeleição de Dilma e sua condução da política econômica.
Em suma, as dúvidas permanecem, principalmente em relação à disposição da presidente em recuar em suas ideologias heterodoxas. Diante de nomes com posições tão opostas, devemos ser cautelosos em qualquer tom otimista. A aposta em um caminho que já se provou tortuoso trará consequências drásticas para o país. A população pagou para ver se a condução intervencionista, condescendente com a inflação e com as contas públicas são realmente maléf**as para o país. Esperamos que o mesmo não aconteça com a presidente eleita.
Rodrigo Monteiro