02/02/2026
Fictor: uma surpresa?
Hoje é um dia muito triste para mim, como profissional do mercado financeiro.
Atuo nesse mercado desde os meus 16 anos de idade e já vi muita coisa. Neste ano, completo 50 anos de idade e 34 anos de mercado…
Infelizmente, já vi muitas perdas se materializarem. Algumas inerentes ao risco natural dos negócios e dos mercados, mas outras decorrentes da ausência de capacidade de gestores e empreendedores. Essa sempre foi a minha opinião em relação à Fictor.
Não posso afirmar que a Fictor não vá pagar, mas aqueles que são mais próximos de mim sabem que eu considerava o modelo frágil demais.
Cerca de dois anos atrás, uma investidora que está comigo há quase 10 anos mencionou esse nome. Como profissional isento, fiz questão de conhecer o modelo pessoalmente, ali na região do Brooklin.
Minha constatação para ela foi:
“O modelo de negócio, via SCP (Sociedade de Cotas de Participação), é frágil e não há dispositivos que assegurem que o dinheiro será destinado ao alegado agronegócio.”
Diante disso, ela decidiu não entrar. E a todos que me pediram opinião, orientei a se manterem distantes.
Eu poderia estar comemorando por ter feito o correto e protegido essas pessoas.
Mas não posso… sei que muita gente perdeu o dinheiro de uma vida nesse empreendimento.
Algumas lições:
Devo seguir cumprindo meu papel com isenção e cuidando do dinheiro das pessoas como se fosse meu. Se não serve para mim, não serve para ninguém que confia em mim.
Devo ser mais contundente e público nas minhas opiniões, protegendo mais pessoas de oportunidades cheias de risco, beirando a desonestidade.
Investidor: desconfie. Tenha alguém que não prometa rentabilidades, mas que esteja com você em todos os momentos.
Aposto que os da Fictor já desapareceram.