20/07/2026
"Em discurso no CSIS (Center for Strategic and International Studies), Jensen Huang, CEO da Nvidia, falou de forma direta: apesar do domínio norte-americano no desenho tecnológico, há dúvidas sobre a capacidade dos EUA de erguer a infraestrutura necessária para viabilizar essas ambições.
Segundo ele, a burocracia e a lentidão logística dos Estados Unidos tornaram-se entraves significativos quando comparadas à eficiência chinesa. Huang usou essa diferença como ponto de partida para suas observações:
Energia: o núcleo da disputa
Para o executivo, mais do que obras civis, é o abastecimento elétrico que representa a principal preocupação.
A inteligência artificial exige enormes quantidades de energia e, nesse aspecto, os números apresentados por Huang são alarmantes para a economia americana.
A China já possui capacidade energética duas vezes maior que a dos EUA, mesmo com a economia norte-americana sendo relativamente maior. E, pelas tendências de produção, torna-se evidente que alcançar a China não será tarefa rápida:
Trata-se de um problema estrutural apontado por outros especialistas. Kevin O'Leary, por exemplo, destacou que os prazos para licenças nos EUA (de 6 a 18 meses) atrasam projetos, enquanto a China inaugura novos complexos com frequência.
Sem eletricidade abundante e barata, supercomputadores são apenas caixas vazias. Com esses dados, as chances de os EUA manterem a liderança parecem reduzidas.
Nvidia preserva vantagem tecnológica - até quando?
Ainda assim, Huang procurou acalmar aliados americanos: no plano estritamente tecnológico, os EUA continuam em vantagem. Ele afirmou que a Nvidia mantém "gerações de vantagem" em design de chips de IA e em modelos de ponta.
Huang descreveu a competição como um "bolo de cinco andares" (energia, chips, infraestrutura, modelos, aplicações).
Enquanto os EUA dominam as camadas superiores (chips e modelos), a China avança na base (energia e infraestrutura) e também na aplicação prática por meio do código aberto.
O CEO manifestou frustração por ver sua empresa fora do mercado chinês, que ele definiu como o "segundo maior mercado tecnológico do mundo", e alertou que subestimar a capacidade da China de recuperar seu atraso manufatureiro seria um erro grave.
Para Huang, a saída passa por uma reindustrialização rápida dos EUA - um movimento que a administração Trump aparenta querer acelerar ao classificar data centers como infraestrutura crítica.
A corrida acaba de começar e não será decidida só no código, mas também nos canteiros de obra."