16/09/2026
Hoje foi Super Quarta e as decisões foram opostas: os EUA subiram os juros, enquanto o Brasil cortou.
Nos Estados Unidos, o Fed elevou a taxa em 0,25 p.p., para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, a primeira alta desde 2023, já sob o comando do novo presidente, Kevin Warsh. O movimento reflete uma inflação mais persistente por lá e um cenário fiscal sob pressão, com dívida elevada e custos crescentes ligados aos conflitos em curso.
Aqui no Brasil, o Copom cortou 0,25 p.p., levando a Selic a 13,75% ao ano.
No comunicado do Copom, o Banco Central manteve as portas abertas para as próximas decisões. Porém, tudo indica que estamos chegando, pelo menos por enquanto, ao fim do ciclo de cortes.
Por quê?
Diferencial de juros diminui: com o Fed subindo e o Brasil cortando, as taxas de juros dos dois países f**am mais próximas, o que vai na direção de reduzir a atratividade relativa do real, o que tende a pressionar o câmbio e reduzir o espaço do BC para continuar afrouxando. Contudo, esse efeito é marginal: ainda estamos falando de juros bastante elevados no Brasil em comparação ao resto do mundo, e essa pequena redução no diferencial hoje deve ter efeitos limitados.
Inflação ainda acima da meta: o IPCA no Brasil segue rodando acima do centro da meta, limitando a margem de manobra do Copom.
Risco fiscal: as incertezas fiscais e a preocupação com o aumento da dívida no Brasil seguem no radar dos mercados
Cenário geopolítico tenso: a guerra no Oriente Médio e o petróleo mais caro somam riscos inflacionários tanto lá fora quanto aqui dentro.
O cenário segue recheado de incertezas: tanto sobre o futuro dos juros no Brasil quanto no contexto das eleições, das crises políticas e de um cenário global marcado por conflitos.