08/12/2025
O debate sobre o seguro rural no Brasil costuma apontar o produto como o problema, mas, como destaca Daniel Miquelutti, Head de Novos Mercados e cofundador da Picsel, o verdadeiro entrave está na base de informação que sustenta o sistema. Sem dados climáticos, produtivos e históricos consistentes em nível de propriedade, nenhum modelo, tradicional ou paramétrico, consegue entregar previsibilidade, preço justo e escala.
Enquanto dentro da porteira o produtor já opera com sensores, satélites, softwares e telemetria, fora dela o seguro rural ainda depende de estatísticas agregadas e séries insuficientes, o que amplia o risco de base, desestimula a adesão e acentua a volatilidade do setor. Mercados que avançaram não o fizeram apenas com subsídios, mas com infraestrutura de dados e governança sólida para transformar informação em política pública.
O caminho para destravar o seguro rural brasileiro passa por tratar dados agrícolas como infraestrutura estratégica, integrando registros de produtividade, clima, manejo e perdas em uma arquitetura moderna, interoperável e transparente. Só assim o país poderá construir tarifas mais precisas, ampliar a cobertura e transformar o seguro em um verdadeiro pilar de resiliência para o agro.
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