02/07/2024
Bicentenário da Confederação do Equador
No dia 02 de julho de 1824, eclodia em Recife, um movimento separatista que visava romper os laços com o regime despótico do recém-proclamado Império do Brasil, por diversos motivos.
O desejo de autodeterminação mantinha-se aceso com as sementes plantadas em 1801, na Conspiração dos Suassunas e mais adiante com a Revolução de 1817.
Na Bahia, a Conjuração Baiana, em 1798 e a Sabinada, em 1837 refletiam, de igual maneira as aspirações de liberdade que se disseminavam no povo.
A Balaiada, no Maranhão e Piauí, a partir de 1838, e a República de Pastos Bons em partes de Tocantins, Pará, Maranhão e Piauí, entre outros movimentos e eventos históricos, são um símbolo do desejo de autonomia do povo nordestino.
Na magistral obra de Ulysses Brandão, A Confederação do Equador, demonstrou-se o envolvimento de pessoas de todas as províncias setentrionais, desde a Bahia até o Grão-Pará, sejam como participantes ativos ou simpatizantes.
Como ícones do ideal autonomista do povo nordestino, podem ser citados o pernambucano e mártir Frei Caneca e o eminente baiano Cipriano Barata.
O imperador D. Pedro I, na busca de evitar a secessão não mediu esforços, contraindo empréstimos e utilizando soldados mercenários. Aproveitando-se de dissidências, conseguiu o seu escopo pondo fim ao movimento emancipacionista no dia 29 de novembro de 1824.
A manutenção das províncias setentrionais sob o guante imperial e posteriormente republicano, demonstrou-se ao longo do tempo bastante nociva com o crescente empobrecimento da região e a diáspora que incluiu a migração de milhões de nordestinos que partiram para diversas áreas da Federação Brasileira, contribuindo em grande parte para um câmbio do quadro demográfico da América Portuguesa.
No século hodierno, observa-se ainda a manutenção do processo de neocolonialismo interno que tantos danos têm imposto aos territórios que comporiam a Confederação do Equador, nos mais diversos campos da ação humana, como o econômico, o social e o cultural.
O sonho e o sacrifício dos que anelavam a Confederação do Equador não serão jamais olvidados e se perpetuarão, de modo inexorável, no decorrer dos séculos afora por aqueles que amam verdadeiramente a sua terra!!!