03/04/2020
A crise atual e o Fluxo de Caixa
Diante do cenário de crise atual, ocasionado pela pandemia, resolvi pontuar algumas sugestões para tentar amenizar o impacto econômico no fluxo de caixa da empresa:
1 - Negocie o máximo possível o custo da mão de obra. É a despesa que geralmente representa o maior percentual de custo em relação a receita.
Procure negociar com os funcionários (férias, suspensão temporária do contrato de trabalho e até mesmo inevitáveis demissões). Oriente-se com seu contador, sindicato patronal e jurídico, para tomar decisões mais seguras possíveis;
2 - bloqueie todos os investimentos. Mantenha apenas aqueles que gerarem retorno de imediato;
3 - Centralize o caixa no cargo mais estratégico da empresa para tomada de decisões, de preferência o proprietário. Crie um grupo para gerenciamento de crise para ouvir mais opiniões antes de tomar decisões. Faça uma lista de todas as despesas fixas e cancele ou bloqueie temporariamente tudo que for possível. Prorrogue os boletos negociando com os fornecedores com antecedência, de preferência, bloqueie os pagamentos até segunda ordem, enviando carta formalmente por e-mail. Congele todos os pagamentos de empréstimos e parcelamentos. Monitore regularmente para fazer alguma mudança se necessário. Verifique seu estoque para saber a data de validade dos insumos e tome decisões como trocas, vendas e doações. Deligue tudo que for possível como freezers, geladeiras, câmaras, andares inteiros;
4 – O governo está divulgando medidas diariamente para amenizar a crise. Fique de olho no que está sendo oferecido e se encaixa ao seu perfil. Não tome decisões impulsivas na tomada de novos empréstimos e financiamentos. Lembre-se que esta conta também deverá ser paga. Procure amadurecer as ideias antes de tomar qualquer decisão;
5 – Faça um fluxo de caixa para 180 dias, no mínimo. Procure imaginar diversos cenários diferentes, por exemplo:
• Fluxo 1 – Despesas reduzidas ao máximo com zero de ocupação/receitas. (empresa fechada);
• Fluxo 2 – Despesas reduzidas ao máximo com 10% de ocupação/receitas (nesse caso as despesas já são um pouco maiores que o exemplo 1, pois terá que atender os clientes, como folha de pagamento e insumos por exemplo;
• Fluxo 3 - Despesas reduzidas ao máximo com 20% de ocupação/receitas e assim por diante, criando cenário com até 50% de receita.
Seja realista e racional e revise o fluxo de caixa semanalmente ou quando verificar alguma mudança específica que gere essa necessidade.
Não esqueça que essa crise é momentânea e deve passar, o tempo ainda é uma incógnita, devemos acompanhar e fazer também um plano para a retomada, que, em breve, deverá ser necessário.