30/08/2021
Grande parte das pessoas sabe que a taxa SELIC é um parâmetro para as perspectivas da renda fixa nacional, entretanto muitos desconhecem a influência da taxa para o mercado como um todo. As mudanças da taxa Selic afetam, e muito, a renda variável. Vejamos como:
Para calcular o valor de uma empresa, o quanto o mercado está disposto a pagar por ela, é necessário fazer o Valuation da companhia, para isso, o método mais utilizado é o Fluxo de Caixa Descontado, que nada mais é que uma estimativa do fluxo de caixa futuro da empresa trazido ao valor presente, uma antecipação de quão lucrativa a empresa será nos próximos anos.
Nessa fórmula, dentre outras variáveis é necessário se calcular o Custo de Capital Próprio da Empresa (Ke), que pode ser resumido em: Uma remuneração mínima que torna o investimento viável, um valor que está acima do custo de oportunidade envolvido.
Para se calcular o Ke é necessário utilizar uma Taxa de Juros Livre de Risco, para assim se ter certeza de que esse investimento na empresa (que contém risco) pagará mais do que o investimento em algo sem risco. Isso é o chamado Prêmio de Risco.
Eis que entra a Selic: a principal taxa de juros livre de risco utilizada para o Valuation das empresas no Brasil. Dessa forma, quanto maior for a Selic, maior terá que ser o Prêmio de Risco pago para se investir na empresa. Com uma Selic de 10% por exemplo, muitos não irão aceitar comprar uma ação sem que haja uma expectativa de no mínimo 15% de retorno.
Assim, podemos chegar à conclusão de que conforme a Selic aumenta a propensão do Mercado ao investir em Renda Variável diminui, posto que cada vez mais será necessário maiores retornos para tornar o investimento viável. Pode-se dizer que “o sarrafo aumenta”, empresas não tão lucrativas ou com expectativa de crescimento menor não serão tão atrativas e, por conseguinte, perderão valor de mercado; o que ironicamente pode acabar se tornando uma excelente oportunidade de investimento, ao ter empresas mais “baratas” na bolsa.