21/09/2015
Milho: Com dólar próximo dos R$ 4, produtores esperam preço mais alto
Produtores de milho esperam preços mais remuneradores nesta semana após o dólar ter fechado na sexta-feira a R$ 3,9500. A moeda norte-americana volta a se valorizar em meio a rumores de que o Brasil pode ter novamente sua nota de crédito cortada por agências de risco. Além disso, o setor produtivo monitora o início da colheita da safra norte-americana. Por enquanto, os relatos são positivos em relação à produtividade e à qualidade das lavouras nos Estados Unidos. Para esta semana, há previsão de chuvas para o Meio-Oeste do país, o que pode retardar um pouco os trabalhos no campo e sustentar as cotações internacionais.
Na Bolsa de Chicago, os futuros de milho acumularam queda de 2,5% ao longo da semana passada. Na sexta-feira, o vencimento dezembro cedeu 2,50 cents (0,66%) e terminou em US$ 3,7725 por bushel. Além do avanço da colheita, a queda dos preços de petróleo também pressionou a commodity, já que torna biocombustíveis como o etanol menos competitivos e faz com que refinarias nos EUA tenham menos incentivo para misturá-los à gasolina. Nos país, o etanol é feito principalmente com milho.
No mercado interno, a maior parte dos negócios na semana passada foi para entrega imediata, atendendo à demanda de granjas em momento de consumo aquecido por carnes de aves e suínos. Em relação as negociações antecipadas da safrinha 2016, muitos produtores preferiram esperar para ver como deve ficar o câmbio. Na sexta-feira, em Rondonópolis (MT), compradores ofereciam R$ 21/saca para retirada imediata e pagamento em 15 de outubro. Em Jaciara, a proposta era de R$ 22/saca. No entanto, com a alta do dólar, produtores pediam R$ 24/saca. Ao menos 2 mil toneladas foram vendidas para retirada em outubro de 2016 e pagamento em até 30 dias por R$ 22/saca. Segundo corretor da região, de olho na alta do dólar, produtores aguardam ofertas melhores.
No Paraná, rodaram lotes acima de mil toneladas para o mercado interno a R$ 30,50/saca, com retirada imediata na região dos Campos Gerais e pagamento em até 30 dias. Indústrias da região elevaram as suas pedidas de compra em 50 centavos porque no restante da semana saíam mais volumes para exportação na região, contou o corretor Adriano dos Santos, da Safra Sul. Fábricas também estavam recebendo lotes do oeste e norte do Paraná, áreas que acabaram de colher a safrinha 2015.
Para exportação, havia ainda na sexta-feira propostas de R$ 30 a R$ 30,50 a saca para retirada no entorno de Ponta Grossa na metade de outubro e pagamento no fim de outubro. Os prazos mais longos refletem o embarque de lotes comprados anteriormente, mas também a possibilidade de problemas logísticos com a greve dos fiscais federais agropecuários. A maioria dos vendedores, entretanto, pedia R$ 32/saca. "A região tem pouco milho agora. Além de só colher milho na safra de verão, também exportou bastante, agora sobrou pouca coisa." O agente relatou não ter visto propostas firmes para entrega no Porto de Paranaguá, mas estimou que a referência de compra para entrega em outubro e pagamento no fim do mesmo mês ficaria em torno de R$ 33,50 a R$ 34 a saca.
Quanto à negociação antecipada da safra de verão 2015/16, compradores ofereciam por milho direto da lavoura R$ 28 a R$ 28,50 por saca em Ponta Grossa, mas vendedores desejavam R$ 30/saca, ou até R$ 33/saca para milho limpo e seco. O embarque seria em março e o pagamento em abril. Não têm rodado negócios na região, porque produtores aguardam valores maiores, apostando que o dólar continuará em alta.
Em Minas Gerais, as negociações de milho estão mais aquecidas. Rodaram na sexta-feira 35 mil sacas de milho no Triângulo Mineiro a R$ 28/saca para retirada imediata e pagamento curto, preço pago pela maior parte dos compradores da região. No começo da semana, as propostas estavam mais baixas, em R$ 27/saca. "Produtor está segurando o grão, porque há conversas de que vai ser plantado pouco milho no verão. Ao mesmo tempo, a procura é grande", apontou o corretor Danilo Ribeiro, da ABS Corretora. Segundo ele, não está chegando muito milho no mercado disponível, por causa dos grandes volumes saindo para exportação. Alguns produtores também preferem aguardar porque acreditam que os preços possam chegar a R$ 30/saca no fim do ano. As negociações antecipadas da safra de verão 2015/16 estão travadas na região. Produtores não querem negociar no momento porque ainda não decidiram o quanto vão plantar a partir de outubro.
O indicador Cepea/Esalq fechou praticamente estável, em leve queda de 0,06%, a R$ 31,40/saca. Em dólar, o preço ficou em US$ 7,95/saca (-2,33%).
21/09/2015
Fonte: Agência Estado