17/07/2020
Nossas emoções posta à mesa, olhos atentos, ações, gentilezas, o barulhinho do talher e da louça, elas se conversam entre si, boca, língua e garganta...
É pelo vagar do cotidiano que criamos as nossas memórias com cada comida. O alimento carrega com seus nutrientes memória genética, a nossa saúde aproveita e agradece.
Em cada colherada juntamos memórias, a do alimento e a nossa, em cada, garfada nutrimos o corpo.
Ouço que comida boa é comida com alma, aquela comida que te abraça como nos desenhos animados, o perfume sobe do prato, invade a narina, e como um abraço te abraça na alma.
À memória do alimento começa ainda no preparo.
Quem já fez pamonha sabe o trabalho que dá, reúne a família, divide se as turmas, um descasca o milho o outro prepara a palha, o outro lava as espigas, uns cabelinhos a gente deixa, afinal são diuréticos, o outro rala o milho com um baita medo de não ralar os dedos...
E assim se vai até tarde, para que tudo termine no deslace do barbante, a
Pamonha esta servida.
Feche seus olhos mesmo quê você não tenha feito todo o processo, apenas o contato micro cosmo do feitio da pamonha já te prepara para num outro momento quem sabe.... fazeres sozinha (o)!
Isso é memória, todo o trabalho da lugar ao prazer de estar com quem amamos, todos embuidos de um propósito em comum.
Às 18h sentamos a mesa e comemos!
E a conversa, a risada, a jocosidase de um sarro ou outro, põe na memória a alma, e logo o trabalho é esquecido, pois a alegria de dividir a mesa supera qualquer obstáculo.
E ainda cansados planejam a próxima empreitada na cozinha, grande ou pequena, seja a rosquinha de pinga ou a costela de fogo de chão, seja o pão de fermento de litro ou o quindim da vó, não faz diferença, o que todos querem mesmo é outra memória, afetiva e de alma.