20/09/2024
PARAIBAN – BANCO DO ESTADO DA PARAÍBA S.A.
1990, o primeiro ano que para muitos brasileiros nunca terminou. Tínhamos acabado de eleger um presidente da República de forma democrática em 1989, após anos de ditadura, era uma esperança nova pós governo Sarney, marco de transição entre os governos militares para um governo civil, ainda de forma indireta.
Em março daquele ano eram anunciadas 27 medidas econômicas que ficariam conhecidas como o PLANO COLLOR I. 149,4 milhões de brasileiros que assistiram à coletiva de imprensa da ministra Zélia e sua equipe, em cadeia nacional de rádio e TV – anunciando o de todo o seu dinheiro em bancos, fossem aplicações ou na sagrada cadernetas de poupança.
Com aquele conjunto polêmico de medidas, Zélia Cardoso de Mello, tentava de conter uma inflação de 84% ao mês, com seu novo plano econômico, o quarto em apenas cinco anos. Os três anteriores - Cruzado, em 1986; Bresser, em 1987, e Verão, em 1989, todos no governo do presidente José Sarney - fracassaram na missão de estabilizar a economia.
Naquele 16 de março de 1990, o presidente Collor de forma ufânica: "Não temos mais alternativas. O Brasil não aceita mais derrotas. Agora, é vencer ou vencer. Que Deus nos ajude", declarava em rede nacional, nunca se se tomado medida mais drástica de meter a mão no dinheiro dos brasileiros. Cerca de 80% do dinheiro aplicado, não só em cadernetas de poupança e em contas correntes, mas, também, em aplicações financeiras, como o famoso "overnight", ficou retido no Banco Central por 18 meses.
Estima-se que o governo tenha confiscado o equivalente a cerca de US$ 100 bilhões, o equivalente a 30% do Produto Interno Bruto (PIB). A troca do padrão monetário (de cruzado novo para cruzeiro, sem corte de zeros), a criação de um imposto sobre operações financeiras, o congelamento de preços e salários por 45 dias, o aumento das tarifas de serviços públicos (gás, luz e telefone, entre outros), a extinção de 24 empresas estatais e a demissão de 81 mil funcionários públicos.
No Paraiban – Banco do Estado da Paraíba S.A. a rotina de trabalho virava uma loucura para fazer cumprir aquelas medidas malucas do Plano Collor, que entre outras, muitas ações judiciais nos chegavam na tentativa de liberação de valores retidos, tanto para as Pessoas Físicas, quanto Jurídicas, além de ter de elaborar outras normas internas, com base na pesada legislação emitida pelo BACEN, para que a rede de agências pudesse operacionalizar as medidas vigentes.
Deixando aqueles primeiros meses loucos do Governo Collor de Mello, até então que vivenciamos no setor bancário, o nosso pesadelo maior ainda estava por vir, então no dia 20 de setembro de 1990, Collor dava o golpe de misericórdia na Paraíba, decretando a Liquidação Extrajudicial do PARAIBAN S.A. Mergulhando 1.570 funcionários no pesadelo do desemprego que duraria mais quatro anos.
Em artigos anteriores aqui na página já narrei todas as auguras que vivenciamos na primeira metade da década de 1990. O fechamento do Paraiban veio se juntar a outras mazelas econômicas e sociais que vivia a Paraíba no segundo Governo Burity, com quase meio ano de folhas do funcionalismo público estadual em atraso.
Trinta e quatro anos de fechamento de nosso saudoso Paraiban, que só seria aberto no Governo Ronaldo Cunha Lima, há muito, em 31 de março de 1994. Com menos de um terço do quadro funcional de antes do fechamento. Achando que nada do que vivenciamos fora pouco sofrimento em 18 de novembro de 2001, o Governo Zé Maranhão vendeu o Banco para iniciativa privada, depois que este vivenciava seu melhor momento, patrimonial e financeiramente.
Este ano seria o marco do centenário, em 18 de agosto de 1924 - Era criado o do PARAIBAN S.A. - Banco do Estado da Paraíba, inicialmente com o nome de Banco da Parahyba.
TARCISO MARTINS – EX-CONTADOR DO PARAIBAN
Escritor e Poeta