30/11/2021
Como o Banco Central intervém para segurar a cotação do dólar?
Tem dois jeitos. Vamos começar pelo mais simples. O dólar sobe quando há muita gente a fim de comprar moeda americana (por medo da inflação ou para tirar dinheiro do Brasil e investir no exterior). É uma questão de oferta e demanda.
O Banco Central tem mais de US$ 350 bilhões na forma de “reservas internacionais”, amealhadas em tempos de vacas gordas. Quando o dólar sobe demais, ele pega um pouco dessas reservas e vende no mercado financeiro. Isso amplia a oferta e faz a cotação cair (ou, pelo menos, reduz o ritmo da alta). É função do BC, afinal, manter o câmbio sob controle, evitando que momentos de pânico no mercado destruam o valor da nossa moeda.
O método mais comum de intervir no câmbio, então, é outro: via contratos de “swap cambial”. Swap quer dizer “troca”. Em vez de vender dólar para você, o BC te dá um contrato. Nesse contrato está escrito algo assim: “Prometo te dar R$ 1 milhão corrigidos pela variação do dólar, daqui a um mês. Em troca, você me paga R$ 1 milhão lá na frente mais a variação da Selic no período (no caso de um mês, dá menos de 1% de juro). Eis o swap, a “troca”.
E tem algum risco de o BC não pagar a diferença, em caso de alta do dólar? Não. Porque o Banco Central tem o poder de emitir moeda. Essa medida causa inflação, já que joga mais reais no mercado. Mas é melhor do que dilapidar as reservas – medida de último recurso, para quando há pouca demanda até para o swap cambial. Para controlar a inflação, afinal, aumentam-se os juros. Repor as reservas é outra história: leva décadas.