22/01/2022
Como insistentemente alertamos aqui e em nossos relatórios, o segredo para multiplicar capital em bolsa no longo prazo é um só: comprar barato.
Barato aqui, é saber avaliar quanto está sendo pago para adquirir fluxos de caixa futuros de uma empresa ou negócio.
Não é comprar apenas porque está subido, nem vender apenas porque está caindo.
Ao contrário, à medida que os ativos se valorizam, f**am MAIS arriscados.
A taxa de juros americana vai subir drasticamente ao longo do ano para conter a inflação. E isso deve provocar o estouro de diversas bolhas que se formaram ao longo dos anos pelo excesso de liquidez e dinheiro barato.
Bolsas americanas entraram em rota de correção, com NASDAQ caindo -13% e S&P500 caindo -8% no mês. Bitcoin, o “ouro digital” cai -25%. Para o americano médio, isso é motivo de pânico absoluto.
E a correção por lá pode estar apenas no começo.
Tenho observado com preocupação o consenso que se formou nos últimos meses recomendando venda de ativos locais tidos como “arriscados” (porque caíram bastante nos últimos meses) para comprar ativos estrangeiros “seguros”, que renovavam máximas históricas (e exatamente por isso, extremamente arriscados).
Em finanças comportamentais é um fenômeno conhecido como extrapolação. Vemos uma tendência e acreditamos que irá se manter indefinidamente.
Quem migrou da bolsa brasileira para a bolsa americana, cansado de ver perdas sucessivas, está perdendo duplamente.
Ironicamente, Brasil está indo na contramão, com nossa bolsa subindo e Real se valorizando. E graças ao investidor estrangeiro, que está realizando lucros de uma bolsa cara e realocando para a bolsa brasileira barata.
Diversif**ação e alocação estratégica de ativos são a chave para multiplicar patrimônio. Tínhamos uma posição pequena em bolsa americana até outubro do ano passado, que encerramos com lucro de ~10%.
Lembremos sempre, os números que piscam na tela não são bilhetes de loteria. São empresas que estão no mundo real, gerando receitas. Se as expectativas sobre os lucros futuros tornam-se muito altas, há pouco espaço para ganhos. Quando as expectativas caem mas os lucros não, temos oportunidade.
Investir bem é um processo doloroso e contra intuitivo. É comprar o que ninguém mais quer, mesmo que continue a cair, porque entendemos seu valor real. E vender o que todo mundo quer comprar, porque entendemos que não vale o preço. Mesmo que continue subindo.
Brasil voltou a ser a bola da vez, não porque somos os melhores em qualquer coisa. Mas porque estamos baratos, quando todas as alternativas estão caras.