31/05/2026
O Luto
Vamos para um “REFLITA QUE REFLETE” dessa vez escrito, pois não consigo falar para gravar.
Eu perdi a minha mãe há 15 anos anos, foi um ano entre a descoberta do câncer e o falecimento dela bem no dia do seu aniversário de 47 anos. A princípio eu achei que eu só ia sentir a falta dela, mas com o passar dos dias meu mundo caiu.
Eu assumi a gerencia de uma imobiliária e me afundei no trabalho, como se aquilo suprisse meu sentimento e fosse me ajudar a enfrentar a falta dela, mas não ajudou.
Eu me dediquei a estudar a mente e o comportamento, queria achar uma resposta, um entendimento para os sentimentos, em algum momento eu tive que voltar na minha infância e perceber que muita coisa que eu passei não havia sido sentida, eu não sabia lidar comigo e coms reflexos de tudo que aconteceu na pré infância e na adolescência, eu voltei lá sofri tudo e fui me reconstruindo aos poucos.
Eu achava que nenhuma outra morte na familia seria tão intensa para mim, até que há 15 dias eu perdi meu pai com 65 anos, em uma morte subida, sem muita explicação. Foi um choque, eu demorei a processar, junto com isso vieram muitas coisas, muitos sentimentos, eu fiquei confusa e de certa forma fiz o que sabia, me fiz de forte, racional, vamos resolver o que precisa, até que as crises de choro vieram, eu justifiquei com outros acontecimentos, mas no fim, era o luto se fazendo presente, bate uma sensação de vazio, de não pertencimento, de estar sozinha e solta na vida, então você pensa, eu tenho meus familiares e amigos, eles ocupam um lugar lindo na minha vida e se não fosse eles eu teria voltado para um lugar que sai há alguns anos, esse sentimento não é sobre isso, é sobre ter passado grande parte da vida sozinha, mas saber que tem alguém que te ama mais que você mesma incondicionalmente, que tem orgulho de você, que ora e zela para que nada te faça sofrer e esse vazio vem da ideia de que essas pessoas não estão mais lá, seus pais e que você passa mais horas sozinha na vida do que gostaria (eu acredito que não nascemos para vivermos só).
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