01/08/2013
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DATA: 2013-08-01 14:50:31
Os carros brasileiros são seguros?
Fonte: Lukas Kenji | Diário do Grande ABC
“A vida dos consumidores da América Latina não é menos valiosa que a de europeus e norte-americanos”, protesta o presidente do Global Ncap, Max Mosley. Ele administra o instituto que avalia a segurança de automóveis por meio de te**es de impacto. Sua frase indignada é consequência do desempenho de Chevrolet Agile e Renault Clio, modelos argentinos que não receberam nenhuma estrela (de cinco possíveis) em avaliações realizadas na semana passada. A ressalva de Mosley é que as mesmas montadoras constroem produtos inversamente seguros para diferentes públicos.
Segurança que não implica em maior custo ao consumidor, aponta o responsável pelos te**es do Latin Ncap (divisão do Global Ncap para a América Latina e Caribe), Alejandro Furas, em entrevista exclusiva ao Diário. “A margem de lucro das montadoras no Brasil é muito maior do que em outros países, mas a segurança do carro não é a mesma. Veja o Nissan March. Obteve quatro estrelas na Europa, enquanto aqui recebeu apenas duas (em relação à segurança de passageiros adultos)”, exemplifica Furas, que também é diretor técnico do Global Ncap, instituto ligado a FIA (Federação Internacional de Automobilismo).
Apesar de respeitar os resultados obtidos pelo laboratório de origem independente de governos, o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Moan, afirma que a metodologia dos te**es do Ncap não segue padrões de nenhuma legislação no mundo. “No Brasil, as fabricantes podem optar por seguir critérios aplicados na Europa ou Estados Unidos. E não há classificação por estrelas, isto é, ou o carro passa no teste e é fabricado ou é reprovado e nem vai para as ruas”, explica. “Se o carro brasileiro não fosse seguro, não deixaria meu filho dirigir um Agile”, completa.
O representante das montadoras nacionais garante ainda que a Anfavea é a favor da implementação de um laboratório por parte do governo federal, que além de isento, desoneraria os custos das fabricantes com te**es de impacto, uma vez que elas devem enviar seus veículos para avaliações no exterior – só Ford, General Motors e Volkswagen têm laboratórios no País.
Embora apoie a iniciativa, o diretor do Latin Ncap defende ainda melhorias na legislação brasileira. “A obrigatoriedade do air bag e (freios) ABS na fabricação dos carros é apenas um começo. É preciso discutir sobre implantação obrigatória de EPS (controle de estabilidade), assim como execução de te**es de impacto frontal”, frisa Furas.
Fato é que ambas as instituições não querem ver aumentar os 14.349 óbitos no trânsito, registrados no primeiro trimestre. Vale lembrar que os dados da Seguradora Líder DPVAT representam só a quantidade de indenizações por morte ressarcidas.