30/10/2024
Governo de São Paulo abre um precedente perigoso ao iniciar privatização da educação pública.
Por: Paulo Esdras
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, realizou um leilão para privatizar escolas públicas estaduais. Apesar dos protestos de alguns setores, o governo de São Paulo já efetivou a privatização do primeiro lote (17 escolas) e o segundo lote já está programado para novembro. O governo paulista pagará mensalmente quase 12 milhões de reais e o consórcio vencedor do leilão, Novas Escolas Oeste SP, administrará (e lucrará) por no mínimo 25 anos.
A principal empresa do consórcio, a Engeform Engenharia LTDA, já presta serviço na capital paulista administrando cemitérios. Os governos da capital e do estado são alinhados com uma proposta privatizadora e este foi o principal argumento da iniciativa: “Estamos trabalhando para a diminuição do tamanho do Estado”, disse o governador.
Enxergar a educação pública como moeda de troca para a iniciativa privada é a miopia de todo neoliberal e a privatização paulatina é o caminho potencial mais rápido e com maior margem de lucro oculto. Os financiamentos eleitorais feitos por empresas, mesmo que de forma indireta, são as raízes do problema. Toda empresa visa lucro e o dinheiro doado na verdade é um investimento. Empresas com objetivo de participarem da sangria do dinheiro público fazem de tudo para lucrarem em setores que só o Estado poderia – ainda mais se for um setor estratégico.
Estes políticos interessados em diminuir o Estado na realidade não estão preocupados ideologicamente, mas financeiramente. A preocupação não é com o povo ou com a qualidade de ensino, mas com a iniciativa privada dos próprios cofres na manutenção do poder. O ensino ir de mal a pior é até melhor para eles, pois sem educação, sem senso crítico, a manipulação é mais fácil e, assim sendo, a reeleição é garantida. Triste ver a educação pública se tornar um cemitério privatizado de sonhos e expectativas.