InterFin Gestão e Negócios Ltda.

InterFin Gestão e Negócios Ltda. Competência, expertise, ética e foco são os vetores de nosso trabalho.

Conhecemos bem as pequenas e médias empresas, os desafios que elas enfrentam e sabemos como atuar em soluções de operações bancárias e de estruturações financeiras que possam proporcionar-lhes crescimento e desenvolvimento. Originamos e encaminhamos operações de crédito e captação para instituições financeiras com as quais mantemos contrato de prestação de serviços, como correspondente bancário e,

também, em operações e estruturações em projetos específicos na área financeira, de consultoria, assessoria e gestão. Aliados à constante busca do conhecimento e do relacionamento saudável com nossos parceiros, clientes e com o mercado em geral, constituem a mola propulsora na nossa permanente busca de atitudes inovadoras e empreendedoras, que nos permitam melhorar a qualidade e eficiência de nossos serviços e também nos antecipar junto a nossos clientes, com o objetivo de atender às necessidades e expectativas mútuas.

27/04/2015

O que mais preocupa na subida de juros da CEF

A Caixa Econômica Federal (CEF) anunciou mais um aumento de 30 pontos-base (0,3%) nos juros para a compra de imóveis em cima de um outro aumento feito em janeiro, de até 180 pontos-base (1,85%). Desta vez, o aumento é somente para os financiamentos dentro do sistema do SFH - Sistema Financeiro da Habitação (imóveis de até R$ 750 mil nas grandes cidades). Também diminuiu a parcela financiada do imóvel, passando de 90% para 80% do valor.
Se tomar o empréstimo aos novos custos, o efeito do aumento dos juros é um crescimento de aproximadamente 2% nas prestações e no total que se pagaria. Em um empréstimo de R$ 500 mil, a prestação cresceria um pouco mais de R$100 por mês e o total pago cresceria cerca de R$ 23 mil para um prazo de financiamento de 30 anos.
Não foram afetados os financiamentos do Minha Casa Minha Vida, nem a carteira hipotecária (imóveis acima de R$ 750 mil nas grandes cidades).
Dois pontos importantes que explicam este aumento:
- a poupança, principal fonte de financiamentos imobiliários para a CEF há muitos anos, nunca teve tantos saques como recentemente. Assim, a CEF tem que depender mais de outras fontes de dinheiro para conceder seus financiamentos. Especif**amente, a CEF tem que captar mais em LCI (Letras de Crédito Imobiliário) e CRI (Certif**ados de Recebíveis Imobiliários) e a custos e indexadores mais caros. No jargão do mercado, o “custo de funding” da CEF aumentou.
- e, para piorar as coisas, tanto as LCIs como os CRIs estão custando mais caro, porque a taxa de juros do país aumentou. Com o “realismo” fiscal que se instalou no governo, a CEF não pode emprestar e f**ar perdendo dinheiro. Assim, tem que repassar o problema para o consumidor.
O aumento em 30 pontos-base em si tem um impacto relativamente pequeno nos custos. O que mais preocupa mesmo é o precedente. Se os saques da poupança continuarem, a sinalização que a CEF passou é a de que continuará aumentando os juros para os consumidores. Até quando e até que valor não se sabe. Mesmo que os juros parem de subir, se a participação de LCI e CRI aumentar no funding da CEF, os custos dos financiamentos têm boa probabilidade de aumentar.
No mundo real dos negócios imobiliários, a principal característica do setor no Brasil é a personalização das decisões. O empresário está há muito tempo no segmento e toma decisões muito mais com feeling do que com pesquisas. O processo de decisão não tem muita formalização e vive mudando para se adequar ao próximo projeto.
Mas é interessante um pouco de conflito entre essas práticas mais tradicionais e um estilo mais formal. Algumas empresas do segmento não são mais tocadas pela tradicional intuição.
Nessas empresas, há uma predominância de uma administração com um modelo derivado de consultorias. O consultor tem por característica principal uma excelente teoria, a coleta de um grande número de informações e uma enorme importância para o planejamento, processos e documentação.
Então, esse tipo de administrador quer um nível de precisão no planejamento, o qual, na prática, não é possível antecipar. Efetivamente, não há como prever quantas unidades serão vendidas em novembro próximo, se serão 5 ou 25. E, talvez, uma sabedoria do empresário com experiência no setor é não se preocupar tanto com isso.
Pode ser que o custo de fazer um planejamento mais refinado seja maior do que o benefício que ele irá trazer. E isso f**a bem difícil de se explicar para alguém que não esteve com a barriga atrás do balcão por algum tempo.
Porém, o outro lado da moeda é ver empresas se lançarem em projetos sem que os famosos projetos executivos estejam prontos. Elas tentam apressar o processo de lançamento, mas correm o risco de incorrer em estouro de custos.
Que tal um pouco de cada?
Saiba o que estão falando os que estão com a barriga no balcão
O papel aceita qualquer coisa. A vida real é menos benevolente. Por isso, é bom conversar com quem está com a barriga no balcão. Você entende melhor os problemas e desafios de se empreender em negócios imobiliários.
É o caso da situação atual e desafios dos pequenos e médios empresários que incorporam imóveis residenciais.
Para quem não conhece o termo, incorporação imobiliária envolve tirar um imóvel do chão. Então, o incorporador acha e compra o terreno, aprova o projeto e constrói. Depois, vende ou aluga. A construção pode ser própria ou terceirizada. Então, incorporar é diferente de construir.
Conversando com incorporadores de pequeno e médio porte alguns pontos f**am claros:
- venda mais desafiadora: as vendas estão acontecendo com maior prazo em relação à velocidade de 2 ou 3 anos atrás. Na maioria das vezes, as propostas de compra vêm com permutas, o que signif**a mais custos, pois o incorporador vai ter que registrar o imóvel em seu nome e pagar uma comissão de venda deste segundo imóvel que vai entrar como parte do pagamento. No passado, o comprador iria atrás da venda de seu imóvel, arcando com estes custos que, agora, ele sente que pode repassar ao incorporador.
- diferenciação: em tempos com menor velocidade de venda, os detalhes separam o sucesso de um empreendimento do fracasso de outro. Um imóvel que acerte no acabamento mais adequado para a localização e que economize apenas nos itens que não diminuem liquidez vende mais rápido do que aqueles que economizaram onde não devia.
- preços de terrenos e imóveis: no geral, não há ainda nenhum movimento de queda de preços. Os incorporadores capitalizados preferem esperar um pouco mais na venda para garantir a rentabilidade.
Na média, o pequeno e médio incorporador busca projetos que proporcionem margem líquida entre 30% e 50%. E, quanto mais tempo demorar para vender, pior será o retorno do empreendimento. Ter R$ 100 mil de lucro em janeiro é diferente de ter R$ 100 mil de lucro em dezembro. A rentabilidade geral cai, porém o incorporador prefere arcar com o custo de oportunidade do que efetivamente dar um desconto e vender mais rápido.
A única exceção é quando o bolso aperta e o incorporador precisa fazer dinheiro. Neste momento, é que aparecem as oportunidades.

27/04/2015

Os 3 ativos para gerar renda

Uma estratégia robusta para viver de rendimentos recorrentes se apoia naturalmente em aplicações de renda fixa, sobretudo via títulos públicos, dívida corporativa e letras de crédito.
Como alternativas à renda fixa que possam signif**ar remunerações maiores e mais diversif**adas, temos três classes de ativos vitais para uma vida rentista:
1. Imóveis e fundos Imobiliários
Brasileiros adoram investir em imóveis, recebendo com isso alugueis religiosos. Mas poucos conhecem as virtudes dos fundos imobiliários, cujas cotas se mostram atrativas aos preços atuais. Existem fundos pagando 11% ao ano, via distribuições mensais e isentas de impostos.
2. Dividendos
O acionista detém um pedaço da empresa na qual investe, com o direito proporcional a uma parte dos lucros. Quando expressos na forma de dividendos, esses lucros também são isentos de impostos e podem ter frequência mensal, trimestral, semestral ou anual.
3. Venda coberta
Essa técnica é indicada para investidores mais experientes, por envolver uma combinação entre ações e opções. Mas sua execução é razoavelmente simples. Quando bem construídas, operações de venda coberta resultam em ganhos recorrentes acima da renda fixa, sob risco controlado.

08/05/2013

A tentativa da CAOA de assumir o banco BVA

Ontem o Banco Central anunciou a preparação de um anteprojeto de lei criando novos mecanismos para tratar da quebra de bancos, em substituição ao PROER (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional, em 2001).
A proposta é que, em caso de quebra dos bancos, os depositantes não cobertos pelas garantias do Fundo Garantidor de Liquidez (FGL) possam participar da recuperação da instituição.
O argumento é livrar o BC de bancar, com recursos públicos, as quebras das instituições, permitindo que o banco insolvente seja recapitalizado com recursos de seu próprio passivo.
Não consta que os bancos brasileiros estejam atravessando crises sistêmicas. Nem consta que a compra de participação acionária do Banco Panamericano pela Caixa Econômica Federal, ou do banco Votorantim pelo Banco do Brasil, não tenham obedecido a avaliações de mercado.
Mesmo assim, o BC está se baseando em uma pauta de discussões de países como o Chipre e Grécia, vítimas de uma crise bancária sistêmica.
Nesses países, até hoje vigorou o sistema “bail-out”, pelo qual o Tesouro injetava recursos nos bancos quebrados. Agora, fala-se no sistema “bail-in”, pelo qual as perdas são bancadas, primeiro, pelos acionistas e, depois, com instrumentos de capital e dívida. Finalmente, permite-se a conversão de determinados tipos de créditos em ações, através de deságios nos valores das ações.
É importante que esses movimentos não guardem relação com o caso do banco BVA – e aparentemente não guardam.
O maior credor do BVA é o empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, do grupo CAOA (na foto com Antonio Maciel, presidente do grupo). Há meses ele vem movendo mundos e fundos para assumir o controle do banco, mediante enorme desconto no valor das ações. Tinha R$ 700 milhões em depósitos no BVA.
Antes disso, a CAOA tinha operações com o Banco Santos. Devia R$ 180 milhões. Os interventores do Banco Central passaram seis meses discutindo os valores com ele.
Quando entraram com a cobrança, Carlos Alberto apresentou um recibo de quitação do empréstimo. Alegava ter investido os R$ 180 milhões em empresas não financeiras do Banco Santos. Batendo as contas, f**ariam elas por elas.
Nas discussões, apresentou recibo de quitação assinado por dois procuradores do Banco Santos, devidamente autenticados em cartório.
Os papéis foram periciados e descobriu-se que os selos utilizados não existiam na época que os recibos teriam sido supostamente assinados – só foram criados um ano depois. Ou seja, tentou fraudar o próprio BC.
As polêmicas que o cercam são muito mais amplas. Passa por conflitos permanentes com montadoras estrangeiras das quais conseguiu representação – como a Renault e a Hiunday.
Há dúvidas de peso sobre a fábrica de automóveis que montou em Goiás para fabricar o Tucson. Apesar dos incentivos, inclusive para importação, até hoje nenhum jornalista especializado conseguiu ver sua instalações.
Seria ótimo para a imagem do BC, que as tentativas de mudar o sistema de recuperação de bancos não sejam entendidas como uma abertura para atender a demandas pontuais.

Bradesco avança no crédito e lucra R$ 2,9 bi no 1º triA combinação de crescimento do crédito com redução da inadimplênci...
23/04/2013

Bradesco avança no crédito e lucra R$ 2,9 bi no 1º tri

A combinação de crescimento do crédito com redução da inadimplência e controle dos custos levou o Bradesco a ter lucro líquido contábil de R$ 2,92 bilhões no primeiro trimestre deste ano, o que representou uma alta de 4,5% na comparação com igual período de 2012.
O lucro ajustado, que exclui itens não recorrentes, avançou 3,4%, para R$ 2,943 bilhões. Apesar dessa expansão, a cifra ficou levemente abaixo da expectativa dos analistas. A média para o lucro líquido ajustado das projeções de 15 corretoras compiladas pelo Valor era de R$ 3,04 bilhões.
As ações encerraram o pregão de ontem com estabilidade, a R$ 32,30. Os números apresentados pelo banco causaram reações mistas entre analistas, que viram com preocupação a margem financeira, porém avaliaram positivamente o controle das despesas.
A carteira de crédito do segundo maior banco privado do país teve expansão de 10,4% em 12 meses, atingindo R$ 297,9 bilhões, segundo o critério do Banco Central.
Os desembolsos para as empresas foram os que mais cresceram em um ano, acumulando saldo de R$ 179,62 bilhões. Isso representou uma alta de 11,26% ante o valor de março de 2012. Já o crédito para pessoas físicas evoluiu em um ritmo mais lento, principalmente por causa do desempenho mais fraco no financiamento de veículos. A carteira de consumidores somou R$ 118,263 bilhões, um crescimento de 9,18% no período.
É um ritmo que terá de ser acelerado até o fim do ano para que o Bradesco bata a meta de expansão dos empréstimos entre 13% e 17%. "O crédito veio em linha com nossas expectativas. O primeiro trimestre é sazonalmente mais fraco, por isso mantemos a expectativa para o ano", disse Luiz Carlos Angelotti, responsável pela área de relações com o mercado do Bradesco, durante teleconferência com jornalistas. Para o banco, o avanço dos empréstimos será de 15% em 2013.
O desempenho do banco refletiu o efeito da cruzada em prol da queda dos juros cobrados pelos bancos, iniciada há quase um ano pela presidente Dilma Rousseff. A taxa média da margem financeira do banco foi de 7,3% no primeiro trimestre de 2013, com declínio de 0,6 ponto percentual em relação a igual período de 2012 e de 0,3 ponto percentual ante o último trimestre do ano passado. É a menor taxa média do Bradesco pelo menos desde o segundo trimestre de 2011. Já a margem financeira do banco alcançou R$ 10,706 bilhões no período.
Em 2012, o Bradesco reduziu as taxas de juros do cartão de crédito para correntistas de 14,9% ao mês para 6,9%, seguindo cortes feitos por bancos públicos. Angelotti diz que apesar do impacto inicial negativo, a redução dos juros na linha do crédito rotativo será compensada nos próximos trimestres por uma expansão no volume de uso. "Vai gerar maior utilização", afirmou. "É uma revitalização do produto, que vinha caindo em desuso." Alguns analistas calculam que o Bradesco terá de aumentar o volume das operações com cartão em até 40% para compensar o corte feito nas taxas de juros.
Segundo o analista Saul Martinez, do J.P. Morgan, os números apresentados levam a crer que a meta de crescimento da margem financeira entre 7% e 11% está otimista, correndo o risco de ser reduzida. O relatório do Goldman Sachs também ressalta que essa projeção parece desafiadora. "A pressão sobre as margens que atingiu os concorrentes do banco ao fim de 2012 está finalmente chegando ao Bradesco", escrevem analistas.
Porém, o Bradesco lembra em relatório para investidores que os ganhos menores com as operações de crédito não se devem apenas à "nova política de taxas de juros para o segmento de cartão de crédito". O banco explica que também vem mudando o mix da carteira de crédito.
O analista do BB Investimentos Carlos Daltozo opina que, dentre os bancos privados, o Bradesco é um dos mais preparados para a pressão nas margens causada pela queda das taxas de juros, uma vez que vem obtendo sucesso no controle das despesas.
A redução dos custos somada à melhora na qualidade dos ativos compensou a receita mais fraca do banco no trimestre, na visão da equipe de análise do Deutsche Bank. As despesas administrativas e de pessoal somaram R$ 6,514 bilhões de janeiro a março, com alta de 3,7% em relação a igual intervalo de 2012 e queda de 5,6% na comparação com o quarto trimestre.
A inadimplência acima de 90 dias recuou 0,1 ponto percentual no primeiro trimestre, ante os últimos três meses de 2012, a 4%. Para Daltozo, tal redução aponta para uma tendência de declínio. O movimento teve como principal mote a melhora na qualidade do crédito para pessoas físicas. "Não há expectativa de que caia muito rapidamente, mas será uma queda consistente", afirmou Angelotti.
Com a melhora no indicador de calotes, as despesas com provisões para devedores duvidosos ficou em R$ 3,109 bilhões, cifra que mostra uma alta de apenas 0,5% ante igual trimestre de 2012. Se comparados aos números do período entre outubro e dezembro, houve uma queda de 3,1%.
"Destacamos como pontos positivos o controle da inadimplência, com o crescimento de produtos de crédito mais conservadores, e a resiliência do ROE (retorno sobre patrimônio líquido) ", escreve a equipe de análise da Ativa Corretora.
As receitas de prestação de serviço tiveram papel importante para o desempenho. Foram R$ 4,6 bilhões, uma alta de 11,7% ante o primeiro trimestre de 2012.
Os analistas do Bank of America Merrill Lynch destacaram em relatório que o banco segue com uma base de receita sólida, capturando ganhos de eficiência e melhorando a qualidade dos ativos. Apesar de o lucro ajustado ter f**ado 2,6% abaixo de sua estimativa, o mais importante é que o banco revelou tendências melhores do que o esperado em linhas do balanço referentes aos resultados operacionais, como a de despesas.

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20/04/2013

Caso BVA mais perto da solução: fundo Drachma aceita receber pagamento em ações

Uma solução para a crise do banco BVA está mais próxima. No início da noite da sexta-feira 19, um dos principais credores do banco, um fundo gerido pela empresa carioca de gestão de recursos Drachma, concordou com uma proposta de representantes do grupo Caoa, único interessado em comprar o banco. O funda da Drachma era um dos principais credores que precisava assinar o acordo com o Caoa, do empresário Carlos Alberto Oliveira Andrade.
Pelo acordo, o Drachma, que reclama o pagamento de R$ 230 milhões, referentes a investimentos em Certif**ado de Depósito Bancário (CDB) do BVA, vai receber uma quantia não divulgada em duas maneiras. Cerca de 35% do valor será pago em dinheiro, à vista, e os restantes 65% serão pagos em ações do banco.
A aceitação do pagamento em ações do banco representa um grande passo para facilitar uma solução para o BVA. Pela proposta inicial, os credores teriam de abrir mão de praticamente 65% do que o banco lhes devia. Mais tarde, a proposta envolveu um pagamento de 35% à vista e outros 35% condicionais à recuperação de créditos do BVA, reduzindo a perda potencial dos credores.
A proposta aceita nesta sexta-feira indica uma melhora das perspectivas para o banco, e pode estabelecer um padrão para a solução de problemas das pequenas instituições financeiras. Ao aceitar uma parte do negócio em ações, os credores melhoram suas perspectivas de recebimento do que lhes é devido, os bancos continuam funcionando e os recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que garantem os empréstimos até R$ 70 mil por CPF permanecem intocados.

14/04/2013

Oferta do grupo Caoa pelo BVA fracassa e probabilidade de liquidação aumenta

A reunião de cotistas de um fundo de investimentos que possui títulos do banco BVA, realizada nesta sexta em São Paulo, acabou sem acordo. O impasse levou o grupo Caoa, do empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, a desistir oficialmente de comprar a instituição. Com isso, cresceu a probabilidade de o BVA, que está sob intervenção do Banco Central (BC) desde 19 de outubro, ser liquidado.
O fundo em questão tem como cotistas quase 50 fundos de pensão distribuídos pelo País. Nesta sexta, representantes de 22 dessas entidades reuniram-se para analisar a proposta de Caoa.
A oferta era a mesma apresentada a outros investidores do BVA: pagamento à vista de 35% do valor aplicado no banco e a possibilidade de reaver mais 35%, conforme a recuperação dos créditos na carteira da instituição. A proposta nem sequer foi votada. Irritados, alguns representantes deixaram o encontro ameaçando processar o BVA.
Os controladores do banco trabalham agora para que a assembleia seja reaberta entre segunda e terça-feira, o que, em tese, pode permitir que o BVA seja salvo.Se a maioria dos cotistas aceitar as condições, Caoa pode retornar para o negócio.
O fundo em questão tem papel-chave na tentativa de uma solução para o banco. Em sua carteira está um CDB emitido pelo BVA com uma remuneração bem superior à média do mercado - cerca de 30% ao ano, segundo fontes ligadas ao Caoa.
Originalmente, esse papel valia perto de R$ 50 milhões, mas, com a remuneração já embutida, o valor subiria para cerca de R$ 300 milhões. Oliveira Andrade não aceita comprar o BVA com esse passivo na carteira.
Um consultor de Andrade que participa das negociações informou que, na segunda-feira, haverá uma reunião entre representantes do grupo e do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo esse consultor, se o FGC conceder um empréstimo no valor equivalente ao do CDB, o negócio pode se tornar viável novamente. No entanto, o FGC reluta em aceitar novas condições.
O prazo de seis meses da intervenção pelo BC expira quinta-feira, dia 18. Tecnicamente, existe a possibilidade de que seja renovado por mais 180 dias, mas diferentes fontes consideram a hipótese remota.
Oliveira Andrade surgiu como principal (e, posteriormente, único) interessado no BVA porque possui cerca de R$ 600 milhões aplicados no banco. Para não perder o dinheiro, resolveu tentar comprá-lo. Para que a proposta vingasse, estabeleceu que seria preciso a adesão de ao menos 90% dos credores. Até esta sexta, 70% haviam aceitado as condições - R$ 650 milhões num total de R$ 900 milhões.
A negativa dos cotistas do fundo, aliada à resistência de parte dos credores, levou o Caoa a desistir. Mas a novela ainda não terminou. Como lembra uma fonte, em meio a tantas condicionantes (reunião com o FGC e eventual continuidade da assembleia), a situação pode virar de uma hora para a outra.

21/03/2013

Negociação para venda do BVA emperra

As negociações do empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, controlador do Grupo Caoa, para comprar o banco BVA emperraram. O Estado apurou que, para fechar negócio, Oliveira Andrade quer uma adesão de ao menos 90% dos credores à sua proposta pela instituição, que está sob intervenção do Banco Central (BC) desde 19 de outubro. Até agora, porém, só conseguiu cerca de 65%.
Pessoas ligadas ao empresário disseram que, se ele não conseguir chegar aos 90%, desistirá da compra. Uma das fontes afirmou que muitos credores estão "esticando a corda" até o limite, certos de que o negócio será efetivado em qualquer condição. "Estão enganados", afirmou.
Oliveira Andrade é um dos maiores credores do BVA, com cerca de R$ 500 milhões em aplicações financeiras e R$ 100 milhões em participação acionária. Para evitar perder todo esse dinheiro e também ganhar uma plataforma financeira para seus negócios no ramo automotivo, decidiu tentar comprar o banco.
Na semana passada, apresentou oficialmente uma proposta pela qual se dispõe a pagar à vista 35% dos valores depositados pelos credores no BVA. Além disso, ofereceu a possibilidade de um ganho adicional, vinculado aos créditos que o banco conseguir recuperar com os devedores.
Para seguir em frente com a proposta, Oliveira Andrade precisou do sinal verde do Banco Central. Desde meados de fevereiro, o BC já tem em mãos o relatório do interventor do BVA. Como não houve nenhuma proposta pelo banco até aquela data, poderia liquidá-lo a qualquer momento se entendesse que não tinha mais condições de operar.
Oliveira Andrade negociou um prazo até terça-feira que vem. Até lá, deve fazer chegar ao BC uma proposta oficial. Caso contrário, a liquidação deverá ser consumada.
Interlocutores do empresário dizem que os credores mais resistentes seriam os que detêm entre R$ 10 milhões e R$ 25 milhões no BVA. A negociação com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com cerca de R$ 1,2 bilhão no banco, já estaria adiantada.
Com a adesão em níveis baixos, Oliveira Andrade já teria até mesmo orientado assessores a procurar outro banco no mercado, uma vez que está convencido da necessidade de ter um banco próprio. O Grupo Caoa, segundo fontes a par do assunto, tem capacidade de gerar ativos de crédito de quase R$ 2,5 bilhões ao ano, fruto dos financiamentos de veículos.

11/03/2013

Plano para banco BVA tem adesão de 60%

Carlos Alberto de Oliveira Andrade, dono da rede de concessionárias Caoa, conseguiu até agora a adesão de credores que detêm 60% da dívida do banco BVA, disseram pessoas a par da operação. A instituição está sob intervenção do Banco Central desde outubro do ano passado.
Caoa, como o empresário é conhecido, é um dos principais credores do BVA e lançou um plano para comprar o banco, na tentativa de recuperar os cerca de R$ 500 milhões investidos.
Para isso, o empresário propõe aos credores um deságio de 65% sobre seus créditos. A proposta precisa ser aceita por detentores de papéis que representem cerca de 95% da dívida da instituição. O tamanho do desconto tem encontrado resistência entre alguns credores, o que pode levar o BVA à liquidação.
Segundo o Valor apurou, em apresentações feitas a credores, o Brasil Plural – banco de investimento que assessora Caoa – tem mostrado que estima o passivo a descoberto do BVA em R$ 2,7 bilhões. Por isso, só com um deságio de 65% o rombo poderia ser zerado. A partir disso, Caoa está disposto a colocar mais dinheiro para fazer o banco voltar a operar.
O número levantado pelo Brasil Plural é maior do que o R$ 1,5 bilhão inicialmente estimado por uma auditoria conduzida recentemente pela PwC.
Para chegar aos R$ 2,7 bilhões, o Brasil Plural tem explicado a credores que fez uma avaliação da qualidade dos créditos que o BVA tem em balanço. Em alguns casos, encontrou empresas que estão classif**adas no balanço da instituição com notas de risco superiores às reais, inclusive em processo de falência ou recuperação judicial.
O valor dos imóveis que estão no balanço do banco também foi checado pelos assessores de Caoa. Para alguns terrenos, a equipe concluiu que estavam superavaliados, o que reduz o tamanho do ativo do banco.
O volume de credores que deram o sinal verde ao plano mostra que dificilmente o empresário conseguirá atingir 95% de adesão até hoje. O empresário tem até segunda-feira para entregar uma proposta ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A tendência, segundo o Valor apurou, é que Caoa peça uma prorrogação do prazo ao FGC, maior credor do banco, para buscar a aceitação de mais credores ao plano.
Uma série de fundos de pensão também estão envolvidos nas negociações, que são cotistas de fundos de créditos originados pelo BVA. Com essas entidades, discute-se a criação de um novo fundo com os ativos já existentes. A diferença é que o nível de subordinação do BVA seria reduzido. Cotas subordinadas servem para absorver eventuais perdas que os cotistas seniores sofram

17/01/2013

Banco Rural terá aporte de R$ 400 milhões

Enquanto ainda lida com a condenação de sua principal acionista no julgamento do mensalão, o Banco Rural se prepara para receber um novo aporte de capital, que deve somar pelo menos R$ 400 milhões. Depois de uma sequência de injeções de capital, desta vez, a forma encontrada para levantar os recursos foi uma emissão de debêntures fechada no início do ano pela Trapézio, holding controladora da instituição.
A dona do Rural usará o restante da captação, de R$ 560 milhões, para liquidar dívidas de curto prazo também tomadas para capitalizar o banco. A holding vem realizando sucessivos aportes após o Banco Central determinar uma série de ajustes no balanço da instituição. Procurada, a Trapézio confirma a emissão. "O principal objetivo da operação é fortalecer a estrutura de capital do Banco Rural, com vistas ao crescimento da instituição", informa, em nota.
A captação foi intermediada pela NSG Positiva, que não atua tradicionalmente nesse mercado, dominado pelos grandes bancos de investimento. A distribuidora de valores não é relacionada no ranking de instituições financeiras divulgado pela ANBIMA, associação que reúne instituições que atuam no mercado de capitais. Mas, recentemente, fechou outra grande operação, de R$ 600 milhões, para a Brasil Foodservice Group, dona da rede de restaurantes Porcão. Nenhum representante da NSG foi localizado para comentar.
Os investidores que adquiriram as debêntures emitidas pela Trapézio para capitalizar o Rural não são conhecidos, mas a operação possui características típicas daquelas destinadas a aplicadores de longo prazo, como fundos de pensão. Os papéis possuem prazo de 10 anos, com carência de quatro anos para o início do pagamento do principal. A taxa de juros, equivalente à inflação medida pelo IPCA mais 8,5% ao ano, só começará a ser paga a partir de junho de 2016.
A fonte de recursos para o pagamento das debêntures será o fluxo de dividendos do Rural, aos quais a Trapézio tem direito. Em garantia aos credores dos papéis, foi feito o penhor de ações do banco que pertencem à holding. A emissão recebeu classif**ação de risco preliminar "BBB+" da LF Rating, suficiente para as debêntures se enquadrarem na política de investimentos das fundações, que costumam exigir rating mínimo "BBB".
O Rural fechou o terceiro trimestre de 2012 com ativos totais de R$ 4,8 bilhões e patrimônio líquido de R$ 394 milhões. De janeiro a setembro, a instituição registrou prejuízo de R$ 47,4 milhões. Em 2012, o banco deixou de ser auditado pela Ernst & Young e passou a ter como auditores a Fernando Motta & Associados, firma mineira de menor porte.
No ano passado, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) chegou a fazer uma auditoria no banco, com o objetivo de encontrar um novo controlador para o Rural, que pudesse trazer mais recursos para a instituição. A operação, porém, esbarrou na condenação de Kátia Rabello, controladora do Rural, no processo do Mensalão. O processo de venda do banco foi paralisado.
Em outro processo, o Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, conhecido como Conselhinho, condenou Katia e Plauto Gouvêa, vice-presidente da Trapézio, à pena de inabilitação de atuação em instituições financeiras. Em setembro, ambos deixaram o comando da companhia.

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