12/01/2025
Importância do tempo para a Contabilidade - Quando a Física e a Contabilidade têm pouco a ver
O tempo é algo que fascina a humanidade desde os primórdios da civilização, quando os primeiros seres humanos começaram a observar os ciclos naturais e a medir a passagem dos dias e das estações. Desde então, filósofos, cientistas e artistas têm explorado a natureza do tempo, tentando entender sua essência e seu impacto em nossas vidas. Einstein desenvolveu a teoria mais revolucionária do século XX, a Teoria da Relatividade, que transformou nossa compreensão do espaço, do tempo e da gravidade, desafiando as noções clássicas estabelecidas por Newton, afirmando que o Tempo e o Espaço são basicamente a mesma coisa e não são estáticos nem absolutos, mas sim relativos. A ideia de que o tempo é relativo ultrapassa a nossa lógica terráquea, pois medimos o tempo com base em ciclos astronômicos: o ano (uma órbita completa da Terra ao redor do Sol), a semana com base nas fases da lua (nova, crescente, cheia e minguante) e o dia (uma rotação completa da Terra sobre seu próprio eixo). Esses ciclos são experiências universais, válidas tanto para quem vive no Arquipélago Malaio quanto para quem vive na Bacia Amazônica (a maior massa de terra antipodal). Através dessas medidas, conseguimos desenvolver o relógio e os fusos horários, além de dividir o tempo em frações menores, como horas, minutos e segundos. Essas medidas são padronizadas para todos os habitantes da Terra e, sem dúvida, esses avanços contribuíram significativamente para o nosso modo de vida.
E o que isso tem a ver com a contabilidade? Na verdade, pouco tem a ver. Mas esta introdução é para mostrar o quão fascinado somos por classificar as coisas, medir e padronizar. A contabilidade (considerada por muitos como apenas uma técnica) é a ciência que se dedica ao estudo, da análise, classificação, registo e controlo das variações patrimoniais de uma determinada entidade e na sua essência subjacente estão duas bases fundamentais: a continuidade e o acréscimo. (A continuidade será tema de um outro post), para este artigo vamos debruçar-nos sobre a base do acréscimo.
As empresas constituem-se, de modo geral, por tempo indeterminado, a atividade em que consiste o seu objeto social. Perante esta duração ilimitada das empresas, a medição e a comparação do desempenho obtido só é possível repartindo artificialmente a vida das mesmas em segmentos de tempo, determinando no final de cada um deles o seu resultado e a sua posição financeira. Estes segmentos ou frações de tempo são designados como período econômico ou exercício económico. Pois bem, de acordo com a Base do Acréscimo, os efeitos das transações e de outros acontecimentos são reconhecidos quando ocorrem, escriturados nos registos contabilísticos dos períodos (frações de tempo) a que respeitam e, consequentemente, relatados nas demonstrações financeiras dos respetivos períodos, ou seja, a existência ou não dos consequentes influxos ou efluxos de caixa não condicionam o seu efetivo registo.
Esta premissa básica do Acréscimo é universalmente aceite e é para a contabilidade (em regime do acréscimo), como a relatividade geral é para a Física, pelo que faz parte da base conceptual de qualquer normativo contabilístico, desde os internacionais (IFRS e FASB) como para os normativos locais ou regionais e assume suma importância na preparação, leitura e análise do relato financeiro.
Texto Escrito por: Félix Vieira - Contabilista.