13/01/2022
Nova lei, fusões e privatização da ENSA vão marcar sector segurador em 2022
SECTOR SEGURADOR À ESPERA DA NOVA LEI
A nova Lei da Actividade Seguradora e Resseguradora foi aprovada na generalidade, baixou às comissões de especialidade, mas ainda não existe uma data para a aprovação final. A privatização da ENSA deve acontecer no 1º trimestre e já se "ouvem" rumores sobre possíveis fusões.
Com a entrada em vigor da nova Lei da Actividade Seguradora e Resseguradora, os operadores do mercado acreditam no crescimento do sector segurador, embora se sintam ainda os efeitos da pandemia, mas os grandes desafios passam pela digitalização, pela adaptação de novos produtos ao mercado, o crescimento das redes de retalho, e possivelmente, uma maior concentração com aquisições e fusões que já se anunciam. E claro, a privatização do líder de mercado, a ENSA.
Na visão de Elmer Serrão, PCA da ARSEG, as perspectivas para 2022 são bastantes animadoras na medida em que se aguarda pela aprovação da nova lei que poderá imprimir outras exigências no que diz respeito à supervisão e aos instrumentos de reporte, dando ao regulador uma maior possibilidade de intervenção. Ainda não há data concreta sobre a entrada em vigor da nova Lei por estar dependente da agenda da Assembleia Nacional, órgão responsável pela aprovação final, embora já tenha sido aprovado na generalidade.
"Prevemos também ajustar a estrutura orgânica e funcional da ARSEG com base na recentemente aprovada Lei das Autoridades Administrativas Independentes e retirar o máximo proveito das relações com organizações internacionais das quais a ARSEG é membro efectivo, nomeadamente da IAIS, da IOPS, do CISNA, da ASEL e outras".
Por sua vez, Maria de Fátima, PCE do BIC Seguros, acredita que o pior já passou e que em 2022 a economia trará sinais positivos, o que beneficiará, naturalmente, as empresas, a população e, por consequência, todo o sector financeiro. Será um ano marcado por novidades ao nível regulatório a todos os níveis, com novas e saudáveis exigências em temas como contabilidade, controle interno e risco, portanto, acredita que será um ano de grandes desafios.
"Temos que ter essa esperança! Num sector ainda tão pequeno como o nosso é indispensável essa linha de pensamento estratégico que funciona como principal motor no plano de negócios do BIC Seguros para 2022. ".
Acrescenta ainda que a economia vai continuar a sentir os efeitos da pandemia, mas o BIC Seguros está trabalhar para que em 2022, tal como em todos os anos anteriores, cresce para ser melhor em vários aspectos, tanto a nível de volume de prémios, rentabilidade e, sobretudo ao nível da satisfação do cliente.
Para Paulo Santos, director-geral da correctora Meu Seguros, 2022 é o ano de grandes desafios para as seguradoras, porque ainda não existe uma cultura de seguros por parte da população e empresas, embora exista um crescimento muito ténue. "Para se alterar este cenário compete às seguradoras virem junto dos clientes e não o inverso. Perspectivo um crescimento muitíssimo suave, só haverá crescimento quando as seguradoras conseguirem que a população e as empresas compreendam que o seguro não é um custo, mas sim uma receita", defende.
António Bessa, consultor de seguros, acredita que este ano vai continuar a ser difícil para o mercado em geral e irá reflectir-se para o sector segurador, assim como aconteceu no ano passado em que muitas empresas e pessoas sentiram-se obrigadas a anular os seus contratos.
"As empresas devem cada vez mais apostar na transformação digital, porque é um dos mecanismos que vai contribuir para o aumento da taxa de penetração, pois estes canais vão tornar a actividade mais céleres", sugere o especialista.
A privatização da ENSA, na visão do corrector de seguros, vai obrigar as restantes seguradoras a f**arem ainda mais atentas à dinâmica do mercado, pois os potenciais compradores são grupos fortíssimos na indústria seguradora mundial.
FUSÕES SÃO BEM VISTAS PELA ARSEG
Elmer Serrão refere que existem possibilidades de fusões desde que os investidores assim o queiram, pois as fusões não são decididas por decreto. É preciso que os accionistas tenham interesse em fundir as suas empresas às outras. "Da parte da ARSEG, vemos com bons olhos as fusões entre seguradoras a operar no mercado segurador angolano, na medida em que tal operação vai agregar valor à indústria, garantindo às empresas envolvidas importantes transformações nos respectivos modelos operacionais, maior participação de mercado e integração de novas tecnologias".
Quanto à privatização da maior seguradora do mercado (ENSA), o PCA disse que o processo ainda não chegou ao seu gabinete, mas espera, de modo particular, que a privatização da ENSA tenha um impacto positivo no ambiente concorrencial entre os operadores do mercado.
Nos primeiros nove meses de 2021, as seguradoras emitiram prémios avaliados em 189 mil milhões Kz, alcançando 85% do valor do ano passado (223 mil milhões Kz), por isso é um indicador, para o PCA, de que os números vão superar os de 2021. "A expectativa é a de que em 2022 estes números superem os resultados referentes a 2021, contando que se mantenha a perspectiva de estabilização da economia e o mercado de seguros mantenha essa trajectória de crescimento", termina.