11/06/2026
Começo a acreditar que o problema do nosso país não é apenas físico, mas também espiritual e humano.
Não é possível que, depois da calamidade que assolou a minha amada província de Benguela, as famílias afetadas tenham de recomeçar as suas vidas apenas com estes materiais.
Se esta for realmente a ajuda que o Governo está a disponibilizar às famílias que perderam as suas residências devido às chuvas, considero que está muito aquém das necessidades reais da população.
Como educadora financeira que acompanha diariamente a realidade económica do nosso país, vejo esta situação como um reflexo da falta de sensibilidade para com o sofrimento destas famílias. Quem perdeu a sua casa perdeu muito mais do que paredes e um teto; perdeu segurança, estabilidade e dignidade.
Na minha opinião, uma solução mais eficaz seria a implementação de programas habitacionais de baixa renda, com a construção de residências destinadas às famílias mais vulneráveis. O objetivo seria garantir uma habitação digna, através de imóveis acessíveis ou subsidiados pelo Estado.
Uma medida desta natureza ajudaria a minimizar significativamente os problemas enfrentados por estas famílias e permitiria uma recuperação mais rápida e sustentável.
Oferecer apenas 100 blocos, 10 sacos de cimento, 5 vigas e 5 chapas a quem perdeu tudo é, no mínimo, insuficiente diante da dimensão da tragédia vivida.
Solidariedade não deve ser apenas um gesto simbólico; deve ser uma resposta capaz de devolver esperança e condições reais para recomeçar.