18/05/2025
Neste sábado, 17 de maio, o mundo marca o Dia Internacional contra a Homofobia, a Transfobia e a Bifobia, uma data simbólica que reforça a importância de combater o preconceito, a violência e a desinformação contra a população LGBT+. A data remete ao ano de 1990, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou oficialmente a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças (CID). Desde então, o 17 de maio passou a representar uma luta constante por visibilidade, respeito e igualdade de direitos.
Apesar de avanços legais importantes — como a criminalização da homofobia e da transfobia pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2019, o reconhecimento da união estável homoafetiva e o direito à retificação de nome e gênero — o Brasil ainda ostenta um dado alarmante: é o país que mais mata pessoas LGBT+ no mundo.
De acordo com dados de entidades como o Grupo Gay da Bahia e a ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transe***is), a violência contra essa população é estrutural e cotidiana. No caso das pessoas trans, a expectativa de vida média no Brasil é de apenas 35 anos, um dado trágico que expõe o nível de vulnerabilidade, exclusão e risco que essa parcela da sociedade enfrenta.
Avanço da lei, retrocesso nas ruas
Enquanto as leis avançam, o cotidiano de muitas pessoas LGBT+ ainda é atravessado por medo, silêncio e evasão. As agressões não ocorrem apenas de forma física. Elas também se manifestam em discursos, ofensas, exclusões familiares, ambientes escolares hostis, piadas normalizadas e na recusa de atendimento ou direitos básicos. O preconceito, quando enraizado na cultura, ganha forma em frases e “opiniões” que desumanizam.
A ciência já explicou o que o preconceito tenta negar
Estudos da neurociência comprovam que o cérebro de pessoas homosse***is apresenta padrões de ativação semelhantes aos de pessoas heterosse***is do s**o oposto. Ou seja, um homem gay ativa, ao ver um outro homem, os mesmos circuitos cerebrais que uma mulher heterossexual ativa ao ver um homem. Isso mostra que a orientação sexual não é fruto de escolha, mas de uma configuração neurobiológica.
A ideia de que a homossexualidade é algo que pode ser “curado” ou “revertido” não apenas é falsa, mas também perigosa. No Brasil, práticas como a chamada “cura gay” são proibidas pelo Conselho Federal de Psicologia desde 1999, por não possuírem base científica e violarem os direitos humanos.
Não é “mimimi”: é sobre viver
Quando se fala em combate à homofobia, não se trata de censura ou cerceamento da liberdade de expressão. Trata-se de preservar a vida, a dignidade e a liberdade de existência de milhões de pessoas que ainda hoje sofrem por serem quem são. Não há “exagero” em cobrar respeito à identidade e à orientação sexual. O exagero, na verdade, está em viver em um país onde simplesmente ser pode significar morrer.
Junho se aproxima: o mês do orgulho começa na resistência
O Dia Internacional contra a Homofobia também marca a entrada no clima de um dos períodos mais importantes para a visibilidade LGBT+: o mês de junho, conhecido como Mês do Orgulho. A celebração tem origem nos protestos de Stonewall, ocorridos em Nova York em 1969, quando pessoas LGBT+ reagiram a uma batida policial violenta. Desde então, o mês se tornou um símbolo mundial da resistência e da luta pelos direitos civis da comunidade.
No Brasil, junho é marcado por paradas, eventos culturais, debates e campanhas de conscientização. Mas, antes da festa, está a luta — uma luta por algo que deveria ser simples: viver com respeito, amar sem medo, existir sem violência.
Neste 17 de maio, o recado precisa ser claro: a homofobia mata. O silêncio também. E o combate ao preconceito é responsabilidade de todos — governos, instituições, igrejas, escolas, empresas, famílias e indivíduos.
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