31/10/2016
O topo da Montanha
Como solicitado por Claudia Oliveira segue minhas impressões sobre o espetáculo, O topo da Montanha, espetáculo estrelado por Lázaro Ramos e Taís Araújo. narra aquilo que teria sido os últimos momentos da vida de Martin luther king. Ele aborda de forma brilhante os pensamentos e as ideia desse grande ícone da história humana. Que uma tinha preocupação com a causa dos negros nos EUA, porém , ele entendia a importância de estarem todos juntos ( negros e brancos) na luta contra o racismo e contra a pobreza.
Evidente que uma peça que traz Lázaro Ramos na sua montagem , terá influência da sua trajetória de luta e combate ao racismo nos moldes dos ideais e pensamentos do movimento negro brasileiro. É importante deixar transparente que existe um abismo entre o movimento negro praticado no Brasil e aquilo que concerne às organizações da luta afro-americana. Não pretendo aqui tratar dessas diferenças. Embora, o que pretendo abordar vem muito da influência dos afro-americanos do norte. Tendo dito isso, falarei do que ficou comigo do espetáculo.
Não posso deixar de agradecer ao Fórum de Arte e Cultura do subúrbio que fez as mobilizações para que alguns produtores como eu e outros artistas pudessem comparecer ao evento no TCA. O que mostra a importância do trabalho feito por essa entidade de grande relevância para cena cultural do subúrbio e de toda Salvador.
Falemos do legado do espetáculo, A luta: a importância de está em combate empenhado numa causa, em tempos como os que estamos vivendo agora, é mais do que necessário está alinhado com um posicionamento em prol de uma causa para todos e não para um determinado segmento ou partido. Segundo , a nosso participação enquanto sociedade ativa e não passiva. Muitos de nós falamos da importância de lutar e combater as desigualdades, porém estamos indo para combate ? Ou estamos apenas olhando ?
Essa perspectivas é a que mais me chama atenção. A todo momento vejo muitas pessoas reclamando que a cena tá vazia e que as pessoas não estão indo para os espetáculos. E que isso é culpa da Falta de Educação do povo e que o povo gosta de Porcaria. Eu sempre digo e insisto que isso não é verdade , se assim fosse o espetáculo O topo da Montanha estaria vazio e muito pelo contrário, o espetáculo estava lotado nas três sessões e segundo na minha opinião, essa questão da falta de público nesses eventos acontece por uma péssima cultura que muitos atores e produtores culturais em Salvador tem , que é de querer ir para os espetáculos de graça ou com valores abaixo de mercado.
Vejamos no evento Garota VIP o ingresso mais barato custava 70 reais e estava lotado, porém muito de vocês vão me dizer que o povo gosta de porcaria e por isso não sabe valorizar a cultura, Será Mesmo? evidente que não pessoas , entendam, o que faz as pessoas pagarem 360 ou mais para ver ir no Garota ViP e não pagarem o mesmo para ver o espetáculo o Topo da Montanha ( falando da realidade em Salvador.) é simples, nós produtores culturais não temos a cultura de mobilizar em prol daquilo que gostamos.
A Cena Cultural Soteropolitana é acostumada a divulgar que é importante ir para espetáculos culturais que é bom para conhecimento e para elevação da alma e do espírito, entretanto , eu não vejo as pessoas fazerem fotos e divulgar como esse ou aquele espetáculo foi e é do ca***ho. Infelizmente, tratamos os espetáculo culturais como algo que só os inteligentes e os mais capacitados terão a capacidade de compreender.
Além disso, vejo muita gente defendendo que a arte não deve ser para todo mundo. Aí eu pergunto? Quem vai pagar as contas ? Quem vai investir, qualificar a produção , fazer com que tenhamos mais e mais eventos como o O Topo da Montanha ? Eu não consigo entender e nem aceitar que ainda temos essa postura de achar que o não são sucesso e a falta de visibilidade e audiência dos eventos culturais se dá , porque o povo não tem cultura. Gente , vejam os eventos estão bombando os ensaios as festas gerando recursos e novos investimentos. E nós vamos insistir nessa perspectiva mesmo ?
Gente é simples, nós produtores não criamos lista de whatsapp, instagram , facebook, não mostramos e nem divulgamos como foi f**a aqueles espetáculo. Vejam que Roma Soares, foi sábado no espetáculo, Diários de Psicopatas de Adson Brito do Vellho, além de valorizar o evento, isso mostra o lado prazeroso da cena cultural. Essa é filosofia que defendemos aqui. Estamos a cada dia como o Martin Luther King dizia lutando para que a nossa cena cultural , estamos arriscando, tentando , errando e aprendendo para que possamos amanhã saber que o nosso trabalho valeu a pena.
Por isso, que eu acredito muito numa frase que me marcou muito na peça,” nós os trabalhadores precisamos lutar e participar”. E é isso que fazemos aqui no Qual é a sua Pegada?, Nós Lutamos , Nós Divulgamos , Trabalhamos ,Investimentos , Compartilhamos e Curtimos, porque essa é nossa razão de ser. Essa é a nossa pegada.
Não esqueçam e curtam e compartilhem
Alexandre - fundador da QsP.