29/07/2026
No Brasil, imóvel virou crença antes de virar conta. E crença a gente não costuma revisar.
"Terra não desvaloriza." "Quem tem imóvel não quebra." Você ouviu essas frases a vida inteira, e elas carregam um valor real: segurança que se enxerga, continuidade entre gerações, uma casa que passa adiante sem a briga de um inventário. Nada disso é superstição. Faz sentido guardar.
O problema começa quando esse mesmo imóvel entra na planilha como ativo de retorno. Aí vale separar as coisas. Entre 2014 e 2025, o imóvel residencial médio valorizou cerca de 3,5% ao ano (Índice FipeZap), contra 9,8% ao ano do CDI. No acumulado, o CDI multiplicou o capital por 3,1, e o imóvel por 1,5, ou seja, o imóvel entregou cerca de metade do CDI, antes ainda de IPTU, manutenção, vacância e reforma. Se a ideia for renda mensal, o aluguel residencial bruto roda perto de 5,4% ao ano hoje, perto da inflação.
Aqui entra a parte que quase ninguém diz: imóvel é o ativo mais heterogêneo que existe. O apartamento certo, no bairro certo, no momento certo, rendeu muito mais que essa média. Em 2024, juntando aluguel e valorização, imóveis em São Paulo, Rio e Belo Horizonte chegaram a 19,1% combinado, segundo o FGV IBRE. Ou seja: a média não é destino. O erro não é ter imóvel, é confiar no folclore em vez de fazer a conta do seu.
O ponto, então, não é sair vendendo tudo. É saber o que cada imóvel está fazendo dentro da carteira da sua família. Se é moradia, refúgio, herança, raiz, é uma decisão patrimonial, e faz todo sentido. Se é investimento de retorno, é outra conversa, e aí vale fazer a conta. O custo aparece quando se cobra de um o que só o outro pode dar.
E você: os imóveis na sua família estão ali por raiz, ou por retorno?