04/02/2023
JOSE LUIZ DE MAGALHÃES LINS (ex-diretor do BANCO NACIONAL S/A - Banqueiro e Mecenas) - Morreu nesta sexta-feira, dia 03 de Fevereiro de 2023 o banqueiro José Luiz de Magalhães Lins, aos 93 anos. Sobrinho de Magalhães Pinto, assumiu o comando do Banco Nacional em 1960, e era considerado um mecenas. Otto Lara Resende dizia que ele era “o amigo certo das promissórias incertas”.
O escritor e jornalista mineiro se referia ao apoio permanente dado às artes, ao cinema e às letras pelo banqueiro, que fez do Banco Nacional de Minas Gerais, que tinha apenas duas agências quando ele assumiu seu comando, a se tornar, no auge, o segundo maior banco do país.
Aos 17 anos, José Luiz de Magalhães Lins começou a trabalhar no banco do tio, Magalhães Pinto. Assumiu o posto de diretor-executivo em 1960.
“Durante dez anos, Magalhães Lins comandou o Nacional. Era um inovador. Abriu as salas dos gerentes das agências aos clientes. Concedia financiamentos a pessoas físicas e pequenas indústrias. Criou uma imagem popular para a empresa, tendo como símbolo o guarda-chuva. Sob a administração dele, o Nacional multiplicou o seu capital e se tornou o segundo maior banco brasileiro”, conta Mario Sérgio Conti, em seu livro Notícias do Planalto.
Simultaneamente, apoiava as artes. Foi fundamental para o florescimento do Cinema Novo, financiando algumas obras-primas como Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, Os Fuzis, de Ruy Guerra, A Grande Cidade, de Cacá Diegues, Menino de Engenho, de Walter Lima Jr., A Falecida, de Leon Hirszman, e O Padre e a Moça, de Joaquim Pedro de Andrade.
Seu papel no apoio ao Cinema Novo foi reconhecido por Glauber Rocha. O financiamento de Magalhães foi fundamental para os clássicos Terra em Transe e Deus e o Diabo na Terra do Sol. “O exemplo do sr. José Luiz Magalhães Lins é de extraordinária importância neste momento que vive o cinema brasileiro, o mais fértil de sua história, o mais definido pela qualidade cada vez maior de seus filmes”, declarou o cineasta no livro Revisão crítica do cinema brasileiro.
Ruy Castro também citou a importância do banqueiro no movimento em seu livro Ela é carioca, de 1999: “Cada filme [do Cinema Novo] era um parto para ser rodado e muitos deles não teriam existido se não fosse pelo Banco Nacional, leia-se José Luiz de Magalhães Lins, em empréstimos a perder de vista.”
Ele garantiu que nunca levou prejuízo ao emprestar para os cineastas.
Como diretor-executivo do Banco Nacional, foi o avalista de um empréstimo concedido ao jornalista e empresário Roberto Marinho, considerado fundamental para os primeiros anos da TV Globo Tornaram-se amigos, Magalhães Lins e Marinho.
Mas o papel mais importante foi salvar o craque Garrincha da cadeia por deixar de pagar pensão alimentícia à ex-mulher Nair Marques, primeira esposa do jogador. Magalhães Lins quitou a dívida na época de 2,6 mil cruzeiros novos, momentos antes da prisão: “O oficial de Justiça já vestia o paletó para ir prender Garrincha quando um emissário de José Luiz de Magalhães Lins entrou na Sexta Vara e entregou ao juiz Áureo um cheque no valor de 2,6 mil cruzeiros novos”.
Magalhães Lins nasceu em Arcos, Minas Gerais, em 12 de abril de 1929. Depois que deixou o banco em 1972, foi presidente da Light e do Banerj. Em 1980, tornou-se conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, onde ficou até 1999, quando se aposentou.
Ele era casado desde 1961 com Maria do Carmo Nabuco de Magalhães Lins( Nininha Nabuco ), com quem teve cinco filhos.
AS FOTOS PRETO E BRANCO QUANDO TRABALHAVA NO BANCO NACIONAL EM 1960 NO RIO DE JANEIRO. ACERVO BARÃO POTYGUARAS. (ESCRITOR/HISTORIADOR)