14/05/2026
O salário caiu para terceiro lugar.
Quando o Pandapé Infojobs perguntou a milhares de profissionais brasileiros o que mais os fazia querer trocar de emprego, a resposta surpreendeu até quem trabalha com RH há décadas: na frente do salário baixo (24,15%) apareceram a falta de oportunidade de crescimento (30,03%) e a liderança tóxica (24,46%). A remuneração, por anos tratada como o argumento definitivo de retenção, virou apenas mais um item da lista.
O que entrou no lugar dela tem nome: benefícios. E, dentro dessa categoria, um se destaca acima de todos. Pesquisa Datafolha encomendada pela Fenaprevi mostra que 81% dos trabalhadores consideram o plano de saúde o benefício mais importante que uma empresa pode oferecer. Em segundo, vem o seguro de invalidez (75%). Em terceiro, a previdência privada (62%).
O mercado já incorporou essa leitura. Segundo a Pesquisa Gestão de Saúde Corporativa 2025, da ABRH Brasil, 92% das empresas brasileiras oferecem plano de saúde aos funcionários, índice que avança para 97% nas companhias com mais de 500 colaboradores. A oferta deixou de ser diferencial competitivo e passou a ser pré-requisito estrutural.
Há, no entanto, uma contraparte. O convênio médico se tornou a segunda maior despesa do RH, atrás apenas da folha salarial. O custo médio por vida varia de R$ 180 a R$ 600 por mês, dependendo do porte da empresa e da cobertura. O reajuste médio dos planos coletivos foi de 11,15% em 2025 (ANS), chegando a 14,81% para contratos com menos de 30 vidas, quase três vezes a inflação oficial do período.
O efeito é mensurável: 28% das empresas registraram alta de custos acima de 20% em 2025, índice três vezes superior ao registrado em 2020. E 46% projetam novas elevações nos próximos ciclos.
O caminho não passa por cortar o benefício. Passa por geri-lo com estrutura. Estudos da Mercer Marsh apontam que companhias com estratégias estruturadas de saúde corporativa reduzem em até 25% os custos com plano e absenteísmo. A diferença, nesses casos, está em quem acompanha o contrato ao longo de todo o ano, com leitura técnica de sinistralidade, perfil de uso e cláusulas contratuais.